Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Na Europa, técnicos têm maior valorização e respeito

Na Espanha, uma lei impede o clube de contratar antes de acertar as pendências com o antigo treinador

GONÇALO JUNIOR, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2013 | 08h30

SÃO PAULO - Ser técnico de futebol é um osso duro de roer apenas no Brasil. Nos países europeus, os “professores” pertencem a uma categoria valorizada e respeitada, amparada por todos os benefícios da legislação trabalhista. Carlos Alberto Parreira, coordenador da seleção brasileira e solidário aos colegas que trabalham em times pequenos, mostra o tamanho do atraso dos brasileiros quando conta uma experiência pessoal na Espanha.

“Quando fui trabalhar na Espanha (Valencia), meu primeiro salário veio com um desconto de US$ 35 mil. Fui reclamar na tesouraria do clube e me disseram que era a contribuição para o sindicato e que isso era descontado sempre do primeiro salário dos treinadores. Mas me avisaram que, dali para frente, tudo o que acontecesse de errado comigo eu teria o respaldo do sindicato”, disse Parreira durante a Footecon, meses atrás, na Suíça.

Na Espanha, uma lei impede o clube de contratar um novo treinador antes de acertar as pendências financeiras e jurídicas com o que está saindo. Na Inglaterra, também existem leis semelhantes. De maneira inversa ao que acontece no Brasil, são os clubes que correm atrás do treinador para acertar tudo e poder contratar outro.

Fernando Pires, da Associação Brasileira dos Treinadores de Futebol, conta que Portugal oferece garantias e uma relação profissional, mas é rigoroso quanto à documentação apresentada por estrangeiros. “É uma relação muito profissional. Tudo segue a lei”, conta Pires.

Nos últimos oito anos, Heron Ferreira trabalhou em Sudão, Egito e Catar e afirma que lá fora o treinador é mais respeitado. Antes disso, alternou clubes grandes, médios e pequenos no Brasil. Ferreira aponta como saídas para o técnico brasileiro, além da questão trabalhista, programas de crescimento profissional e cursos de capacitação e atualização. “Temos de olhar a realidade de todos os níveis, não só dos treinadores que estão lá em cima”.

Tudo o que sabemos sobre:
Futebol

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.