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Robson Morelli
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Na estaca zero

Quem se ajeita primeiro tem mais chance de chegar inteiro nas rodadas finais

O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2018 | 04h00

As vitórias nesse momento do Brasileirão só devem ser ressaltadas quando acompanhadas de boas apresentações, de times que já conseguiram se estruturar na temporada, de modo a mostrar qualidade técnica e postura tática, sempre aliadas às boas atuações individuais. Ganhar longe desse cenário é bom também, mas, nessas condições, é preciso saber que cada chute a gol ganha direção imprevisível, assim como cada aposta e palpite nas rodadas que se seguirão. Entra-se então naquele ciclo incômodo de ‘ganhar-perder’, sem confiança, portanto, sem planejamento algum, quase sempre com a corda no pescoço, sem gordurinhas, olhando para a campanha do vizinho a fim de ‘contar’ com os pontos que ele deixa de ganhar.

Desse modo, há muito pouco a se comemorar após duas rodadas do Nacional ou quase cinco meses de preparação na temporada. Para não dizer que não vejo o cenário como um todo, entendo a falta de tempo em algumas semanas, ou entre um jogo e outro, para se treinar, corrigir erros e melhorar o entrosamento. Mas não é somente disso que me refiro.

Em São Paulo, por exemplo, somente o Corinthians está em condições favoráveis em relação à formação e desempenho do time. Com elenco modesto, modestíssimo, diga-se, a equipe ganhou as duas primeiras partidas no Brasileiro e já figura na frente dos rivais. Coincidência? Não me atrevo a dizer isso. O Corinthians agrada pela simplicidade, porque todos sabem o que fazer em campo, porque existe um padrão bem treinado e assimilado, porque não há vaidade, ou se há ela não sai do vestiário, não ganha o campo, porque o time não desiste.

Palmeiras, Santos e São Paulo estão degraus abaixo comparados ao rival do Parque São Jorge. O time da Vila me parece um pouco mais bem estruturado, mas carece de melhores jogadores em posições importantes, como no meio de campo. São Paulo e Palmeiras me parecem times bagunçados taticamente. Corre-se onde a bola está e muitas vezes sem saber por que se está correndo tanto. Ambos têm elencos melhores do que os rivais, mas estão longe de usá-los com mais técnica, tática e inteligência. Arrisco a dizer que sobra vaidade em seus respectivos grupos.

Grêmio e Cruzeiro estão quase no mesmo nível do Corinthians, bem mais distantes da estaca zero da maioria. Ocorre que o time de Mano Menezes perdeu as duas primeiras partidas do Brasileiro, e tem encontrado dificuldades para jogar bem e ganhar com certa tranquilidade seus compromissos. Não conseguir bater o Fluminense com um jogador a mais desde os 15 minutos de jogo depõe contra, claro. Mas como Mano disse após o tropeço, são coisas do futebol.

Além desses, o Atlético-PR traça um caminho interessante e os demais estão muito longe de encher os olhos do torcedor. Mas muito mesmo. É cedo, há muita água para rolar e não tem nada ganho ou perdido. É inegável, no entanto, que quem se ajeita primeiro tem muito mais chance de chegar inteiro nas rodadas finais, quando não haverá mais espaço para erros, testes ou tranquilidade.

DIEGO SOUZA

O São Paulo assinará recibo de mau gestor se abrir mão de Diego Souza, cortado do elenco que empatou com o Ceará porque diz ter oferta do Vasco. Raí, Ricardo Rocha e Lugano, cada um na sua, serão apontados como responsáveis pelo fracasso. Fracasso de R$ 10 milhões.

SEM OPÇÃO

Treinador tampão virou modo no Brasil. Mas nem todos têm condições de assumir um time grande e seguir adiante. Exemplos? Flamengo e Atlético-MG. Continuar com seus respectivos técnicos no comando é postergar demissão inevitável. Pior: é deixar a equipe na estaca zero e de lá não sair.

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