MSI quer blindar os garotos

O Corinthians vai segurar todos os seus garotos por sete anos, numa iniciativa de risco no Parque São Jorge, mas com muita certeza de poder fazer dinheiro com esses jogadores nas próximas temporadas. Do elenco que pode ser campeão brasileiro no domingo, dez atletas foram forjados nas categorias de base, uma prática esquecida no passado, mas resgatada sobretudo pelo atual rombo financeiro dos clubes.Quem encabeça esse projeto no Corinthians é o diretor de futebol da MSI, Paulo Angioni, com aval do iraniano Kia Joorabchian e do presidente Alberto Dualib.Angioni já prolongou até dezembro de 2007 o contrato dos jogadores Wendel, Rosinei, Betão, Bobô, Edson, Coelho, Marcus Vinícius, Bruno Octávio e Élton. O lateral Eduardo Ratinho foi além, até janeiro de 2008. ?Isso eu fiz já em 2004, dando também a eles uma bonificação no salário. Nossa intenção agora é sentar com essa garotada de novo em fevereiro e esticar seus contratos por mais cinco anos, com novos aumentos de acordo com a produtividade de cada um em campo?, explica o dirigente da MSI.O volante Bruno Octávio, de 20 anos, é um desses jogadores que serão procurados para a renovação de contrato. Em janeiro deste ano, ele disputou a Copa São Paulo de Juniores. Ganhava pouco mais que uma ajuda de custo, menos de R$ 1.500 por mês. A renovação ocorreu no Brasileirão e ele passou a receber quase dez vezes seu antigo salário. ?Estou feliz com minha situação e de total acordo com a iniciativa do Corinthians de segurar seus atletas por longo período, pois estamos num grande clube?, disse o jogador.Cada garoto passará a ganhar remunerações mais gordas, de acordo com seu rendimento. Quem for mais utilizado no time principal, receberá mais na renovação. ?O Corinthians usa o critério da produtividade. Foi por isso que demoramos para renovar o novo acordo com o Coelho. Houve divergência de entendimento, mas não cedemos nos nossos critérios?, disse Angioni. ?Os atletas começam a se acostumar com isso. Alguns ainda reclamam e se acham injustiçados, mas certamente por esse nosso critério um dia vamos pagar o que eles almejam.?A iniciativa do Corinthians não tem qualquer caráter beneficente. Tudo é negócio. A Lei Pelé faz com que os contratos dos atletas comecem a ser costurados com antecedência de até um ano do seu término, sob o risco de perder jogadores sem ganhar nada. O Corinthians viu o atacante Abuda se transferir para a Alemanha sem ganhar um único tostão. Seu contrato venceu e ele simplesmente foi embora.O clube não pretende repetir o erro. Prefere correr o risco aumentando o tempo de contrato e de salário de sua garotada. ?Essa é a solução mais acertada, sobretudo porque o Corinthians hoje forma muitos bons jogadores. A safra é excelente.? E começa a dar frutos. O atacante Jô já foi vendido para um grupo de empresários de Portugal por R$ 12 milhões. O Corinthians não conta com o jogador para 2006.Do elenco de 2005, há quatro atletas com o vínculo que termina no fim de dezembro: Fábio Costa, Jonatas, Thiago e Marcelo. ?Estamos, portanto, tranqüilos. Temos praticamente um time inteiro com contrato feito?, ressalta Angioni.A produtividade dos jogadores também será fundamental para colocá-los na escala salarial da MSI. Angioni trabalha no clube como se estivesse no comando de uma grande empresa, na qual cada funcionário está dentro de uma faixa salarial e seu deslocamento (entenda-se aumento no final do mês) depende do que ele fizer de bom na firma. Será assim na Fazendinha com as ?pratas da casa?. ?É claro que não dá para fazer isso com os atletas repatriados ou encontrados no mercado, pois esses têm em seus acordos valores de conquista.??Não há ciumeira de ninguém. Cada um ganha aqui o que merece pelo que já fez?, disse Nilmar.

Agencia Estado,

01 de dezembro de 2005 | 09h22

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.