Muricy decide ficar no Internacional

O técnico Muricy Ramalho acabou com o mistério e confirmou nesta quinta-feira que fica no Internacional até dezembro deste ano, conforme acordo que tem com o clube. E para não deixar dúvida, comandou um treinamento no gramado suplementar do estádio Beira-Rio. Muricy deu a entender que seus valores pessoais pesaram muito na decisão de recusar a oferta do Palmeiras, que estaria disposto a dobrar o salário de cerca de R$ 70 mil que ganha no Internacional."No futebol isso vale pouco, mas para mim vale muito", justificou, referindo-se às diversas vezes que optou por cumprir os contratos, inclusive algumas em que se deu mal, como no São Caetano, no ano passado, quando rejeitou um convite do Corinthians e foi demitido 15 dias depois. Razões para ir para São Paulo Muricy teria de sobra. Ele sempre diz que quer ficar perto da família. Também estaria num clube que disputa a Libertadores. "E meu pai era palmeirense", complementou.Muricy disse que a atitude de conversar com a família e seu procurador, Márcio Rivellino, antes de tomar a decisão, visto como um sinal de que poderia mudar de clube, não foi inédita. "Isso sempre ocorre, mas desta vez vazou", explicou. "Eu não pude falar antes com eles porque estava concentrado no jogo de quarta-feira (contra o Chapadão)". A demora de Muricy fez a imprensa acreditar que desta vez ele diria sim a um convite em meio a um contrato.Não é a primeira vez Muricy fica na mira de clubes paulistas. No ano passado, uma semana depois de assinar com o Internacional, o técnico foi cotado para assumir o São Paulo, que estava demitindo Cuca. Quando Tite ameaçou largar o Corinthians, em dezembro, Muricy foi lembrado de novo. Na última semana de 2004, já comprometido com o Internacional, perdeu a chance de dirigir o Santos, de onde Vanderlei Luxemburgo havia saído para assumir o Real Madrid. E agora foi a vez de recusar um convite do Palmeiras.Enquanto o convite para voltar a São Paulo não chegar na hora certa, Muricy, por suas atitudes, vai aumentando seus vínculos com o Internacional. Mesmo que ainda não tenha vencido uma partida das cinco que disputou pelo Campeonato Gaúcho, teve seu nome gritado em coro, com o pedido de "fica" pela torcida que assistiu o jogo contra o Chapadão, pela Copa do Brasil e, segundo repórteres de rádios que estavam perto da casamata, teve de enxugar duas lágrimas teimosas. Parecia uma despedida, mas era o coração dividido entre a volta aos campos paulistas e um amor que parece longe de acabar.

Agencia Estado,

17 de fevereiro de 2005 | 19h46

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