Marco Bertorello/AFP
Marco Bertorello/AFP

Mulheres começam a atingir novos patamares no futebol

Com mais recursos, atenção e participação, esporte parece ter chegado a um momento decisivo agora em 2019

Steve Goff, Washington Post

28 de março de 2019 | 04h30

Embora a Copa do Mundo de Futebol Feminino não esteja no centro das atenções até junho, a esquadra feminina do futebol vem conseguindo manchetes em vários aspectos e não apenas por causa do próximo torneio na França ou de ações judiciais reivindicando direitos iguais. Na longa luta para ser aceito num esporte dominado pelos homens, o futebol feminino tradicionalmente chama atenção durante dois grandes eventos, a Copa do Mundo e a Olimpíada, e pouca coisa mais.

Devido à indiferença, desprezo e preconceitos, os anos marcados por pouca atividade não ecoaram além da bolha do esporte. Mas, com mais recursos, atenção e participação, o futebol feminino parece ter chegado a um momento decisivo agora em 2019. As coisas estão mudando no esporte que consagrou a brasileira Marta como a maior do mundo – ela foi eleita seis vezes a melhor jogadora do planeta pela Fifa.

No último domingo, 39.027 torcedores foram ao Juventus Stadium, em Turim, assistir à vitória da equipe feminina da Juve sobre a Fiorentina por 1 a 0. Uma semana antes, o Atlético de Madrid estabeleceu novo recorde mundial de público para o futebol feminino, quando 60.739 pessoas pagaram ingresso para assistir ao jogo da equipe contra o Barcelona pelo Campeonato Espanhol. Em janeiro, o Athletic Bilbao levou 48.121 espectadores para um jogo da Copa da Espanha. Estas são exceções, não a regra. Mas especialmente nos países onde o futebol é tradição, é uma mostra de que o público está presente.

O maior número de candidatos potenciais (nove) para sediar a Copa do Mundo Feminina em 2023 surpreendeu. Os países favoritos são Austrália e Japão. A candidatura potencial mais interessante é a da Coreia unificada. Outros concorrentes são Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Nova Zelândia e África do Sul. As propostas formais serão apresentadas em 16 de abril. A Fifa pretende indicar o país vencedor em março.

A Barclay’s, empresa patrocinadora da Premier League, firmou um contrato multimilionário de três anos com a Associação Inglesa de Futebol para patrocinar a Super Liga Feminina. Este é maior patrocínio corporativo no âmbito do futebol feminino no Reino Unido. A Super Liga Feminina contará com 11 equipes, incluindo as do Arsenal, Manchester City e Chelsea. Os organizadores da International Champions Cup, campeonato americano de clubes masculinos de elite, incluirão um torneio feminino pelo segundo ano consecutivo e no futuro pensam dobrar o número de equipes para oito.

O Bordeaux está tentando se impor sobre os poderosos esquadrões europeus femininos do Olympique Lyonnais e Paris Saint-Germain. Além disso, o time foi para os Estados Unidos na semana passada para amistosos contra o St. John’s University e o Washington Sprint. O jogo feminino também vem tendo aceitação do lado escuro da cultura do futebol. Cerca de 50 torcedores do Paris Saint-Germain foram impedidos de assistir ao jogo da Liga dos Campeões Feminina da Uefa contra o Chelsea, em Londres, depois que as autoridades encontraram bombas em seu ônibus. E atos de vandalismo no estádio londrino também foram reportados.

A técnica do Chelsea Emma Hayes disse que “é preciso lembrar que o jogo feminino vem progredindo, que os torcedores estão acompanhando e com isso tem de ter o mesmo nível de controle”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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