Na reta final, Brasil busca suporte psicológico para vencer

Jogadores querem controlar os nervos para superar a Espanha na decisão do Mundial de futsal neste domingo

Giuliander Carpes, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2008 | 17h45

  RIO - Praticamente não há mais ajustes a fazer na forma do time jogar. Na defesa, a seleção brasileira do Mundial de 2008 é a melhor de todos os tempos. Tomou apenas seis gols contra sete da antiga recordista, a equipe verde-amarela do longínquo campeonato de 1992. Um padrão semelhante ao dos espanhóis, adversários da final de domingo, que levaram também seis gols em 2004. No ataque, o Brasil continua irretocável. Com a vitória diante da Rússia (4 a 2), na semifinal, tornou-se a maior força ofensiva da competição, com 63 gols. Só falta agora controlar os nervos. Veja também: Mundial de Futsal - Classificação, calendário e resultados Falcão, Vinicius, Schumacher e Franklin estavam no time de 2004, que perdeu para os espanhóis na semifinal em Taiwan. Sofrem, ainda hoje, com o fardo de terem sido protagonistas da pior campanha do País em um Mundial de Futsal - pentacampeã, se computados os tempos anteriores à Fifa, a seleção ficou apenas com o terceiro lugar naquele campeonato. "A responsabilidade agora aumenta muito", diz Franklin. "A derrota fez com que a gente aprendesse algumas lições", explica Falcão. Como foi visto nos últimos dois jogos, contra Ucrânia e Rússia, a pressão começou a pesar. Em quadra, os jogadores brasileiros passaram pelos adversários. Mas nada de mostrar a tranqüilidade da primeira fase. "A equipe precisa estar concentrada e se focar um pouco mais no jogo", afirma o técnico Paulo César de Oliveira, o PC. O nervosismo quase custou o empate dos russos a três minutos do fim. A seleção, porém, deu a volta por cima e, logo depois de levar uma bola na trave que poderia ter sido o gol de empate, marcou o gol que definiu o jogo em 4 a 2. Precavido, uma das primeiras atitudes do treinador, ao assumir a equipe, três anos atrás, foi levar para a comissão técnica a psicóloga Melissa Voltarelli. Mais cedo ou mais tarde, ele pensava, o trauma das edições passadas do Mundial voltaria a atormentar os atletas. "O nosso maior desafio é controlar a ansiedade dos jogadores", conta. "Dificuldade de dormir, nervosismo, tudo isso é normal, mas eles precisam dosar isso na hora da partida." PC vê como bom sinal a passagem pela semifinal, apesar do peso das memórias ruins como o trauma da derrota nos pênaltis em 2004. "Hoje realmente eles estão num estado emocional que é o melhor que eu já vi nesse grupo em quatro anos", atesta o treinador. "Acredito muito neles, no estágio que eles estão, acredito muito na cabeça deles." Agora falta também superar o trauma de 2000, quando os espanhóis venceram a final, na Guatemala, por 4 a 3, com dois gols nos últimos minutos, ambos de tiro livre direto. "É o momento mais importante do nosso esporte porque a gente está há doze anos sem ganhar o campeonato do mundo", analisa PC. "Pode ser o momento mais importante de nossas vidas." Se será algo para comemorar ou novo trauma para superar daqui a quatro anos, só se saberá por volta das 12h30 de domingo. Até lá, os brasileiros tentam controlar os nervos.

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