Muricy lamenta saída, mas deseja sorte a Ganso

Muricy Ramalho exibiu um misto de tristeza e conformismo ao comentar, nesta sexta-feira, a contratação de Paulo Henrique Ganso pelo São Paulo. Por um lado o técnico lamentou a saída do meia do Santos, pois o considera um jogador raro no futebol brasileiro, mas ao mesmo tempo admitiu que o atleta fez uma boa escolha ao aceitar a proposta são-paulina, pois desejava atuar pela equipe do Morumbi, onde trabalhará em um clube que o atual comandante santista conhece como poucos.

SANCHES FILHO, Agência Estado

21 de setembro de 2012 | 13h13

Ex-jogador e treinador vitorioso pelo São Paulo, Muricy causou até certa irritação a alguns presentes na entrevista coletiva que deu no CT Rei Pelé ao enfatizar que o São Paulo é um "clube grande", que oferece as mesmas condições de trabalho proporcionadas pelo Santos. E o técnico deixou claro que o sucesso de Ganso no time paulistano dependerá apenas de uma questão de adaptação.

"O Ganso é o único diferente do nosso time, no nosso elenco não tem ninguém parecido com ele. A chance dele ir muito bem no São Paulo passa por ele se recuperar fisicamente porque vai ter de estar fisicamente sempre bem para jogar em alto nível. A princípio vai ter dificuldade, mas se estiver bem o sucesso vem em seguida", disse Muricy, lembrando que o meio-campista está em fase de recuperação de uma lesão muscular na coxa e ainda terá de esperar um pouco para poder atuar com a camisa são-paulina.

Muricy voltou a dizer nesta sexta-feira que os clubes não conseguem segurar os jogadores atualmente se a vontade dos mesmos for a de ir embora, diferentemente do que acontecia em sua época de atleta. "O Ganso é um grande jogador, mas, como eu disse antes, lá atrás, quem decide hoje as coisas, onde o jogador vai jogar, é o jogador, porque a lei é assim. No meu tempo era totalmente diferente e a gente era obrigado a permanecer no clube, porque a legislação era diferente", pontuou.

Em seguida, o comandante reconheceu que o jogador ao menos realizará o seu desejo pessoal, embora o Santos tenha lutado pela permanência do atleta. "No caso do Ganso a coisa se encaminhou para acontecer da forma que ele queria. O bom disso tudo é que ele foi para um grande clube. Isso é importante, pois ele vai ter as mesmas condições que tinha aqui, e lá tem uma estrutura ótima para se recuperar da contusão que ele tem para poder voltar a jogar", disse.

Entretanto, Muricy lembrou que o São Paulo é um clube que tem uma filosofia diferente da do Santos e onde a cobrança é sempre grande, até pelo fato de que a estrutura do time é considerada de referência no Brasil. No Santos, embora seguisse sendo cobrado por boas atuações pelos torcedores, já carrega consigo a condição de um jogador consagrado com a camisa do time.

"Os clubes têm suas diferenças, não são iguais, cada um tem a sua mentalidade e o Ganso vai ter que se adaptar. O São Paulo não é igual ao Santos, é diferente. Uma das dificuldades que ele terá é porque é a primeira vez que muda de clube, e ele vai sentir no começo. Mas, como o São Paulo é um clube que tem toda a estrutura, ele não vai ter nenhum problema depois de se adaptar às normas do clube, que são diferentes. O ambiente é ótimo e a comissão técnica deixa o jogador à vontade, mas sempre cobra resposta do jogador", enfatizou.

Muricy ainda mostrou conformismo com a saída de Ganso, tendo em vista o fato de que o Santos lutou até onde podia para segurar o atleta, mas acabou não tendo sucesso, até pelo desejo do mesmo de deixar a Vila Belmiro. "A diretoria fez de tudo para que o jogador permanecesse, mas chegaram propostas altas. Existem várias coisas no futebol que não são de conhecimento geral, e existem interesses de terceiros. Hoje não é mais essa relação só entre clube e jogador, no meu tempo era eu e o clube, hoje não é mais essa relação... O futebol se transformou em negócio. Em uma negociação cada um quer levar o melhor", resignou-se.

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