Nuno Guimarães/Frame
Givanildo não trabalhou em grandes clubes do eixo Rio-São Paulo Nuno Guimarães/Frame

Multicampeão, técnico Givanildo reclama de preconceito

Campeão com o América-MG quer mais chances para o Nordeste

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2016 | 17h00

O título mineiro com o América foi o 14.º estadual do técnico Givanildo Oliveira. Se forem considerados os troféus como jogador, o número sobe para 24. Conhecido como “Rei do Acesso”, esse pernambucano de Olinda ainda não tem no currículo um trabalho em um grande clube do eixo Rio-São Paulo ou na região Sul. Teve apenas duas passagens pela Ponte Preta. O motivo, na opinião dele, é um só: preconceito. “Infelizmente, ainda existe preconceito em relação aos treinadores do Nordeste", diz o treinador de 67 anos. “O Sul do País deveria olhar com mais cuidado para os profissionais de outras regiões.”

Só o último feito de Givanildo já justificaria um olhar mais atento dos dirigentes. Depois de um início cambaleante, no qual chegou a ser criticado, o América Mineiro derrubou os gigantes Cruzeiro e Atlético antes de conseguir seu primeiro título estadual depois de 15 anos. Foi o 16º título mineiro do América. “Esse título representou muito pela maneira como foi conquistado. Já tenho vários títulos estaduais, sempre no Norte e Nordeste, e encerramos um jejum de 15 anos. Tudo isso fez com que a alegria e o prazer fossem maiores”.

Durante todo o campeonato, Givanildo ficou sem jogadores importantes, como Tony, Osman, Tiago Luis e Jonas. O divisor de águas na campanha foi uma partida contra o Uberlândia. Ainda na fase de classificação, o time não vencia havia cinco jogos. “A gente não podia nem empatar. Ganhamos, e foi ali que o time começou a acreditar que dava para ser campeão”.

Na estrada desde 1983, Givanildo comandou o Paysandu na vitoriosa campanha da Copa dos Campeões de 2002, que credenciou o Papão à Libertadores da América de 2003, feito inédito até hoje entre times da região Norte. Ele é chamado de “Rei do Acesso” por ter passado de uma divisão a outra em seis vezes com América (1997, 2009 e 2015), Paysandu (2001), Santa Cruz (2005) e Sport (2006). Parênteses: o título do América da Série B de 1997 é considerado o mais importante da história do time mineiro.

Obviamente, Givanildo acumulou trabalhos que não deram certo. Em uma das poucas oportunidades no sul do País, quando dirigiu o Atlético Paranaense em 2006, ele somou apenas 12 jogos com quatro vitórias, dois empates e seis derrotas. Um aproveitamento de apenas 33%. Foi demitido do mesmo América depois de uma sequência de três derrotas seguidas em 2012. Acha que o treinador está sempre ameaçado no cargo. “É a cultura do futebol brasileiro”, conforma-se.

Depois de tantas idas e vindas em 22 clubes diferentes, o pernambucano achou um jeito simples para resumir sua carreira. “O trabalho é necessário, isso em qualquer carreira. Também é importante ter seriedade. Quem não é sério acaba se ferrando. É fundamental ter um grupo bom, um grupo forte. Quem entra tem de dar conta do recado”, afirma.

Givanildo tem um estilo bem direto e objetivo, não enrola para responder, não fica dourando cada palavra. Pessoas mais próximas afirmam que é caladão e não gosta muito de papo. Quando questionado sobre uma autodefinição, ele só fala do lado profissional.

“É difícil falar. Acho que o mais gosto no meu trabalho é o jeito que eu tenho para unir o grupo, juntar os jogadores. Isso sempre aconteceu nos clubes em que passei”.

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