Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Muricy se oferece para ensinar Ceni caso o goleiro opte por ser treinador

Comandante do São Paulo espera fazer do atleta um técnico de futebol, assim como aprendeu com Telê Santana

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2013 | 07h18

SÃO PAULO - Muricy Ramalho tem dúvidas sobre a aposentadoria do goleiro Rogério Ceni no final do ano, mas caso realmente aconteça, o treinador já se colocou à disposição de seu capitão no São Paulo para ajudá-lo numa futura carreira fora das quatro linhas, assim como ele próprio aprendeu com Telê Santana, a quem chama de mestre. “Já vi o Rogério falar sobre isso e, se ele seguir esse caminho, tenho certeza de que vai se preparar muito bem e não vai ter pressa. Ele é um cara inteligente e sabe que pode contar comigo, aqui tem um parceiro. Se ele tiver paciência de me aguentar um pouco, estou aí”, avisa Muricy.

O treinador estava no São Paulo quando Telê Santana era o comandante. Sabia que a diretoria queria um aprendiz para substituir o bicampeão mundial em sua aposentadoria, mas infelizmente as coisas não saíram como planejadas. “Nessa época eles queriam um técnico parecido com o Telê e isso foi iniciado comigo. Infelizmente ele ficou doente e eu tive de assumir antes sem estar preparado. Nem me dei bem por isso porque não tinha experiência para assumir esse clube gigante, então paguei o preço. Mas aprendi muito.”

A identificação de Muricy e Telê é tão grande que a torcida do São Paulo, muitas vezes, grita o nome dos dois treinadores no estádio. Telê levou o time do Morumbi ao bi mundial e da Libertadores. Coube a Muricy o feito de conquistar três vezes seguidas o Campeonato Brasileiro. Quando Muricy fala de seu mestre, mostra enorme carinho e respeito. Também conta que aprendeu bastante com Carlos Alberto Parreira, que passou pelo São Paulo em 1996. “Sabia que tinha de aproveitar a presença desses grandes técnicos tão perto de mim”, conta.

Com experiência de sobra no currículo, Muricy sabe que pode ajudar Rogério Ceni caso ele pretenda ser treinador – o goleiro já sinalizou que isso lhe interessa no futuro. E avisa que o caminho para um técnico iniciante é sempre complicado. “Ser treinador não é fácil. O jogador de futebol às vezes acha que é e então chega despreparado para a profissão. Na hora que o cara fala que você é que vai ser responsável por deixar milhões de pessoas felizes ou tristes, o bicho pega.”

APOSENTADORIA

Rogério Ceni comentou novamente que não pretende mudar seu pensamento de pendurar as luvas no final do ano. Mas Muricy não aposta suas fichas nisso. “Sei que ele falou isso, mas só acredito vendo. Para se afastar disso aqui é duro. Ele é um cara que ama o que faz, que adora o clube. Quando parar é capaz de o carro dele vir para cá sozinho”, brinca Muricy. “Não tive tempo de conversar sobre isso com ele, mas se parar vai fazer muita falta. O futebol precisa de bons exemplos como ele, isso é muito importante para os jovens”, continua.

RECORDE

Domingo, contra o Goiás, Rogério Ceni entrará em campo pela 1.101.ª vez com a camisa do São Paulo. Está perto do recorde de Pelé, que atuou 1.116 vezes pelo Santos. E caso não tenha lesões, deve passar o Rei no fim da temporada. Será mais um recorde do capitão, que ensaia seus últimos passos nos gramados para depois ajudar o clube de uma outra forma.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.