Mulheres de técnicos trocam a vida profissional para administrar o lar

Filhos e rotina da casa são principais argumentos para deixar de trabalhar fora

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2013 | 08h29

SÃO PAULO - As mulheres dos treinadores colocaram o termo "feminismo" na gaveta da cômoda. Realizando um movimento contrário ao da maioria das mulheres, que trocou o avental pelo uniforme de trabalho, a pia pela mesa do escritório, elas abdicaram das carreiras profissionais para cuidar da família. Falam da escolha numa boa, sem rancores ou lamúrias. Todas as esposas ouvidas pelo Estado "administram o lar" com prazer, como definiu a companheira de Muricy.

"As mulheres tentam preencher o vazio deixado pelo marido dentro de casa e fazem opção pela configuração tradicional da família", diz o psicólogo do esporte Rodrigo Scialfa Falcão. "Obviamente, elas estão amparadas pela boa condição financeira proporcionada pelo futebol", completa ele.

Déa, por exemplo, é formada em dança, mas decidiu se dedicar à família depois que nasceu a filha, Eloá, hoje com quatro anos. "Antes eu sentia falta da dança. Hoje, sinto menos, mas se eu encontrar uma escola por perto, volto a fazer aulas." Roseli abandonou a carreira de secretária lá atrás, no começo do casamento, atendendo a um pedido de Muricy, mas não se arrepende. "Tenho um cotidiano agitado. Cuido de tudo o que você imagina."

Formada em Farmácia pela Universidade Federal de Minas Gerais, Hérika também exerceu a profissão até o nascimento do Felipe, o primeiro filho do casal (depois, veio a Eduarda). Mas, só para contrariar essa tese do feminismo às avessas, ela está estudando e quer voltar a trabalhar assim que os pimpolhos crescerem um pouco.

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