Divulgação/Museu do Futebol
Goleiro Barbosa é homenageado no Museu do Futebol com exposição temporária. Divulgação/Museu do Futebol

Museus e arenas são atrações para os amantes do futebol no Estado de São Paulo; confira roteiro

Além do Museu do Futebol, os visitantes podem explorar os locais onde acontecem os jogos e conhecer os bastidores do esporte que encanta há mais de um século

Rafael Sant'Ana Ferreira, especial para O Estadão

03 de setembro de 2021 | 15h00

O Estado de São Paulo tem várias opções de entretenimento para quem gosta de explorar o futebol e sua rica história. As modernas arenas de Palmeiras e Corinthians oferecem visitas guiadas, que aproximam o torcedor do clube. Ficaram um tempo fechadas, mas reabriram com o aumento da vacinação contra a covid-19. O estádio do Morumbi exibe o passado glorioso do time fundado em 1930, enquanto o Santos apresenta a equipe de Pelé e Neymar para visitantes de vários países. Com muita tecnologia, o Museu do Futebol fica responsável por contar a cronologia da modalidade no Brasil, e o Museu Pelé é a forma de conhecer os detalhes da carreira do principal ícone do esporte no País. Conheça cada um deles:

Museu do Futebol

Inaugurado em 2008, o museu se localiza na parte de trás das arquibancadas do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, do lado do seu portão maior. A exposição principal, dividida em 15 salas temáticas que ocupam seis mil metros quadrados, conta de forma interativa a chegada do futebol ao Brasil e como esse esporte tão apaixonante virou parte do cotidiano do brasileiro.

Esse que é um dos museus mais visitados do País, é aberto ao público, seja ele amante ou não da bola. Apostando na tecnologia, as instalações mesclam o novo com o antigo. Objetos que trazem memórias da infância, como selos, figurinhas e botões, surgem logo no começo da visita.

Nas escadas que dão acesso ao primeiro andar, o Rei Pelé recebe todos com uma mensagem de boas-vindas em uma tela. Tudo que envolve futebol está presente neste patrimônio cultural brasileiro. As crianças que jogam bola ao redor do mundo, independentemente de suas condições, são registradas. Os ídolos, que são capazes de mudar a vida dos torcedores com um gol ou um passe para um título importante, também estão lá.

E é claro, embora os meios de comunicação passem por transformações constantemente, o rádio tem sua própria sala como forma de homenagear os locutores que, desde os anos 30, levam as partidas para a casa dos brasileiros com a maior emoção possível. Vale mencionar também a Sala Exaltação. Localizada em uma estrutura semelhante a uma caverna, a atração ‘coloca’ o visitante dentro de um estádio de futebol, para que ele sinta a emoção de estar no meio da torcida e ouvir os cânticos que perduram por gerações.

Quem também ganhou espaço com uma exposição temporária foi o goleiro Barbosa, que completaria 100 anos em 2021. Após não conseguir evitar o gol de Ghiggia, o arqueiro que jogou no Vasco e na seleção brasileira levou a culpa pela derrota do Brasil no ‘Maracanazo’, a final da Copa do Mundo de 1950 que consagrou o Uruguai campeão no Estádio do Maracanã

“O museu sempre traz algumas efemérides, e esse ano é o centenário dele. Na nossa visão, ele foi injustiçado, então a gente quis trazer a história dele, junto com os 150 anos da posição de goleiro”, afirma Mariana Chaves, Coordenadora do Núcleo de Exposições e Programação Cultural do Museu do Futebol. O material que propõe uma reflexão sobre o racismo no Brasil está disponível desde 19 de junho e vai até 21 de novembro.

O conteúdo oferecido pela gestão do museu não acaba na área física. No fim de abril, foi lançado o audioguia ‘Mulheres do Futebol’, que detalha narrativas esquecidas de mulheres proibidas de praticar o esporte há 80 anos por meio do decreto-lei 3.199 implementado pelo presidente Getúlio Vargas. A medida durou quase quatro décadas e só foi revogada em 1979. O produto pode ser ouvido em 15 episódios e está disponível na maioria das plataformas de áudio, assim como no web app do museu.

Segundo Mariana, as pessoas se surpreendem quando encontram a propaganda do audioguia na entrada, fruto de uma pesquisa iniciada em 2015, com um projeto chamado ‘Visibilidade para o Futebol Feminino’. Na época, as informações sobre a modalidade eram escassas. Não que hoje seja muito diferente. Mas pelo menos há a oportunidade de aumentar os verbetes sobre o futebol feminino por meio das editatonas, um evento em comunidades virtuais de projetos como a Wikipédia, em que o objetivo é editar e melhorar um tema ou conteúdo específico. Algo que orgulha a equipe do museu.

A coordenadora explica que, para continuar sendo uma fonte rica da história do futebol brasileiro, o Museu do Futebol explora outras versões do esporte. “Além do feminino, a gente fala bastante do futebol de várzea aqui de São Paulo e do futebol indígena”, disse. 

Quando as exposições não conseguem transmitir todo o conteúdo ou temas disponíveis, a Programação Cultural é a válvula de escape. Estes são eventos feitos para ‘transbordar’ as pesquisas, como diz Mariana. “A gente traz convidados para fazer um bate-papo ou exibe um documentário, depois faz comentários com o diretor do filme.” Mais uma forma das pessoas aprenderem e estarem envolvidas com o esporte que amam.

O ingresso para entrar no museu custa R$20,00 na versão inteira, e na meia R$10,00. Crianças até sete anos e pessoas com deficiência não pagam, e às terças-feiras, as visitas são grátis. Durante a pandemia, o espaço está funcionando de terça a domingo, das 9h às 17h00 (com permanência até 18h). Em cada primeira terça do mês, há uma abertura noturna, das 9h às 19h30 (com permanência até 21h). 

Como medida de prevenção à covid-19, todos os ingressos estão sendo vendidos exclusivamente pela plataforma Sympla e com horário marcado. Basta apresentar o ingresso impresso ou no celular na entrada. Quem tem direito à gratuidade precisa mostrar obrigatoriamente um comprovante a um funcionário. Visitas educativas e em grandes grupos estão suspensas. Medição de temperatura, totens de álcool gel e uso de máscara obrigatório para maiores de três anos são ações que visam evitar a disseminação do vírus no museu, que, nesse momento, permite a entrada de um número reduzido de visitantes.

Museu Pelé

Instalado nos antigos, mas reconstruídos Casarões do Valongo, um entre vários patrimônios históricos tombados do estado de SP, o Museu Pelé, localizado em Santos, foi criado para divulgar os feitos de Edson Arantes do Nascimento, considerado o Rei do Futebol. Documentos, camisas, chuteiras, bolas, condecorações e troféus acumulados pelo gênio ao longo de sua carreira fazem parte do acervo pessoal do museu de 4.134 metros quadrados. Para aqueles que não tiveram o privilégio de ver de perto a trajetória do camisa 10, estão disponíveis filmes, fotos, textos e áudios sobre sua história.

O visitante tem a oportunidade de conhecer a infância de Pelé em Três Corações, cidade mineira a quase 300km de Belo Horizonte, assim como os primeiros passos em Bauru, a chegada ao Santos FC e a estreia na seleção brasileira. Todo o brilhantismo do astro está retratado na instalação que se encontra perto do Museu do Café.

O Museu Pelé está funcionando de terça a domingo, das 10h às 18h. A bilheteria encerra às 17h. Na próxima segunda-feira, dia 6, o espaço estará aberto excepcionalmente para visitantes. O ingresso custa R$10,00, e o pagamento é feito apenas em dinheiro. Crianças de até 10 anos e estudantes dos ensinos Fundamental e Médio da rede pública (municipal, estadual e federal) podem entrar de graça. 

Já estudantes, pessoas com deficiência e acompanhante, professores da rede pública de ensino e pessoas com mais de 60 anos tem direito a 50% de desconto na entrada. Aos domingos, a entrada custa R$ 5,00 para todos os visitantes. Por conta da pandemia, o agendamento de grupos está temporariamente suspenso.

Tour Casa do Povo

A visita organizada na Neo Química Arena, em Itaquera, bairro da zona leste paulistana, é, segundo o site oficial, “um tour feito para corinthianos, guiado por corinthianos, na casa mais bonita do Brasil!”. Dividida em seis partes, a atração começa na Sala de Estar “Casa do Povo”, onde o torcedor corinthiano pode tirar fotos com as esculturas dos ídolos Basílio e Sócrates e participar de um desafio de habilidade. Em seguida, os guias passam pelo átrio, setor que abriga um escudo gigante do clube e a taça do Mundial, conquistada em 2011 no Japão.

Depois, é hora de conferir a vista e o camarote da Arena, que impressionam pela modernidade e grandeza. O auditório é a oportunidade de conhecer a sala de imprensa e tirar aquela foto fingindo ser a mais nova contratação da equipe. Após conhecer os vestiários, a sala de aquecimento e a zona mista, chega o momento mais aguardado: a visita ao campo. Da mesma forma que os atletas, os torcedores podem pisar na grama, se imaginar marcando o gol da vitória e entender um pouco do que é ser um jogador profissional. Fotos estão liberadas.

O tour está disponível de quarta a domingo, exceto em dia de jogo ou evento na Arena, e eventualmente às segundas ou terças. Em dias de semana, o valor para fazer a visita é de R$ 45. Aos finais de semana e feriados, a quantia sobe para R$ 65. Com duração média de 01h05min, o tour começa a atender o público às 10h00 e termina às 16h30min. 

Aniversariantes têm desconto, se acompanhados de um pagante. Quem faz aniversário no mês da visita, paga meia. Os que decidirem comemorar no dia exato do nascimento, não desembolsam nada. 

Por conta da pandemia, a compra do ingresso é feita somente pelo site tour.neoquimicaarena.com.br. e disponibilizada por QR Code (sem bilhete físico). Medidas preventivas contra a covid-19 incluem a entrada apenas com 20 minutos de antecedência ao início do tour, totens de álcool em gel disponíveis no trajeto e máximo de 20 pessoas por grupo. Uso de máscara, medição da temperatura e distanciamento de 1,5m nas áreas comuns são obrigatórios. 

Allianz Parque Experience Tour

Os palmeirenses também contam com uma visita diferenciada, realizada na arena mais moderna da América Latina. No tour, os interessados podem conhecer o quinto andar das arquibancadas, o setor de camarotes, o Lounge Centenário, a sala de imprensa e o vestiário. Para enriquecer a experiência, o túnel de acesso ao campo e a beira do gramado onde estão os bancos de reservas podem ser acessados pelos visitantes. Os mais saudosistas são presenteados com a vista dos arcos do antigo estádio Palestra Itália.

Ainda é possível comprar uma foto exclusiva na sala de imprensa ao lado da réplica da taça da Libertadores da América. Tudo feito por fotógrafos profissionais. Os organizadores se preocupam com o cumprimento dos protocolos relacionados à covid-19, então a limitação de 40% do público, o distanciamento de 1,5m e o uso obrigatório de máscara são algumas das medidas tomadas para evitar que o vírus se espalhe.

O Allianz Parque está localizado na Rua Palestra Itália, 200 - Portão A, no bairro de Perdizes, zona oeste de São Paulo. O serviço é oferecido de quarta à domingo, das 10h às 17h, seguindo a programação da Arena. A abertura dos portões ocorre às 9h40 e a duração média do tour é de 1h15min. Uma versão ‘express’ da visita dura 30 minutos.

Morumbi Tour

Visita guiada que ocorre todos os dias no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, na zona sul da capital. Como nas outras visitas, o torcedor são-paulino pode conferir áreas exclusivas do estádio e aprender mais sobre a história do clube com os guias. O caminho dos ídolos é onde o passeio começa. 99 jogadores que vestiram o manto tricolor ganharam uma estrela no espaço. Ídolos como Rogério Ceni, Serginho Chulapa, Kaká e Lugano são alguns dos homenageados.

O salão nobre é reservado ao presidente e conselheiros do clube, mas no tour, o visitante consegue admirar os principais títulos do São Paulo, como os cinco Campeonatos Brasileiros, as três Libertadores da América e os três Mundiais de Clubes. Depois, o passeio segue para a arquibancada norte, o ponto mais alto do estádio, que dispõe de uma bela vista.

Seguindo o trajeto dos jogadores em dias de partidas, os visitantes passam pela zona mista, a sala de coletiva e o vestiário, onde podem sentar no mesmo lugar de grandes nomes como Daniel Alves e Miranda. Os mais ousados podem arriscar bater uma bolinha na área de pré-aquecimento. Em seguida, vem a subida ao campo pelo túnel, com direito ao hino do clube tocando ao fundo. Por fim, o torcedor é levado pela pista de atletismo ao lugar mais sagrado da casa tricolor: o símbolo do São Paulo Futebol Clube.

Para viver essa experiência, os interessados devem arcar com o preço de R$ 50 na inteira, e R$ 25 na meia. Sócio-torcedor paga R$40,00. A meia entrada fica reservada para estudantes com carteirinha válida no ano vigente, professores da rede pública, pessoas acima de 60 anos e crianças entre 6 e 12 anos. Aquelas de 0 a 5 anos acompanhadas de adulto pagante entram por cortesia. O período de funcionamento varia conforme o dia e programação do Estádio do Morumbi. De segunda à sexta, as visitas acontecem entre 10h e 16h, com duas horas de intervalo entre cada uma. Aos fins de semana e feriados, as opções são maiores. São sete sessões realizadas entre 10h e 16h, com uma hora de lacuna.

Caio Barbosa, guia do Morumbi Tour, explicou como o clube está garantindo a segurança dos visitantes em meio a pandemia. Devido ao coronavírus, é obrigatório o uso de máscara durante toda a visita. Álcool gel e distanciamento também são importantes, embora ele admita que, em algumas áreas, é difícil de garantir o espaço entre as pessoas. 

Vale lembrar que não há possibilidade de reagendamento ou reembolso em caso de não comparecimento no tour. Em dias chuvosos, não é possível acessar as arquibancadas e o campo. Camisas de outros clubes brasileiros não serão permitidas na visita. E por fim, quem não seguir todas as regras previstas pelos monitores, será convidado a se retirar. 

Memorial das Conquistas

Inaugurado em 2003, no Estádio Urbano Caldeira, na famosa Vila Belmiro, o Memorial das Conquistas recebe visitantes de todos os cantos do mundo, interessados em conhecer a história do time de Pelé. Por meio de troféus, flâmulas, fotos e prêmios, a história do Santos Futebol Clube é contada em um espaço de 380m². Além do Rei, outros ídolos fazem parte da experiência, como Pepe, Coutinho e Neymar. O público que gasta um pouco de seu tempo no Memorial descobre que a equipe praiana é dona de grandes façanhas.

Há 52 anos, a Guerra de Biafra, uma guerra civil na Nigéria ocorrida entre 1967 e 1970, parou para que o povo nigeriano pudesse ver o Santos jogar. O clube então seguiu com a programação de seu tour pelo continente africano. Mais de 1 milhão de pessoas já conheceram o espaço. 

Alex Fernandes, coordenador do patrimônio santista, explicou que, durante o período de pandemia, apenas visitas simples estão sendo oferecidas. As monitoradas, que levam o torcedor pelo vestiário e gramado, estão suspensas e só devem retornar quando o público estiver autorizado a entrar nos estádios. Apesar disso, o entretenimento segue garantido. “Dentro do memorial, o visitante tem uma visão panorâmica da Vila, onde ele enxerga todo o gramado e boa parte das arquibancadas”, disse. Para quem aprecia o esporte, visitar o Memorial das Conquistas é uma oportunidade única.

A bilheteria fica aberta de terça a domingo, das 10h às 18h. Jogos e eventos na Vila Belmiro podem alterar a programação. A visita simples custa R$ 20 na versão inteira e R$ 10 na meia. Crianças até seis anos não pagam, e visitas em grupos estão permitidas.

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