Na saída, Ricardo Gomes inocenta atletas

O técnico Ricardo Gomes foi demitido oficialmente pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na tarde desta quarta-feira. Ele se reuniu com os dirigentes da entidade e disse que deixa o comando da seleção brasileira Sub-23 sem ressentimentos. A saída do jovem treinador, de 39 anos, era inevitável após o fracasso da equipe no torneio Pré-Olímpico do Chile e a conseqüente perda da vaga à Olimpíada de Atenas.Ricardo Gomes voltou a assumir toda a culpa pelo vexame da seleção. "Não consegui o objetivo, que era classificar o Brasil para a Olimpíada. Me dediquei bastante e não existe o menor arrependimento. Mas assumo toda a responsabilidade pelo que aconteceu??, disse o treinador, que novamente evitou dividir a culpa com os jogadores e sequer fez críticas leves a eles.Ainda demonstrando abatimento e frustração pelo fracasso no Chile, Ricardo Gomes falou que, se algum dia for convidado para voltar a trabalhar na CBF, vai aceitar sem pensar duas vezes. "Se um dia eu tiver de voltar, voltarei, pois é sempre um orgulho defender o Brasil.??Agora, tudo o que o treinador quer é descansar e refletir. Ele não tem planos de aceitar propostas para dirigir alguma equipe do futebol brasileiro, ou mesmo de fora do País, nas próximas semanas. Tanto que recusou uma proposta que recebeu terça-feira da Acadêmica de Coimbra, clube português. "Recebi, mas já descartei. O momento agora é de pensar, refletir e depois voltar (a trabalhar)??, entende Ricardo Gomes.Explicações - Durante o encontro com a direção da CBF, que durou 20 minutos, Ricardo Gomes fez um relatório de tudo o que ocorreu no Pré-Olímpico do Chile e fez questão de inocentar a atitude e o comportamento de todos os atletas na competição."É evidente que a seleção Sub-23 não tem razão de existir e meu ciclo chegou ao fim", disse Ricardo Gomes ao sair da CBF. "Não houve ato de indisciplina ou exagero de qualquer atleta. O que ocorreu foi apenas um fato isolado (se referiu ao episódio da foto que mostrou o atacante Robinho abaixando o calção do meia Diego)." Ricardo Gomes frisou que as brincadeiras não foram execessivas e que convocaria todos os jogadores em uma outra oportunidade. Ressaltou uma série de fatores, como o pouco tempo para treinar e a ausência de alguns atletas, como Kaká, para justificar o fracasso no Pré-Olímpico."Já participei de seleções onde as brincadeiras eram bem piores e ninguém ficou sabendo. Brincadeiras entre jogadores é coisa normal e isso não nos atrapalhou", garantiu o treinador, lamentando que Diego e Robinho estejam sendo apontados como culpados pelo fracasso. "Não consegui montar uma equipe para o Pré-Olímpico, como fiz para a disputa da Copa Ouro." Ricardo Gomes ficou cerca de um ano no comando da seleção Sub-23. Nesse período, dirigiu a equipe em vários amistosos e também na Copa Ouro, disputada em meados de 2003. Naquele torneio, o Brasil ficou com o vice-campeonato, perdendo a decisão para o México. Na época, ninguém cobrou o treinador, pois a competição foi encarada apenas como preparação para o Pré-Olímpico.No torneio disputado no Chile, Ricardo Gomes não pôde contar com jogadores como Kaká, Thiago Motta e Júlio Baptista, que foram à Copa Ouro. E não conseguiu, em momento algum, dar um padrão de jogo à seleção.

Agencia Estado,

28 de janeiro de 2004 | 20h12

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