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Paulo Calçade
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Na trave, São Paulo!

São Paulo e Corinthians mostraram ontem porque os clássicos geralmente se desconectam da realidade. São realmente diferentes, não importa a posição na tabela, importa o jogo. Foi uma ótima partida, com um segundo tempo frenético. Qualquer um poderia vencer, embora os tricolores tenham mais a lamentar.

Paulo Calçade, O Estado de S. Paulo

10 Agosto 2015 | 03h00

O clássico foi especial para Luís Fabiano, que passou a semana mais fora do que dentro da partida. Com muitos adversários entalados na garganta, inclusive na diretoria são-paulina, jogou com a fome que um centroavante do nível dele deveria ter sempre.

Osório já disse que gostaria de jogar no 4-3-3. Enquanto não for possível consolidar o sistema, se vira como pode. E torcendo para não perder mais nenhum jogador. Mesmo com muitos problemas, principalmente a ausência de Pato, o treinador conseguiu criar uma equipe bastante ofensiva. 

O Corinthians não tem mistério, sabe-se exatamente como pretende jogar e quais são seus pontos fortes, o que torna mais simples entender como funciona. O ataque não está no mesmo nível dos demais setores do time, problema que torna algumas partidas mais difíceis do que deveriam ser.

No São Paulo, a situação é bem diferente. Osório está mais atrasado do que Tite na formatação de uma equipe consistente. O clássico foi didático ao expor as dificuldades do treinador colombiano. Mesmo sendo adepto do rodízio de jogadores, não é assim tão simples implantar modelos táticos tão diferentes, principalmente em equipes brasileiras. Osório escalou o time com três zagueiros, que nem sempre tinham adversários para marcar. Com mais jogadores no meio de campo, principalmente no primeiro tempo, o Corinthians chegou algumas vezes com perigo. 

Como volante, Michel Bastos ainda não encontrou seu posicionamento ideal no meio de campo, mas a equipe pode evoluir nesse sistema. A quantidade de oportunidades criadas na boa defesa corintiana é um indicador importante, motiva o grupo a continuar jogando como enfrentou o rival.

Com Vagner Love ainda no ritmo do futebol chinês, sempre um segundo atrasado, Tite escolheu Luciano para reinventar o ataque. Foi razoável, marcou um gol, mas o time continuou tendo dificuldade para prender a bola no campo ofensivo. O São Paulo merecia mais.

Mais do mesmo. A diretoria do Internacional teve uma ideia original para motivar o time no clássico contra o Grêmio: a demissão do treinador Diego Aguirre. O clube gaúcho atribuiu sua decisão à necessidade de criar um fato novo no vestiário, capaz de motivar os jogadores diante do maior rival.

O Inter não estava feliz com o trabalho do uruguaio, campeão estadual e semifinalista da Copa Libertadores. Mas a medida extrema, tomada na quinta-feira pela manhã, revela como funciona a cabeça dos dirigentes no Brasil. Embora tentem se desgrudar do fracasso, os cartolas colorados são responsáveis pela contratação do treinador, o escolheram e deram seu aval. Sem convicção, é verdade, porque Aguirre não era o primeiro da lista, o preferido. Mesmo assim foi conduzido ao cargo.

No futebol brasileiro, os treinadores começam a cair no momento que assumem o time. Vimos nesta semana um caso exemplar da incompetência administrativa que oxida nosso futebol em todos os seus níveis. Imagine a cena: dias antes de enfrentar o maior rival, o presidente Vitório Piffero e sua diretoria são pressionados para demitir o treinador. São dezenas – talvez centenas – de aspones, palpiteiros e curiosos que vão morrer acreditando que futebol é isso.

O tal fato novo é a crença no futebol reduzido a imitações baratas e interferências descabidas. O Botafogo demitiu Renê Simões com a equipe líder da Série B. O problema não foi o resultado, mas o incontrolável desejo de interferir nas escalações.

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