Vanderlei Almeida/AFP
Vanderlei Almeida/AFP

Na espera de Palmeiras x Flamengo, relembre finais da Libertadores entre brasileiros

Decisão marcada para o dia 27 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, será a quarta entre clubes do Brasil

Rafael Sant'Ana Ferreira, Especial para o Estadão

30 de setembro de 2021 | 20h00

Com gol de Dudu, o Palmeiras assegurou o empate contra o Atlético-MG na terça e garantiu vaga na grande final da Copa Libertadores pelo segundo ano consecutivo. No dia seguinte, Bruno Henrique repetiu a performance do jogo de ida e colocou o Flamengo na decisão do dia 27 de novembro ao marcar sozinho os quatro gols da classificação rubro-negra diante do Barcelona de Guayaquil. A menos de dois meses da disputa pela taça mais cobiçada do continente no Estádio Centenário, em Montevidéu, relembre os confrontos entre brasileiros na final da Libertadores.

Mas antes, é preciso destacar que a concentração de times do mesmo país em fases decisivas sempre foi uma preocupação para a Conmebol. Em 1987 e 1988, o torneio era formatado de uma maneira que evitava o encontro entre equipes de mesma nacionalidade na parte final da competição. No entanto, com o aumento de participantes a partir de 2000, argentinos e brasileiros começaram a dispor de quatro vagas cada um. Após as finais de 2005 e 2006 serem realizadas entre brasileiros, dirigentes sul-americanos pediram mudanças.

Então, no ano seguinte à vitória do Internacional sobre o São Paulo, foi decidido que equipes do mesmo país teriam que se encontrar obrigatoriamente até a semifinal. A ideia não agradou muito a Conmebol, que tinha interesse em aumentar ainda mais o número de participantes. Com isso, a entidade desistiu do chaveamento direcionado em 2017. Quatro anos depois, cartolas voltaram a reclamar do domínio brasileiro no continente, mas, por enquanto, o choro estrangeiro não passa de somente um choro. 

06/7/2005 - Athletico Paranaense 1 x 1 São Paulo (ida)

Há 16 anos, os clubes que se classificavam para a decisão do torneio continental ainda realizavam dois jogos para definir quem seria o campeão. Outro detalhe importante é que as partidas aconteciam no meio da temporada, e não ao final dela, formato escolhido pela Conmebol desde 2019. Mandando o confronto no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, o Athletico Parananese, que na época se chamava Atlético Paranaense, abriu o placar com Aloísio Chulapa, futuro jogador do São Paulo. A equipe paulista conseguiu o empate após um gol contra do zagueiro Durval e voltou para casa um pouco menos pressionada.

14/07/2005 - São Paulo 4 x 0 Athletico Paranaense (volta)

O Estádio Cícero Pompeu de Toledo, famoso Morumbi, estava lotado para receber o confronto que consagraria o campeão da Libertadores daquele ano. Mais de 71 mil torcedores puderam acompanhar a goleada do time comandado por Paulo Autuori sobre o de Antônio Lopes, um dos seis técnicos do Athletico naquela temporada. A vitória tricolor começou com Amoroso, que aproveitou rebote do goleiro Diego e balançou a rede. Os paranaenses poderiam ter empatado em cobrança de pênalti, mas o meia Fabrício mandou a bola na trave. 

Na etapa final, Fabão aumentou a vantagem dos mandantes com um belo cabeceio após escanteio batido por Cicinho. Luizão e Diego Tardelli ainda contribuíram para a vitória por 4 a 0 do São Paulo, que conquistou seu terceiro título de Libertadores. Além de eleito o melhor da competição, Rogério Ceni foi escolhido como melhor jogador da decisão. O ano de 2005 certamente é especial para o torcedor são-paulino, que viu a equipe levar o Campeonato Paulista e vencer o Mundial de Clubes contra o Liverpool, no Estádio de Yokohama.

09/08/2006 - São Paulo 1 x 2 Internacional (ida)

Pela segunda vez consecutiva, o São Paulo se garantiu na final da Libertadores, dessa vez para enfrentar o Internacional, de Abel Braga. O primeiro jogo foi realizado no Morumbi e não deve trazer boas memórias aos donos da casa. Rafael Sóbis, hoje no Cruzeiro, vivia seus primeiros anos de carreira e tratou de marcar os dois gols dos gaúchos na partida. O zagueiro Edcarlos descontou de cabeça e manteve as esperanças são-paulinas para o jogo da volta.

16/08/2006 - Internacional 2 x 2 São Paulo (volta)

Com a vantagem do mando de campo, o Internacional precisava apenas de um empate para sagrar-se campeão da Libertadores pela primeira vez em sua história. O saudoso atacante Fernandão, que morreu em 2014 em um acidente de helicóptero, se aproveitou de uma falha do goleiro Rogério Ceni e abriu a contagem para os gaúchos na etapa inicial. Aos cinco minutos do segundo tempo, o uruguaio Lugano desviou de cabeça e deixou seu companheiro de zaga, Fabão, em ótimas condições para empatar a partida. 

O Inter voltou à frente do placar graças ao volante Tinga, que completou o cruzamento de Fernandão e não deu chances para o arqueiro do São Paulo, que no lance anterior, havia defendido uma cabeçada do atacante colorado. Na comemoração, Tinga tirou a camisa e, como já tinha amarelo, foi expulso. Pouco antes do apito final, Lenílson tentou colocar a equipe paulista na partida novamente, mas não teve jeito. O título ficou com o Internacional, que ao final daquela temporada, venceria o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho no Mundial de Clubes com gol de Adriano Gabiru. 

30/01/2021 - Palmeiras 1 x 0 Santos (partida única)

Quase quinze anos se passaram até que times brasileiros decidissem uma Libertadores mais uma vez. Após despacharem River Plate e Boca Juniors, Palmeiras e Santos se encontraram pela primeira vez na história do torneio, em partida realizada no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Por conta da pandemia da covid-19, apenas 2.500 torcedores tiveram a chance de acompanhar o duelo. Essa era a primeira oportunidade do português Abel Ferreira levantar uma taça pela equipe do Allianz Parque, enquanto Cuca calava os críticos e superava todas as expectativas com o time da Vila Belmiro.

A partida decisiva pecou pela falta de emoção durante boa parte dos 90 minutos. Pouco antes do final, Cuca foi expulso pelo árbitro Patricio Loustau por tentar retardar o andamento da partida. Quando tudo parecia se encaminhar para a prorrogação, Danilo inverteu o jogo para Rony, que cruzou com precisão para o substituto Breno Lopes cabecear por trás de Pará e marcar o gol do segundo título do Palmeiras na Libertadores. A equipe alviverde ainda conquistou a Copa do Brasil sobre o Grêmio e amargou o quarto lugar na disputa do Mundial de Clubes em 2021.

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