Na seleção, Rivaldo se sente respeitado

Rivaldo garante que chega à Seleção Brasileira de forma revitalizada. O motivo principal é que aqui é respeitado, como não se sentia no Barcelona e não se sente no Milan. "Tem gente que acha que estou velho e que não deveria ser chamado, mas a maioria reconhece o meu valor. Fui um dos artilheiros nas Eliminatórias passadas, fui um dos melhores na Copa e joguei bem as duas partidas dessas Eliminatórias. O Parreira e o Zagallo me respeitam, me dão valor, mas eu sei que fiz muito por merecer isso." Aos 31 anos, tem apenas uma certeza em relação ao próximo Mundial. "Vou lutar muito para classificar o Brasil, mas não sei se estarei bem para jogar na Alemanha. O Zidane e o Figo estão na minha faixa de idade e acho que nós vamos para a Copa, mas não adianta prever nada. Tem é de trabalhar agora." E trabalhar, ele garante, é o que mais tem feito no Milan. Pede que se ouça Cafu, Dida e Kaká, seus companheiros de equipe como testemunhas. "Trabalho demais, me esforço bastante, treino bem, mas não sou escalado. É uma coisa chata, por isso é que gosto tanto de vir para a Seleção." Rivaldo não vê em Ancelotti alguém que o persiga, como acredita que o holandês Van Gaal fazia no tempo de Barcelona. "É diferente. O Ancelotti é um cara engraçado, boa pessoa, conversa comigo, só não me escala. Não sei o motivo. Até desconfio, mas não sei. O Van Gaal era muito diferente dele, era intratável." Parreira continua confiando em Rivaldo, mas mostra-se preocupado com a falta de ritmo do jogador. "Não há limites para um jogador do nível do Rivaldo. Ele já conquistou tudo, mas realmente fica em situação difícil por não estar jogando em seu clube. Tem de treinar muito". E é o que Kaká tem visto Rivaldo fazer. "É impressionante como ele tem se dedicado. Chega antes dos outros, se esforça, treina muito e tem dado um exemplo para todos." Além dos problemas com Ancelotti, Rivaldo sente falta do filho, Rivaldinho, que está morando em Mogi-Mirim, desde a separação dos seus pais, após o fim de um casamento de oito anos. "É bem triste ficar longe dele, dá muita saudades, mas não se tem o que fazer. Estar aqui na Seleção ajuda um pouco a matar a saudade." Ele quer voltar à Europa com seis pontos conquistados nos jogos contra Peru, em Lima, e Uruguai, em Curitiba. "Se conseguirmos isso, vai ser uma vantagem muito grande porque ninguém, fora o Brasil, tem duas vitórias em dois jogos. Vamos ficar bem na frente. Isso vai dar muita tranqüilidade para o resto do trabalho." E talvez, é lógico, ajude a abrir a cabeça de Carlos Ancelotti, lhe dando um lugar ao lado de Kaká, o mesmo, que do banco de reservas, o vê defendendo a Seleção Brasileira.

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