Jamshid Ayrami / AP
Jamshid Ayrami / AP

Mulheres poderão acompanhar jogo da seleção iraniana no estádio

País proíbe entrada do gênero feminino nas partidas de futebol desde 1979; protestos eram comuns

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2019 | 15h21

Torcedoras iranianas poderão assistir a uma partida da seleção do país no estádio em outubro, quando o Irã enfrenta o Camboja pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo 2022, no estádio Azadi, em Teerã. As mulheres iranianas estavam proibidas de entrar nas arenas para jogos masculinos desde 1979, quando ocorreu a Revolução Islâmica no país.

Nos últimos anos, mulheres têm protestado pelo direito de acompanhar o esporte. Algumas chegam a se fantasiar de homens para entrar nas arenas, usando barbas e perucas falsas. Em junho deste ano, torcedoras foram agredidas por seguranças e duas foram detidas após conseguirem comprar ingressos para a partida amistosa entre Irã e Síria. No ano passado, 35 foram sido presas por entrar no Azadi para acompanhar o clássico entre Persépolis e Esteghlal.

As iranianas também demonstraram a paixão pelo esporte em outras ocasiões. Cerca de cinco mil foram ao Azadi para recepcionar a seleção do país em 1997, após a classificação para a Copa do Mundo da França. Outras tentaram entrar na arena durante a visita do presidente da Fifa, Gianni Infantino, em março de 2018, quando o cartola não falou sobre a segregação publicamente.

E, em eventos fora do Irã, as iranianas marcaram presença nos estádios, embora tomem precauções para que suas famílias não sofram represálias. Na Copa do Mundo da Rússia, em 2018, muitas fãs do futebol conseguiram realizar o sonho de acompanhar a seleção pela primeira vez. Agora, terão a chance de fazer isso em território iraniano.

"As mulheres poderão ir ao Azadi, em Teerã, para assistir a partida entre a seleção nacional do Irã e o Camboja em outubro para a Eliminatória da Copa do Mundo do Catar. Não há proibição legal para as mulheres assistirem aos jogos de futebol no estádio. A ativação da infraestrutura está andamento", afirmou Jamshid Taghizadeh, vice-ministro de esportes do país, segundo a agência de notícias Irna.

A justificativa oficial do regime era que o ambiente do estádio era inadequado para famílias e mulheres por causa do ambiente grosseiro e dos palavrões. Mas, com os protestos, e com nações rivais como a Arábia Saudita permitindo que mulheres possam acompanhar jogos de futebol, finalmente as iranianas poderão torcer.

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