Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Na final da Recopa, dois grandes em busca de soluções

O Corinthians sofre com a baixa produtividade do ataque; e o São Paulo, em péssima fase, pena com as falhas do sistema defensivo

FERNANDO FARO E VÍTOR MARQUES, O Estado de S. Paulo

16 de julho de 2013 | 07h22

SÃO PAULO - A final da Recopa, no Pacaembu, vai colocar frente a frente um time com um ataque pífio – apesar de ter jogadores badalados e caros – e outro que sofre gols como poucos, mesmo tendo uma defesa experiente. Este são os retratos de São Paulo e Corinthians no Campeonato Brasileiro. Os dois se enfrentam cheios de problemas para resolver.

 

O Corinthians, de Pato, Emerson Sheik, Guerrero e Romarinho, marcou apenas cinco gols no Brasileirão – só é melhor que o Náutico, o lanterna da competição. Embora Tite não goste de criticar um setor específico – o técnico fala sempre em equipe –, o desempenho desse quarteto ofensivo tem sido muito ruim. Na derrota de domingo para o Atlético-MG, que estava com time reserva, jogaram Pato, Romarinho e Guerrero. Nenhum foi bem, e Pato deixou o estádio sob vaias.

 

Um dos problemas do Corinthians estava na armação, mas mesmo com vários desfalques nos últimos dois jogos o setor de meio-campo produziu: contra o Bahia, vitória por 2 a 0, e até mesmo na derrota para o Galo, por 1 a 0. O que tem sido um tormento para o time de Tite é concluir bem as jogadas.

 

"O time depende de todo mundo e quando perde os gols a culpa cai muito em cima do ataque", disse o meia Danilo. "Estamos criando muito e fazendo poucos gols, mas acho que isso é uma fase que vai passar."

Danilo é um dos jogadores que retornam ao time no clássico. Não há mistério e ele, que está recuperado de uma lesão no joelho esquerdo, entrará no lugar de Ibson.

 

Mas uma mudança importante deve acontecer justamente no ataque. Caso Emerson Sheik retorne, Pato, mais uma vez, sairá do time. Sheik é outro dos jogadores que estão recuperados de contusão. Ontem, ele, Danilo, Renato Augusto e Douglas treinaram com bola e se mostraram confiantes de que poderão jogar o clássico.

 

No Tricolor, Paulo Autuori já percebeu que, antes de recuperar um ou outro jogador individualmente, precisará dedicar a maior parte do seu tempo para corrigir os inúmeros defeitos da defesa, que mais uma vez teve péssimo desempenho e foi uma das responsáveis pela derrota para o Vitória.

 

Com os três gols sofridos, o Tricolor chegou a 50 em 42 jogos na temporada – média de 1,2 por partida. No Brasileiro, o time já levou dez gols em oito jogos e só não tem números piores que Internacional, Criciúma, Vasco, Atlético-PR e Náutico. Destes, apenas o Colorado está em melhor posição que o Tricolor.

 

MURALHA

 

Curiosamente o setor terminou o ano passado sendo apontado como um dos responsáveis pelo bom segundo semestre, que culminou com a conquista do título da Copa Sul-Americana e com a melhor campanha do segundo turno do Brasileiro. De lá para cá, o setor se esfacelou e os antigos defeitos voltaram.

 

Da linha defensiva que enfrentou o Tigre na decisão, restou apenas Rafael Toloi: Paulo Miranda, que se destacou improvisado como lateral-direito, voltou à zaga, Rhodolfo perdeu a posição para Lúcio e deve ser negociado, e Cortez foi emprestado ao Benfica. De quebra, Wellington e Denilson nem de longe repetem as atuações que protegiam os beques em 2012.

 

A análise de Autuori após a partida contra o Vitória expôs o grau de preocupação com o setor, mas o novo treinador tratou de diluir a responsabilidade com todo o grupo.

 

"Falhamos muito no sistema defensivo. Não estou falando da defesa em si, mas do sistema como um todo."

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