Mustafá intervém no caso Lúcio

O presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi, assumiu pessoalmente o comando das negociações com o empresário Oliveira Júnior, dono do Ituano, no caso envolvendo a assinatura de contrato de Lúcio. Nesta quinta-feira, Mustafá esteve em Águas de Lindóia, onde a equipe realiza a pré-temporada, e pediu ao lateral que permaneça treinando enquanto não resolver a pendência relacionada à rescisão de seu contrato com o clube de Itu. Uma reunião envolvendo as partes interessadas deverá ocorrer na próxima segunda-feira.A situação poderia ter sido resolvida na quarta-feira, quando um funcionário do Ituano chegou a entregar os papéis a Lúcio. Mas o lateral negou-se a assiná-los, alegando que, antes, gostaria que seu advogado, Alexandre Nardo, tivesse acesso ao que estava escrito. No mesmo dia, o Palmeiras pagou um táxi ao jogador para que fosse a Itu a fim de se encontrar com Fabiano, filho de Oliveira Júnior. No entanto, sem a liberação para que Alexandre Nardo participasse da reunião, o lateral voltou para Águas de Lindóia sem nada definido.Embora nenhuma das partes assuma publicamente, a rescisão com o Ituano só não foi assinada porque Lúcio ainda não recebeu um prêmio de R$ 100 mil prometido por Oliveira Júnior pela venda de 50% de seus direitos federativos ao Palmeiras e ao empresário Juan Figer. O salário, de R$ 30 mil mensais, já está acertado."O pior dessa história é saber que não terei condições de enfrentar o Paulista no dia 21, na estréia do Palmeiras no Paulistão", lamenta-se Lúcio, lembrando que o prazo para a inscrição de jogadores para a primeira rodada terminou nesta quinta-feira.Alexandre Nardo, que esteve com o lateral em Itu mas foi proibido de participar da reunião, acredita que Oliveira Júnior esteja valorizando o caso. "Pelo que vejo, o Oliveira está com picuinha", comentou, referindo-se ao dono do Ituano. "Afinal, os números do contrato estão definidos. O problema é que ele prometeu dar R$ 100 mil ao Lúcio mas ainda não cumpriu com a palavra. Depois de tudo o que aconteceu, não seria conveniente acreditar em contratos verbais." Cansado de bater boca com o lateral, Oliveira Júnior voltou atrás em sua promessa. "Realmente eu tinha garantido ao Lúcio um prêmio em dinheiro caso fosse negociado. Mas depois de fazer e desfazer do meu funcionário, mudei de idéia e não darei um centavo a ele. No entanto, não pretendo atrapalhar sua carreira, apesar de ser um sujeito muito estranho. Hoje, depois de tudo o que aconteceu, o único clube que deseja contar com ele é o Palmeiras", diz o empresário. As palavras de Oliveira Júnior pegaram Lúcio de surpresa. "Ele havia dito uma coisa e terá que cumprir de qualquer jeito. Afinal, somos profissionais. Mas enquanto não houver uma definição, ficarei treinando no Palmeiras. Garanto que o clube não será prejudicado." O lateral também revela estar cansado de negociar. "O que mais quero é jogar. Essa novela já deu o que tinha que dar. Quero trabalhar com tranqüilidade. Menos mal que agora sei que o Mustafá está do meu lado."

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