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Equipe Sub-20 da Portuguesa treina em campo sem grama no CT do clube no Parque Ecológico do Tietê NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Nas categorias de base, Portuguesa vê esperança em meio ao caos

Perto do rebaixamento à Série D, grupo de torcedores trabalha com os garotos para o clube renascer

Marcius Azevedo, O Estado de S. Paulo

10 de setembro de 2016 | 17h00

A Portuguesa pode escrever hoje um triste capítulo em seus 96 anos de existência com o rebaixamento para a Série D do Brasileiro. A equipe torce por derrota do Macaé contra o Juventude, às 11h30, em Caixas, e depois tem de vencer o Guaratinguetá, às 19h30, no estádio José Liberatti, em Osasco - o Canindé foi alugado para uma igreja -, para chegar na última rodada com chances matemáticas de se manter na Série C.

O rebaixamento, se consumado, seria o quarto em três anos, fundo do poço para um clube tão tradicional em São Paulo. Mas não necessariamente será o fim da linha. Afundado em dívidas por gestões ruins que levaram até ao leilão de parte da área do Canindé - marcado para 7 de novembro e que o departamento jurídico busca impugnar -, a Portuguesa, enquanto sonha com um mecenas, vê esperança de alcançar o renascimento com o trabalho de um grupo de torcedores nas categorias de base, que historicamente sempre revelou garotos.

Apaixonados pelo clube, eles assumiram o controle do departamento em fevereiro. O cenário era de terra arrasada. "Não existia nem sequer controle com o nome dos jogadores que eram da Portuguesa, nenhuma ficha, nada", comenta Cássio Esteves, coordenador administrativo da base.

Além de Cássio, o grupo, que não recebe salários, conta com Ricardo Alonso, Virgilio Cesar, Marco Aurélio Amaro e Rodrigo Eduardo Gonçalves. O único remunerado é Eduardo Gomes, que atua como supervisor técnico. O mentor é o pai de Cássio, Toninho, que era diretor da base quando Dener foi revelado. "É pelo amor", comenta Cássio. "O nosso retorno é ver a Portuguesa no lugar que ela merece. Temos o nosso sustento, não vivemos disso", completa.

No pente-fino realizado em fevereiro, o grupo limou jogadores que não eram 100% do clube. "Acabamos também com qualquer esquema de empresário", diz Cássio, antes de explicar a situação. "Não brigamos com os empresários, eles podem trazer os atletas para cá. Se for bom, fica, mas ficamos com 100% dos contratos e direitos."

Com pouca participação da Portuguesa, que arca apenas com transporte, taxas da Federação Paulista e salários das comissões técnicas, o custo mensal é de R$ 50 mil. Atualmente são 90 meninos nas categorias Sub-15, Sub-17 e Sub-20. A maioria é de São Paulo, já que os custos para alojamento são proibitivos. Os atletas estudam em escola pública. A alimentação, em grande parte, vem de doações. "Tentamos fazer os garotos gostarem de jogar aqui, terem amor pela Portuguesa", diz Ricardo Alonso. 

O trabalho é árduo, mas já dá resultado. Um garoto despertou o interesse do Internacional, faz teste em Porto Alegre nesta semana e pode gerar um ganho financeiro. "Vamos ficar com uma parte se der certo", comenta Cássio. Em campo, segundo o coordenador, o retorno pode vir já em 2017. "Com uma espinha dorsal experiente, os garotos têm condições de ir bem na Série A-2 do Paulista e em uma eventual Série D."

O presente, ao que tudo indica, será marcado por mais um rebaixamento, mas ainda há esperança de um futuro melhor no Canindé.

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Paixão garante futuro da Portuguesa nas arquibancadas

André herda herança do pai Jose Luis e passa ao filho Murilo, de cinco anos

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2016 | 17h00

O pai Jose Luis, 64 anos, o filho André, 39, e o neto Murilo, 5, carregam no sangue o amor incondicional pela Portuguesa. A família Botelho torce para que o time possa escapar do rebaixamento hoje, mas são categóricos em afirmar que o sentimento que passou de uma geração para outra nunca mudará. O futuro da Lusa, ao menos nas arquibancadas, está garantido.

“Muitas pessoas me dizem que quando o meu filho entender um pouco mais, ele vai mudar de clube. Costumo falar com o Murilo da fase difícil da equipe e, por isso, não tenho medo nenhum. Porque sei que ele não vai trocar de time”, garante André, que deixou de ir apenas a uma partida da Portuguesa na campanha na Série C. Hoje, ele estará em Osasco para o jogo decisivo contra o Guaratinguetá.

“Sempre que volto para casa após um jogo, falo para minha mulher que não vou mais ao estádio, que não quero mais passar nervoso, mas não tem jeito, é paixão”, comenta.

Como André costuma dizer, o culpado é o pai. Jose Luis desembarcou no Brasil na década de 1970 vindo de Portugal e logo adotou o time do Canindé para torcer. “Ele estava naquele jogo da contagem errada de pênaltis em 1973”, comenta o filho, referindo-se à final do Paulista entre Portuguesa e Santos, que terminou com o título dividido por um erro do árbitro Armando Marques. 

Além do pai, André sofreu influência do irmão mais velho, Marcio (42 anos). O mais novo, Ricardo (36), também é torcedor da Portuguesa. “Não me lembro de ter ficado nenhum dia em dúvida sobre qual time torcer”, comenta. “É um amor que não tem explicação. Se o clube fosse administrado com o amor que temos, nunca estaria nesta situação difícil”, diz André.

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