Nacional Atlético Clube sonha com a vaga do Audax

Presidente do clube anuncia que vai apresentar proposta para adquirir time do Pão de Açúcar

Raphael Ramos, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2013 | 07h06

Justamente no momento em que vê a sua sede ser alvo do mercado do imobiliário, o Nacional Atlético Clube ensaia aquela que poderá ser a jogada mais ousada de seus 94 anos de história. Apoiado por um grupo de investidores, o clube elabora uma proposta de comprar o Audax, time que garantiu o acesso à Série A-1 do Paulista de 2014, para apresentar nos próximos dias ao Grupo Pão de Açúcar.

"Estamos na Segunda Divisão (equivalente à Quarta) do Campeonato Paulista e queremos voltar para a Primeira. O caminho mais curto é comprando o Audax", justifica o presidente Ayrton Santiago, que não revela os valores da proposta.

A ideia de adquirir a vaga do Audax surgiu depois de o Pão de Açúcar, controlado pelo grupo francês Casino, anunciar no fim de maio a sua intenção de se desfazer do clube de futebol. Para Santiago, as boas relações que o Nacional tem com o Grupo Pão de Açúcar podem facilitar o negócio já que o Audax manda os seus jogos no estádio do clube, o Nicolau Alayon.

"Já pedimos uma reunião com o pessoal do Audax e estamos aguardando. Vamos ver como se pode combinar isso e fechar negócio", disse Santiago.

A assessoria do Grupo Pão de Açúcar confirma a intenção de vender o Audax. Em nota, alega que "o ciclo de evolução do projeto está concluído". Entre os jogadores revelados pelo Audax está o volante Paulinho, atualmente no Corinthians. O grupo, porém, não comenta sobre possíveis compradores.

O Estado apurou que o grupo já teria contratado uma empresa para buscar compradores no mercado e um entrave para o negócio ser fechado com o Nacional é porque a proposta do clube envolve apenas a operação paulista do Audax. Além da equipe em São Paulo, o Audax está na Primeira Divisão do Estadual do Rio desde a atual temporada e terminou o último Carioca na sétima colocação. A intenção do Grupo Pão de Açúcar é arrumar um único comprador para os dois times.

O presidente do Nacional, porém, não descarta a possibilidade de o clube fazer uma oferta maior, envolvendo os dois times. "O nosso interesse maior é em São Paulo, mas o grupo de investidores que está com a gente é muito forte. Vamos escutar as pessoas."

O sonho do Nacional de voltar à Série A-1 do Paulista passa também pelo futuro do seu estádio, inaugurado em 1938. O projeto de lei da Operação Urbana Água Branca, em tramitação na Câmara Municipal, prevê a construção de prédios, lojas e ruas mais largas no local em que hoje estão o Nacional, pequenas casas e algumas fábricas. A ideia seria transformar a avenida Marquês de São Vicente numa "nova Berrini".

O Rima (Relatório de Impacto Ambiental) feito pelo Prefeitura, por exemplo, aponta que "tendência atual da área é a construção de edifícios para o uso residencial, comercial e de serviços, substituindo e ocupando galpões e grandes terrenos". Na área em que vivem 345 moradores, a previsão é a população aumentar para 11.490 habitantes. 70%da área seria para habitação e os 30% restantes para comércio e serviços.

A salvação do Nacional estaria no tombamento do seu estádio. A solicitação foi feita em 2005, mas o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental), em nota ao Estado, alegou que "não localizou o pedido referente ao imóvel".

O vereador Aurélio Nomura (PSDB), presidente da Comissão Extraordinária de Meio Ambiente e membro da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara, já pediu informações sobre o processo de tombamento e diz que é impossível votar a Operação Urbana Água Branca sem o resultado desse estudo. "Essa é uma questão que precisa ser resolvida antes de qualquer coisa", afirma.

REFORMA

Santiago garante que, apesar da pressão do mercado imobiliário, não cogita vender a sede do Nacional. Ele, inclusive, pretende reformar o Nicolau Alayon. "Já recebemos várias ofertas, sabemos que o metro quadrado é muito valorizado, mas duas empresas estão elaborando um estudo e buscando parceiros e a nossa intenção é fazer uma arena para 20 mil pessoas (hoje a capacidade é de pouco mais de 9 mil) e receber os times grandes. Queremos também reformular as instalações do clube para atender aos novos moradores da região."

Em audiências públicas, moradores da Água Branca e representantes de ONGs insistem que o Nicolau Alayon só será salvo se a Operação Urbana Água Branca for revista e o prédio for tombado. Caso contrário, o clube ficaria em desconformidade com a lei e a construção de prédios no local seria inevitável.

PRÁTICA É COMUM

Não são raros os casos de compras de clubes no futebol paulista. Em 2010, por exemplo, o Grêmio Barueri mudou-se para Presidente Prudente. O Sport Clube Barueri, então, comprou o Campinas, fundado pelo ex-jogador Careca, e em vez de disputar a 4ª Divisão participou da Série A-3 do Campeonato Paulista. No ano seguinte, o Grêmio Prudente foi vendido para um grupo de empresários e voltou para Barueri.

Questionado pelo Estado sobre a venda do Audax, a assessoria de imprensa da Federação Paulista de Futebol informou que como "não há nada oficial com relação a este tema, sem qualquer documentação, não teria como analisar essa hipotética negociação." Para mudar de sede, o clube-empresa tem de pagar uma taxa à federação

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