Natacha Pisarenko/AP
Natacha Pisarenko/AP

'Nova' Libertadores enfraquece Estaduais

Dirigentes dos clubes da Série A comentam sobre mudanças na competição continental

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2016 | 08h00

As mudanças para a próxima edição da Copa Libertadores agitam os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro. O fato de ter mais vagas para os times do Brasil e o torneio continental ocorrer entre fevereiro e novembro exigem alterações no planejamento das equipes. 

O Estado entrou em contato com os 20 clubes da Série A no começo do mês e 14 deles responderam o que acharam da “nova competição” e deram sugestões de mudanças. Casos de Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, Flamengo, Grêmio, Inter, Cruzeiro, América-MG, Chapecoense, Coritiba, Vitória e Sport. O Fluminense disse que, por causa das eleições no clube, não responderiam os questionamentos.

A opinião entre os dirigentes é divergente. A maioria acho positivo o aumento no número de classificados - passou de cinco para sete clubes -, mas divergem sobre a possibilidade de aumentar o número de atletas para suportar a temporada - a Libertadores será disputada entre fevereiro e novembro. Todos entendem que os campeonatos estaduais correm ainda mais perigo de serem banalizados. 

“O Brasileirão tende a ficar melhor, pois serão mais times brigando por coisas importantes. Já os estaduais, de fato, precisarão ser reavaliados”, disse Roberto de Andrade, presidente do Corinthians. “O Campeonato Gaúcho vem sofrendo um empobrecimento. O ideal seria que Grêmio e Inter entrassem na reta final”, sugeriu o vice-presidente do Conselho de Administração do Grêmio, Odorico Roman. 

Nesta semana, representantes de alguns clubes brasileiros fizeram uma nova reunião com membros da Conmebol para discutir os temas, entre eles, o presidente do Santos, Modesto Roma. 

“Precisamos discutir a questão da remuneração. O Paulista mudou para 16 clubes e é um torneio bem rentável”, disse, lembrando que o estadual paga valores próximos ao campeão continental. 

Somando premiações e cota de TV, o Atlético Nacional recebeu US$ 7,75 milhões (R$ 24,7 milhões) pelo título neste ano. O Santos, campeão paulista, ganhou R$ 21 milhões. Até 2015, o estadual pagava mais do que a Libertadores. Existe ainda o temor de que os clubes mais ricos acabem aproveitando ainda mais essa disparidade. 

“Essa alteração resultará em um incentivo extra aos clubes e, em alguns casos, deverá ter o aumento no elenco, mas dependerá da realidade de cada agremiação”, disse o presidente do Palmeiras, Paulo Nobre. Quem também faz alerta parecido é o vice-presidente de futebol da Chapecoense, Maurinho Stumpf. “Os clubes em boa condição financeira devem levar mais vantagem ainda.”

Já Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo, alerta para a necessidade dos clubes terem um prazo maior para adaptação. “Existem contratos com jogadores, por exemplo, que foram definidos para acabar após a Libertadores e, com essa mudança, causa um problema.”

O diretor executivo do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, vê justiça com as mudanças. “Temos que ter mais representantes mesmo, assim como a Argentina, que tem um futebol forte”, ponderou.

Há também quem acredite que as alterações não devem causar grandes mudanças. “Não vejo necessidade de aumentar o número de jogadores. Cada time vai fazer dois jogos por mês, no máximo”, minimizou Vitório Piffero, presidente do Inter.

Além dos estaduais, a Copa do Nordeste também pode ser prejudicada. “É um campeonato respeitado e que precisa ser adequada para manter a importância dele”, destacou Manoel Matos, vice-presidente do Vitória.

Notícias relacionadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.