Na Lusa, continua a indefinição

A situação da Portuguesa justifica a sabedoria popular "em casa que não tem pão, todo mundo briga e ninguém tem razão". A reunião entre as lideranças políticas, no Canindé, onde seria conhecido o nome de consenso para a presidência, terminou indefinida. Foram quase três horas de reunião e por incrível que pareça, em clima tranqüilo, sem discussões. Tudo parecia encaminhar para um final feliz, mas na hora de notificar o indicado, Manuel da Lupa e José Roberto Cordeiro não abriram mão de serem candidatos ao mais importante cargo do clube. Ali foi por água abaixo o acordo de cavalheiros - não previsto no estatuto - que serviria para salvar o clube da complicada situação financeira e na tentativa de reerguê-lo no cenário nacional. O imbróglio deve se arrastar por mais uma semana. Mas agora quem decidirá será o conselho. Será aberto um plebiscito para convocar os conselheiros. E a sugestão de Nelson Gonçalves, o presidente do conselho, será, por voto da maioria, anunciar qual dos dois será o candidato. Automaticamente, o outro seria o vice. "Oficialmente, contudo, não há nada de concreto. Uma reviravolta pode acontecer e surgir outro nome", afirmou um conselheiro, sem se identificar. A única certeza é a não continuidade da situação no poder. Joaquim Alves Heleno já havia confirmado sua saída ao término do mandato. A possibilidade seria a indicação de Virgílio dos Anjos Martins, vice de Finanças, que conta com alto índice de rejeição no clube. "Não temos candidatos", limitou-se a dizer, cabisbaixo, Heleno. MAIS PROMESSAS - O pagamento dos quatro meses dos salários atrasados sairá amanhã. É o que garante Virgílio dos Anjos Martins. O dirigente havia prometido para sexta-feira passada, adiou para ontem, mas agora está confiante no acerto. "Fiz um contato com o banco hoje e já está tudo acertado para amanhã", acredita. "Estava demorando pela burocracia bancária, faltava definir alguns itens do contrato." No clube, porém, o que Virgílio fala não se escreve. Basta conversar com os empregados para se ter noção de quanto é desesperadora a situação. "Estou devendo três meses de aluguel e não recebo nenhuma satisfação de quando irei receber para poder acertá-los. O pouco caso predomina", reclama um funcionário, que prefere não se identificar para não sofrer represálias. O fornecimento de vale-transporte, previsto nas Leis de Trabalho e da cesta básica está suspenso desde fevereiro. "Tem gente vendendo latinha para poder pagar condução, outros passando fome" prossegue no desabafo. Até o Sindicato desistiu de fazer reivindicações na Lusa. Os dirigentes não pagam os demitidos, mas ameaçam dispensar por justa causa quem ousar fazer greves. Ignoram os funcionários, mas pagam altas cifras para contar com Leandro Amaral. Se a continuidade da Ability ainda é incerta, o atacante já negocia renovação de contrato.

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