Na prorrogação, Itália despacha a Alemanha e vai à final

A Itália precisou de três minutos para vencer a Alemanha por 2 a 0, nesta terça-feira, em Dortmund, e se classificar para a final da Copa do Mundo. Antes, porém, foram necessários 117 minutos de muita emoção e sofrimento, duas bolas na trave e coração forte, já que os gols saíram aos 13 e 15 minutos do segundo tempo da prorrogação, marcados por Grosso e Del Piero, respectivamente. Com a vitória, a Itália chegou a sua sexta final e manteve a escrita que vem desde 1970: decidir a Copa a cada 12 anos - perdeu para o Brasil em 1970 e 1994 e venceu a Alemanha em 1982. De quebra, conseguiu evitar a maldição dos pênaltis e reafirmar sua predominância em prorrogações: disputou 10 vezes o tempo-extra, com cinco vitórias, quatro empates e uma derrota. Já a Alemanha, a maior vencedora de pênaltis da história dos Mundiais, acabou castigada por seu próprio trauma: em oito prorrogações que disputou, venceu apenas uma e perdeu três - uma delas, em 70, para a própria Itália, também nas semifinais. De quebra, a Alemanha sofreu sua primeira derrota em jogos no Wesstfalenstadion, onde somava 13 vitórias e um empate nos 14 jogos anteriores. E manteve o tabu de nunca ter vencido a Itália em Copas: são agora três derrotas e dois empates. Tudo isso no dia em que comemorava 52 anos de seu primeiro título mundial, conquistado em 1954, na Suíça, com a vitória por 3 a 2 sobre a Hungria. Com a vitória, os italianos disputam a decisão contra o vencedor de Portugal e França, que se enfrentam nesta quarta-feira, às 16 horas (de Brasília), em Munique. A final será domingo, às 15 horas (de Brasília), no Estádio Olímpico de Berlim. Aos anfitriões, resta o consolo de disputar o terceiro lugar, sábado, às 16 horas (de Brasília), em Stuttgart. O jogo Na dúvida entre Kehl e Borowski para o lugar do suspenso Frings, o técnico Jürgen Klinsmann optou por colocar os dois e sacar o meia Schweinsteiger, que tinha sido titular nos outros jogos da Copa. Se o objetivo era ter mais força defensiva no meio-de-campo, a opção se mostrou equivocada, já que a Itália teve mais presença no primeiro tempo, embora pecasse na finalização das jogadas. Em vez de aproveitar a altura de seu único atacante fixo, Luca Toni, especialista em bolas aéreas, a equipe abusou dos lances rasteiros - na melhor chance, Perrotta lançou Toni, que desviou, mas Metzelder afastou A oportunidade mais clara acabou sendo criada pela Alemanha, num chute de fora da área de Schneider que saiu por cima do gol. Num jogo de muita força física, a categoria de Ballack e Totti, os cérebros das duas equipes, acabou relegada a segundo plano. No segundo tempo, a Alemanha voltou mais ligada, e quase marcou com Podolski, que aproveitou um passe de Schneider e virou, mas bateu em cima de Buffon - foi a primeira finalização certa dos donos da casa, aos 18 minutos do segundo tempo. Os dois técnicos tentaram aumentar a ofensividade de suas equipes: Klinsmann enfim colocou Schweinsteiger, no lugar de Borowski, enquanto Marcelo Lippi tirou Toni, parado na área, e colocou Gilardino, melhor nos contra-ataques. Mas as alterações foram insuficientes pra mudar o panorama do jogo, e a melhor chance alemã na seqüência foi criada num erro do árbitro mexicano Benito Archundia: ele deu uma falta inexistente de Cannavaro em Podolski, num lance que foi dentro da área. Mas Ballack bateu mal na bola, por cima do gol. Na jogada italiana de mais perigo, aos 40 minutos, Totti lançou Perrotta em profundidade, mas Lehmann se antecipou para dar um soco na bola e acabou atingindo o meia italiano, que precisou receber atendimento. Na prorrogação, o técnico Marcelo Lippi resolveu abrir um pouco sua equipe, com a entrada do atacante Iaquinta no lugar do meia Camoranesi. Quase deu resultado: a Itália acertou a trave de Lehmann duas vezes nos primeiros dois minutos, com um chute de Gilardino, após jogada individual pela direita, e outro de Zambrotta, de fora da área. A Alemanha arriscou pouco e parecia confiar na sua tradição de definir nos pênaltis: somava quatro vitórias em quatro disputas - a última delas nas quartas-de-final, contra a Argentina -, enquanto a Itália acumulava três derrotas em três Copas seguidas - em 90 (Argentina, nas semifinais), 94 (Brasil, na final) e 98 (França, nas quartas). Para fugir da escrita, Lippi colocou o time definitivamente no ataque, com a entrada de Del Piero no lugar de Perrotta - pela primeira vez na Copa os dois "fantasistas", como Totti e Del Piero são chamados na Itália, estiveram em campo juntos. Em seguida, a Alemanha perdeu uma grande chance nos acréscimos do primeiro tempo extra, com Podolski, livre, cabeceando para fora após um cruzamento de Odonkor. No segundo tempo da prorrogação, a Itália foi para cima e Del Piero perdeu duas boas oportunidades. A Alemanha, apostando nos contra-ataques, respondeu com Podolski, que chutou em cima de Buffon, de dentro da área. Quando o jogo parecia se encaminhar para os pênaltis, a ousadia italiana foi premiada: Pirlo acertou bom chute da entrada da área e Lehmann espalmou. Na cobrança do escanteio, a bola sobrou de novo para Pirlo, que dominou e tocou para Grosso bater de primeira, sem defesa para Lehmann. A Alemanha partiu para o desespero e, no contra-ataque, a Itália matou a partida: Gilardino tomou a bola, invadiu a área e rolou para Del Piero definir. Ficha técnica Alemanha 0 x 2 Itália Alemanha - Lehmann; Friedrich, Metzelder, Mertesacker e Lahm; Kehl, Borowski (Schweinsteiger), Schneider (Odonkor) e Ballack; Klose (Neuville) e Podolski. Técnico: Jürgen Klinsmann. Itália - Buffon; Zambrotta, Cannavaro, Materazzi e Grosso; Gattuso, Pirlo, Camoranesi (Iaquinta) e Perrota (Del Piero); Totti e Toni (Gilardino). Técnico: Marcelo Lippi. Gols - Grosso, aos 13, e Del Piero, aos 15 minutos do segundo tempo da prorrogação. Cartões amarelos - Borowski, Metzelder e Camoranesi. Árbitro - Benito Archundia (México). Local - Westfalenstadion, em Dortmund.

Agencia Estado,

04 Julho 2006 | 18h36

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