Philippe Desmazes/AFP
Philippe Desmazes/AFP

Na semi do Mundial, Inglaterra exalta 'mentalidade vencedora' de Phil Neville

Inglesas decidem vaga na final contra os EUA nesta terça-feira, na França

Redação, Estadão Conteúdo

01 de julho de 2019 | 20h16

Phil Neville foi contratado no fim de 2017 por Sue Campbell, a dirigente que comanda o futebol feminino da Inglaterra, para ser técnico da equipe nacional, após a análise de 147 nomes. Após um ano e meio de trabalho, o ex-jogador do Manchester United superou as críticas por frases sexistas nas redes sociais e pela falta de experiência à frente de times para ser destacado como um dos grandes responsáveis por colocar, na França, a seleção inglesa em mais uma semifinal de Mundial Feminino, repetindo o feito que o país conquistou em 2015, no Canadá, onde a nação terminou a competição em terceiro lugar.

"Conversei com ele por uma hora e meia no telefone e logo percebi de que se tratava da pessoa que eu tanto procurava", disse Campbell, em entrevista à agência de notícias The Associated Press, ao relembrar a primeira conversa que teve com Neville para contratá-lo para o lugar de Mark Sampson. "Eu senti sua inteligência emocional, sua mentalidade vencedora, seu compromisso em tornar o nosso time feminino em uma equipe vencedora."

A reação à nomeação de Neville em janeiro de 2018 foi "cética", lembrou Campbell. Os primeiros dias no trabalho foram manchados pelos pedidos de desculpas de Neville por antigos tweets sexistas, que causaram críticas à Associação de Futebol da Inglaterra (FA, na sigla em inglês).

O primeiro ato de Neville foi conquistar o grupo de jogadoras. Para isso, o treinador gosta que suas atletas participem das discussões de táticas a serem usadas em campo. "Ele passou muita confiança para nós e nos deu coragem para propor o jogo", disse a defensora Millie Bright. "Não importa o que você faça para impedir o ataque rival, o importante é ter atitude e ele (Neville) nunca vai te dar uma bronca por tentar."

O entrosamento entre Neville e suas comandadas não poderia ser melhor. Em cinco jogos pelo Mundial da França, as inglesas mantêm os 100% de aproveitamento. Na primeira fase, vitórias sobre a Escócia (2 a 1), Argentina (1 a 0) e Japão (3 a 0). Nas oitavas e quartas mais duas vitórias. E ambas por 3 a 0 (sobre Camarões e Noruega).

A cada jogo sua empatia com o grupo aumenta, alimentado por comemorar metas, conduzindo palestras no campo ou consolando jogadores. "Ele nunca deixa um dia passar sem uma mensagem em nossos grupos nas redes sociais, nos dizendo para se certificar de aproveitar o dia ao máximo", disse a atacante Nikita Parris. "Ele faz tudo para garantir nossa vitória. Em todas as sessões de treinamento, ele se certifica de participar da foto da equipe vencedora. Essa é a mentalidade dele."

Se conseguir eliminar a seleção dos Estados Unidos, principal favorita ao título, nesta terça-feira, a partir das 16 horas (horário de Brasília), em Lyon, Neville será o primeiro treinador a colocar a Inglaterra na final de um Mundial desde Alf Ramsey, em 1966, quando o time masculino do país conquistou, em casa, o título da Copa do Mundo. Ou seja, será um grande feito se o mesmo for obtido em solo francês.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.