Mustafá pede austeridade e trabalho ao futuro presidente do Palmeiras

Ex-presidente comenta a má fase da equipe, rebaixada no Campeonato Brasileiro

Tiago Rogero, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2012 | 15h25

RIO - O ex-presidente do Palmeiras Mustafá Contursi diz que está fora da vida política do clube, mas todos sabem que ele ainda tem muito poder por lá. Tanto que foi graças a sua ajuda que Arnaldo Tirone conseguiu ser eleito presidente em janeiro de 2011 (depois, Mustafá afirmou ter se decepcionado com o atual mandatário). Em rápida entrevista com o Estado, o ex-presidente afirma que o problema do time não foi apenas neste ano, mas das últimas gestões.

Que análise o senhor faz da situação do time este ano?

Para mim, a análise do Palmeiras não é deste ano, mas do que vem acontecendo nos últimos seis, oito anos. São repetições de más gestões, endividamentos, falta de austeridade, é o que tenho debatido durante todo esse tempo. Não é uma situação pontual. A responsabilidade do que aconteceu este ano da atual diretoria é por não ter mudado os procedimentos que vêm das anteriores. Se acomodaram numa primeira receita extraordinária de antecipações de recebíveis de vários contratos achando que tudo aconteceria com naturalidade. E os resultados estão aí. Desperdício não aceita desaforo.

Mas ao falar dessas administrações anteriores o senhor inclui a sua?

Incluo, também, por que não? Segundo a própria campanha que existe hoje contra mim, um linchamento político, minha gestão teve todos os procedimentos reprováveis por causa de um rebaixamento em 2002. Só que deixamos lá um estádio em construção, está se construindo um novo estádio porque nós deixamos algo iniciado. Infelizmente, não continuaram o projeto original, por um desperdício que houve até para justificar entregarem os nossos direitos por 30 anos a corpo estranho dentro do clube. Uma saúde financeira invejável, clube na Libertadores. Cada um que faça agora análise do seu desempenho.

Qual sua participação hoje na vida política do Palmeiras? O senhor pretende ainda, algum dia, voltar a ser presidente?

Não, isso já é algo decidido há muito tempo, no momento que em saí. Poderia ter continuado, sou condenado até hoje por muitas pessoas, muitos e muitos torcedores e associados, que não deveria ter saído no momento em que o clube estava evoluindo de forma maravilhosa. Mas imaginei que iriam continuar dentro de uma política pré-estabelecida há décadas dentro do clube. A grandeza do clube está na sequência dos seus procedimentos. De um país, de um clube, de uma governança, de uma empresa. Mas não volto e não tenho nenhuma relação hoje com quem poderá vir a administrar o clube. Só lamento que há uma chance daqueles que administraram até dois anos atrás estarem voltando, o que seria um desastre irreparável para o Palmeiras.

O que esperar do Palmeiras?

Enquanto não sairmos do “menos um” para o zero, porque talvez tivéssemos “mais um” quando eu deixei o clube. Hoje com certeza estamos com “menos um”. Se não voltarmos do “menos um” para o zero, com austeridade, saneamento e trabalho e coragem de enfrentar as dificuldades, a partir do zero poderemos voltar a evoluir positivamente e continuar a grandeza que não vamos perder nunca. O torcedor do Palmeiras pode estar certo que não perderemos nunca a grandeza de ser, na minha opinião, o clube mais importante, de conquistas, do futebol brasileiro, e isso é estatístico. E, até bem pouco tempo atrás, sem dúvida nenhuma o mais organizado.

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