Suhaib Salem/Reuters
Suhaib Salem/Reuters

Mundial de Clubes reúne Palmeiras focado, Chelsea desinteressado e time amador do Taiti

Torneio disputado em Abu Dabi começa nesta quinta com o duelo entre Al Jazira e Pirae 

Ricardo Magatti, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2022 | 05h00

O Mundial de Clubes 2021 começa nesta quinta-feira em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos, com a presença de Palmeiras, Chelsea e outro cinco times, todos aspirantes ao título inédito. Essa edição do torneio da Fifa deveria ser realizada no fim do ano passado, mas foi empurrada para o início de 2022 por problemas no calendário do futebol mundial provocados pela pandemia de covid-19. 

O Mundial de Clubes seria disputado no Japão, mas o país asiático desistiu de ser sede da competição em virtude do temor do agravamento da pandemia de covid-19. Os Emirados Árabes Unidos, junção de sete pequenos emirados situados na península Arábica, no Golfo Pérsico, então, aceitaram receber o torneio pela quinta vez. A nação é próxima ao Catar, sede da Copa do Mundo de 2022. 

A competição é disputada no atual formato desde 2000, quando a Fifa organizou a edição no Brasil. Houve uma interrupção entre 2001 e 2005, e entidade só voltou a organizar uma edição em 2005, no Japão. Desde então, o modelo de disputa tem sido mantido. Apenas participam do evento os campeões continentais daquela temporada. Europeus e sul-americanos entram somente nas semifinais.

O certame é aberto nesta quinta-feira, às 13h30 (de Brasília), com o duelo entre o Al Jazira, representante do país-sede, e o modesto Pirae, equipe do Taiti composta em sua maioria por atletas amadores. Quem vencer vai às quartas de final e enfrenta o Al Hilal, da Arábia Saudita. O vencedor desta partida encara o poderoso Chelsea, atual campeão europeu. 

O Pirae é o representante da Oceania e substitui o Auckland City na competição em razão das restrições impostas pelo governo da Nova Zelândia para frear a pandemia do novo coronavírus. O Auckland é o atual campeão da Liga dos Campeões da Oceania e abortou pela segunda vez seguida o plano de disputar o torneio. A Fifa, então, convidou o Pirae, e o decacampeão taitiano aceitou.

O time do Taiti, maior ilha da Polinésia Francesa, tem um elenco recheado de atletas amadores. O atacante Rooarii Tinirauarii foi missionário da África e hoje é policial. Teve de escrever uma carta endereçada aos seus superiores pedindo permissão para defender o Pirae em Abu Dabi.  

"Somos amadores. Todos nós temos empregos (diurnos). Só descobrimos no Natal que isso poderia estar acontecendo. Foi uma sensação de pura euforia, estar indo para o Mundial de Clubes, pensar que meu nome estará no elenco junto com Kanté, Thiago Silva e Lukaku", disse Tinirauarii à Fifa.

Tinirauarii temia que seu chefe não o liberasse para disputar o torneio, mas ouviu que ele representa "todos os policiais no Taiti". Ele é sobrinho do treinador do time, Naea Bennett, e neto de Errol Bennett, dois dos maiores jogadores da história da Polinésia Francesa. O atacante começou sua trajetória no futebol amador inspirado em Ronaldo Fenômeno, seu ídolo. 

"Costumava fingir que era Ronaldo quando brincava com meus amigos. Mas quando fiquei mais velho percebi o quão difícil seria me tornar um jogador de futebol profissional vindo de uma pequena ilha onde você não tem tantas oportunidades", afirmou. Jogar o Mundial, representando missionário e policiais, é ainda inacreditável para o atleta. "Nosso povo está muito orgulhoso. Esta é uma oportunidade incrível de representar o Taiti".

Caminho do Palmeiras

Do outro lado da chave, o Palmeiras, assim como o Chelsea, entra direto na semifinal e aguarda seu rival, que será Al Ahly, do Egito, ou Monterrey, do México. Se o Chelsea dá de ombros para a competição, bem como a maioria das outras agremiações europeias, o time de Abel Ferreira trata o torneio com grande importância. "Temos o campeonato mais importante da história do clube. Esperamos que a gente possa voltar com título que a gente sonha e a torcida também", afirmou Dudu.

A estreia do atual campeão da Libertadores está marcada para a próxima terça-feira, dia 8, às 13h30 (de Brasília). É possível que mais uma vez esteja um mexicano no caminho do Palmeiras. No ano passado, a equipe alviverde sucumbiu na semifinal ao perder por 1 a 0 para o Tigres. Depois, foi superada nos pênaltis pelo Al Ahly e fechou a competição em quarto, com a pior campanha na história dos representantes da América do Sul. 

A delegação palmeirense chega nesta quinta a Abu Dabi sem Gabriel Veron e Piquerez, contaminados pela covid-19. Os atletas deixaram na quarta a Academia de Futebol nos braços dos torcedores, que se aglomeraram em frente ao CT para se despedir do elenco. 

O último brasileiro a levantar a taça do Mundial foi o Corinthians, em 2012, ao ganhar na decisão justamente do Chelsea. A equipe londrina busca seu primeiro troféu, embora não valorize o torneio. "Está 0% na minha cabeça", disse o técnico Tomas Tuchel no fim do ano passado. Duas semanas atrás, o treinador alemão mudou o discurso e afirmou estar animado com a participação de sua equipe em Abu Dabi. "Tenho que dizer que, quando você está dentro, você fica bem empolgado".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.