Muricy exalta liderança de Ceni e vê time sem confiança

Apresentado oficialmente nesta terça-feira como novo técnico do São Paulo, Muricy Ramalho fez elogios a Rogério Ceni, um velho conhecido seu, das passagens anteriores pelo clube. O treinador deu a entender que o goleiro seguirá como batedor de pênaltis do time, mesmo que tenha desperdiçado as últimas três cobranças, e garantiu que o ídolo são-paulino está em grande fase embaixo das traves.

FERNANDO FARO, Agência Estado

10 de setembro de 2013 | 14h29

"Uma coisa muito importante no futebol é o treinamento. Preciso ver como ele está, se estiver bem vai bater. Mas isso vai ser combinado antes, não tem esse negócio de ''vamos lá''. Vi o jogo do São Paulo nesse fim de semana, estou vendo as cobranças, vou falar com ele. Mas só se fala nos pênaltis e falta, mas ninguém olha o que ele está agarrando de bola, que é a função dele", disse.

Muricy também declarou que há muito folclore em relação ao poder de Rogério Ceni no São Paulo e avaliou o goleiro como uma boa influência. "Conheço o Rogério desde garoto, fui o primeiro treinador que ele fez gol de falta e conheço a personalidade dele. É muito profissional e não é ídolo por acaso, mas há muito exagero nessa questão de dizer que ele tem muita influência no São Paulo, que ele resolve as coisas", afirmou.

Para Muricy, o seu primeiro trabalho no São Paulo será recuperar a confiança do elenco, abalada pela série de resultados negativos no Campeonato Brasileiro. "O que mais preocupa é a insegurança de todos, especialmente dos atletas. Ninguém tem experiência pra sair dessa situação aqui, ninguém sabe o remédio. Não posso me preocupar agora com todos os problemas, preciso me preocupar com a quinta-feira. Tem que ser pouco a pouco. Se for só na pilha, na loucura, não se chega a lugar nenhum", comentou.

O novo técnico do São Paulo explicou que utilizou o esquema tático 3-5-2 na passagem anterior pelo clube por causa da falta de meias no elenco, escassez que não existe nesse momento. Assim, praticamente descartou a possibilidade de escalar o time com três zagueiros.

"É por isso (falta de meias) que a gente usava o sistema com três zagueiros, hoje o São Paulo tem o 10 e o 8, porque o Ganso chegou pra armar o time com o Jadson. Ele é especialista nisso, mas claro que algumas coisas ele tem que entender e melhorar, já dizia pra ele no Santos que ele precisava entrar na área, mas é difícil porque ele acha que dar um passe é mais importante que fazer um gol. Mas é importante demais, vamos utilizá-lo bastante", disse.

Apesar dos elogios a Paulo Henrique Ganso, a quem comandou na sua passagem pelo Santos, e Jadson, Muricy evitou adiantar se pretende escalar os dois meias juntos. "Hoje os grandes meias são os volantes, porque todo mundo está jogando com dois pontas. Quem arma os times não são mais os camisas 10 e 8, são os volantes, por isso que está acabando essa coisa de volante marcador. Mas tem esse meia de ligação que é o enganche, que aqui é Jadson e o Ganso. Tem hora que dá pra jogar com os dois, vai de acordo com o time que vamos enfrentar e com os jogadores que tivermos", explicou.

De volta ao clube onde atuou jogador e teve passagem vitoriosa como auxiliar de Telê Santana na década de 1990, antes de virar o treinador tricampeão brasileiro entre 2006 e 2008, Muricy retorna ao São Paulo para tentar evitar o rebaixamento do time para a Série B.

O time ocupa a 18ª colocação no Campeonato Brasileiro, com 18 pontos somados em 19 jogos, e volta a entrar em campo na próxima quinta-feira, na reestreia de Muricy no comando da equipe, quando o São Paulo vai receber a Ponte Preta no Estádio do Morumbi.

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