Tony O'Brien/Reuters
Tony O'Brien/Reuters

Na Europa, TVs já distribuem quase R$ 38 bilhões ao futebol

Direitos de transmissão da Liga dos Campeões e do Campeonato Inglês são negociados diretamente com a Uefa

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2017 | 17h00

A Europa também adota intermediários na venda de direitos de TV. Mas, nos últimos anos, algumas entidades e ligas optaram por negociar diretamente com a Uefa. São os casos, por exemplo, da Liga dos Campeões e da Premier League.

O fato é que o envolvimento das TVs no futebol europeu garantiu uma multiplicação sem precedentes na renda do futebol e na criação de campeonatos com uma legião de estrelas internacionais. Hoje, estão em vigor contratos de TV para a transmissão de torneios nacionais europeus no valor de quase US$ 12 bilhões (R$ 38 bilhões). A maneira de negociar acordos coletivos permitiu um incremento no valor pago. Unidos, os clubes turcos, por exemplo, já obtêm renda superior aos do Campeonato Brasileiro.

O campeonato mais lucrativo é a Premier League, da Inglaterra. Manchester United, Arsenal e Chelsea abriram mão de um controle total dos recursos para que o pacote de transmissão pudesse ser vendido. Se o critério fosse a divisão por títulos ganhos, o United teria direito a mais do que o dobro do que recebe. Mas aceitou o pacote.

Cada clube ganha um valor base e US$ 30 milhões (R$ 96 milhões) ainda são colocados em um fundo e distribuídos para a formação de jogadores em 72 clubes de Segunda Divisão e divisões amadoras pelo país.

Outro segredo do sucesso foi a venda de pacotes para dezenas de TVs pelo mundo. A família real de Abu Dhabi pagou US$ 300 milhões (R$ 969 mi) para transmitir o torneio nos países árabes, mesmo valor desembolsado pela TV de Cingapura, país com 5 milhões de habitantes.

Na Itália, a renda chega a 911 milhões de euros. O Campeonato Francês espera ganhar a partir de 2018 1 bilhão de euros com a transmissão dos jogos e de Neymar. Em Portugal, não há venda coletiva de direitos. Benfica, Sporting e Porto recebem metade do que as TVs pagam, cerca de 24 milhões de euros anuais. Os outros 15 times da Primeira Divisão ficam com o restante do bolo.

PRISÃO

O negócio das TVs na Europa também gerou crises. Em julho, um dos peso pesados do futebol e último herdeiro da era Blatter na Fifa foi preso na Espanha. Angel Villar era presidente da Federação Espanhola de Futebol e vice da Fifa e Uefa. É acusado de desviar parte da renda de amistosos da Espanha. Seu filho, Gorka, é acusado de participação no esquema.

A partida entre Espanha e Coreia do Sul em 2016 está sob suspeita. Jogos contra a Bósnia e Argentina, em 2010, também são alvos de investigação. Ambos negam irregularidades.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.