Muñoz cai nas graças de Luxemburgo

Pouco afeito a elogiar individualmente os jogadores que comanda, o treinador Vanderlei Luxemburgo abriu uma exceção. Nesta quarta-feira, citou que o atacante Muñoz é o atleta que mais evoluiu entre todos que fazem parte do elenco do Palmeiras. Em tom sério, lembrou que o colombiano, ao reapresentar-se das férias em janeiro, mais parecia um baixinho gordinho do que um jogador de futebol. "Hoje continua sendo baixinho, porém extremamente rápido".Ao ser informado sobre o comentário feito pelo treinador, Muñoz manteve-se imóvel, como se não acreditasse. Mas alguns segundos depois relembrou dos sete quilos acima do peso normal que exibia no início do ano. "Aquela época foi muito complicada, mas eu tinha que tomar uma decisão na minha vida. Ou me enquadrava ou ia embora do clube".O atacante confessa que foi obrigado a adaptar-se muito rapidamente ao profissionalismo exigido pelos clubes do futebol brasileiro. "Na Colômbia, não existia tanta preocupação em relação ao meu peso. Sempre joguei bem menos magro do que agora. Os preparadores físicos de lá valorizavam a minha força de arranque, a minha velocidade. Só que era muito difícil eu terminar uma partida, normalmente pedia para sair no segundo tempo devido ao cansaço". Walmir Cruz, preparador físico do Palmeiras, lembra que hoje Muñoz é o jogador mais rápido do time, ao lado do meia Juninho. "Nos testes de velocidade de 60 metros é insuperável. Mas foi preciso que desenvolvêssemos um trabalho específico com ele porque ao se apresentar aqui estava não apenas sem o condicionamento ideal como também com uma contusão no tornozelo".Embora o Palmeiras conte em seu departamento de futebol com um nutricionista, Muñoz foi buscar um profissional de sua confiança fora do Parque Antártica. Paralelamente, iniciou um trabalho de base com sessões de musculação praticamente diárias. "Deve-se creditar a sua boa forma atual ao seu biotipo. Trata-se de um jogador leve", complementa Cruz.O jogador passou a abrir mão de alguns prazeres. Churrascadas com os amigos tornaram-se raras. Sobremesas também foram cortadas de seu cardápio. "Comecei a aparecer na Academia de Futebol com aminoácidos. Ninguém entendia nada, até de louco eu fui chamado. Mas minha taxa de gordura estava alta, tinha que diminuir", destaca o colombiano.Nem mesmo o desentendimento que teve com Luxemburgo por ter entrado em campo em uma partida contra o ASA em Arapiraca, pela Copa do Brasil, sem ouvir as instruções do treinador diminuiu seu ânimo. "Jamais pensei em deixar o Palmeiras. A torcida gostava de mim, e precisava justificar minha contratação. Eu juro que não fiz aquilo por mal. Com certeza houve falha de comunicação, só isso".O jogador revela que sofreu nas duas primeiras semanas de tratamento com o nutricionista. "Tinha o costume de abrir a geladeira a cada três horas. Tudo isso acabou de uma hora para outra. Mas hoje vejo que o esforço não foi em vão, consigo correr o jogo inteiro". Nesta Copa dos Campeões, Muñoz reconquistou a condição de titular. Barrou Itamar, jogador trazido pelo próprio Luxemburgo no início do ano. Mais do que servir como uma referência para o time, demonstra espírito de grupo quando fala sobre a boa campanha que o Palmeiras vem realizando na Copa dos Campeões, com duas vitórias e um empate em três jogos. "Sei que tenho que marcar sempre. O futebol está nivelado, e normalmente o time que corre mais acaba vencendo".

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