Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Mudança no estatuto da CBF será um pequeno avanço para os clubes

Entidade deve aprovar duas alterações importantes nesta quinta

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 10h06

A CBF deverá aprovar nesta quinta-feira pelo menos duas mudanças importantes em seu estatuto. Uma delas diz respeito à alteração na forma de sucessão à presidência da entidade em caso de vacância do cargo. A outra dará mais poderes aos clubes na organização de campeonatos. Os temas serão debatidos pelos presidentes das 27 federações estaduais durante assembleia geral extraordinária convocada pela entidade.

Inicialmente, o encontro serviria apenas para referendar a intenção de Marco Polo Del Nero de retirar do vice-presidente mais velho da CBF - atualmente Delfim Pádua Peixoto Filho, presidente da federação catarinense - o direito de assumir o comando da entidade no caso de seu afastamento. Mas, na segunda-feira, os presidentes de clubes da Série A pressionaram a CBF para incluir na reforma do estatuto a retirada de um artigo que dá à entidade o direito de vetar as decisões dos conselhos de clubes.

A proposta deverá ser aceita na assembleia desta quinta, uma vez que os clubes ameaçam se rebelar contra a entidade caso isso não aconteça. A mudança permitirá que os times estabeleçam as regras das competições nacionais, incluindo fórmula de disputa e calendário.

"É um avanço, sem dúvida, pois é o reconhecimento de que cabe aos clubes decidir sobre os campeonatos que disputam", pondera Pedro Trengrouse, coordenador do curso Fifa/FGV em Gestão, Marketing e Direito no Esporte. "Mas é apenas um começo. Será preciso um próximo passo."

O passo seguinte, na avaliação de Trengrouse, é incluir a participação dos clubes na própria assembleia geral da CBF. "Não parece um paradoxo que essa decisão que trata dos clubes seja votada apenas pelas federações?", questiona.

CAMPEONATOS 

Caso a reforma no estatuto seja aprovada e a CBF retire do documento seu poder de veto sobre as decisões dos conselhos arbitrais, os clubes terão o poder de decidir tudo que diz respeito à organização de campeonatos no País, desde a fórmula de disputa, questões de acesso e descenso, horários dos jogos e calendário. Mas isso não transformaria o Brasileirão em uma liga independente.

"Essa independência é relativa. O sistema esportivo não permite que ela seja total", afirma Rogério Pimenta, professor de Gestão do Esporte da Trevisan Escola de Negócios. Ele lembra que, no futebol, o sistema esportivo é regido a partir da Fifa, e caso os clubes brasileiros não se submetam à CBF - ligada à entidade máxima do futebol -, eles poderiam ficar alijados de disputas oficiais, como Libertadores da América ou Mundial de Clubes.

Trengrouse vai na mesma linha. "É bom dizer que não há conflito entre liga e federação", sustenta. "No mundo inteiro, o único membro permanente das ligas é a federação nacional." Por isso, a mudança que deverá ser aprovada hoje é vista com cautela.

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