Na Copa será diferente

O Brasil vai correr mais e jogar mais também na Rússia, sobretudo com Neymar 100%

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2018 | 04h00

Não devemos tomar por base o que vimos da seleção brasileira contra a Croácia em Liverpool. A única informação relevante do jogo foi a volta de Neymar. Nem o resultado de 2 a 0 nos interessa para a Copa do Mundo. Tudo me pareceu cauteloso demais das duas partes, com muito respeito e gentilezas que não veremos em campo na Rússia, nem na primeira fase, tampouco nas partidas eliminatórias, quando a derrota manda o perdedor de volta para casa. Brasil e Croácia estiveram longe do que pretendem na competição que começa dia 14.

Principalmente o Brasil. É possível, no entanto, ler alguma coisa nas entrelinhas da seleção de Tite que se prepara para estrear contra a Suíça, dia 17. Marcelo, decididamente, será uma opção de saída pela esquerda, passes para o meio e viradas de bola certeiras.

O Brasil não tem como renunciar ao seu talento, visão de jogo e qualidade técnica na parte ofensiva do campo.

Mas para Marcelo atacar e fazer diferença, terá de ter boa cobertura. Casemiro fará isso. Mas não fará bem se tiver de dividir seu terreno de atuação com Fernandinho. Os dois se perdem e se confundem quando estão juntos.

Pareceu-me bastante claro ainda que Willian segura marcação e posição e inferniza defesas quando acionado. É o único driblador da seleção. Sem ele, o time tende a embolar no meio. Da mesma forma, Philippe Coutinho funciona melhor ao lado de outro meia e não de um volante. Ele fica mais alegre em campo quando consegue conversar com alguém que fala seu idioma. E esse cara não é o Paulinho.

Se taticamente o Brasil funciona melhor com outras peças que saíram do banco em Liverpool, durante a Copa do Mundo a seleção será muito mais rápida na transição e jogará com bem mais pegada em todos os setores. O que vimos neste domingo foi um amistoso às vésperas da principal competição do planeta, portanto, com disputas bem mais próximas de um treino do que de uma partida valendo classificação.

Até o dia 17, quando o Brasil fará o seu primeiro jogo na Rússia, Tite vai dosando aqui e ali seu elenco, respaldado pelos conselhos e testes clínicos de sua competente comissão. Mas ele sabe que a partir daí a seleção terá de jogar sem freios, com mais vontade e acelerada em todos os sentidos. Não terá mais essa de aguardar para ver, esperar para testar ou poupar para se recuperar. É Copa do Mundo, meu caro Tite! Não há margens para erros ou vacilos, dúvidas ou falta de confiança. São sete jogos até a final e nada pode importar mais do que esses sete jogos. O que não quer dizer que o Brasil deva abrir mão de suas convicções e do que foi planejado para a disputa, embora o próprio Tite, inexperiente em competições internacionais com a seleção, tenha admitido que o Mundial é capaz de apontar caminhos que alguns times devem seguir em meio ao torneio.

Ocorre que o Brasil tem um jogador que apenas outras duas seleções da Copa podem se gabar de ter melhor. Refiro-me a Neymar, mesmo um Neymar com 80% de suas condições físicas, como ele mesmo confessou, ainda sem confiança e com receio de colocar o pé sarado de cirurgia. A Argentina tem Messi. Portugal, Cristiano Ronaldo. E o Brasil tem Neymar. Esses três são os únicos capazes de mudar a história de um jogo, como fez o brasileiro em Liverpool, ainda meia-boca, quando a seleção se enroscava no rival.

O Brasil tem um bom time e soube se valer dele nos últimos três meses, quando o craque do PSG se ausentou forçosamente devido à lesão. Mas ficou claro também que, diante de adversários europeus e mais bem postados taticamente, a seleção brasileira é um time comum, como tantos outros bons times e alguns até candidatos ao título na Rússia. Daí a alegria de todos pela volta do craque do PSG.

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