Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Nada de novo nos esquemas táticos

A competição na Rússia, no entanto, não nos brinda com nada disso. Não há novidades

Muricy Ramalho, comentarista

29 Junho 2018 | 04h00

A Copa do Mundo sempre nos abre os olhos para novas formas de atuar, de esquemas táticos diferentes que podem se alastrar no futebol. A competição na Rússia, no entanto, não nos brinda com nada disso. Não há novidades. As equipes que não têm tanta qualidade técnica continuam jogando como sempre, atrás, mas com uma roupagem diferente em relação ao posicionamento tradicional, mais antigo. Essa diferença está nas linhas mais próximas, portanto, sem tanto espaço para penetrações. Essa formação tem dificultado para os ataques dos times grandes.

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Os europeus, não todos, mas alguns deles, como Espanha, França, Inglaterra e Bélgica - todos classificados para as oitavas de final -, também trouxeram para a Copa esquemas táticos que privilegiam a figura do atacante. Diego Costa, no time espanhol, é um deles, assim como Harry Kane entre os ingleses. Isso não ocorre, por exemplo, com o Brasil. Nossos atacantes não são de área. Nem Gabriel Jesus nem Roberto Firmino. Tite procurou um atacante para essa função antes do torneio, um cara mais centralizado, mas não achou. Fez alguns testes, mas não aprovou. Isso não é um problema somente para a seleção brasileira. A nossa base, aí no Brasil, não está produzindo jogadores com essa característica. É uma deficiência que vai aparecer.

Todos nós vimos também nessa primeira fase da Copa do Mundo a falta de meias característicos, como já tivemos em outras épocas no futebol. Eles estão aí, mas são cada vez mais raros. Isso necessariamente obriga os volantes a aprender o principal fundamento do futebol, que é o passe. Trata-se de uma tendência mundial. Porque, como a maioria das seleções joga com apenas um meia, o volante é obrigado a saber jogar, diferentemente do que a maioria fazia antigamente. O volante sempre teve mais a característica de destruir jogadas. Não é mais assim. Eles estão se valendo do passe.

 

As seleções vieram para a Rússia com esquemas de jogo com a bola e também sem ela. É preciso aprender a jogar das duas maneiras. Quando os times estão sem a bola, seus jogadores se organizam de modo a fazer uma marcação compacta, o que acaba dificultando a penetração dos atacantes adversários. E isso não é uma condição somente para as chamadas seleções menores ou de menos tradição na competição. Os grandes times também podem se valer disso.

Há outra tendência mundial no futebol que as seleções trouxeram para a Rússia, essa é uma volta ao passado. Os treinadores, de modo geral, voltaram no tempo em que os laterais tinham primeiro a função de marcar e, depois, caso tivessem habilidade e fôlego, ajudavam no ataque, como verdadeiros pontas. Atualmente, não é mais o lateral que joga aberto. São jogadores de ataque. E, como agora há um atleta por aquele setor, o lateral não consegue mais passar. Dessa forma, ele fica no seu campo e os treinadores acabam soltando mais os volantes.

Essas composições táticas e leituras das formas de atuar ajudam a entender o futebol. Mas não é só isso. Veja o caso da Alemanha. Houve falha tática, técnica e mental. Porque Joachim Löw escalou jogadores campeões do mundo, mas que não estavam focados. Todos eles, inclusive o treinador, se acomodaram após a conquista do Mundial de 2014, no Brasil. 

*MURICY RAMALHO, EX-TÉCNICO E COMENTARISTA DO SPORTV

 

 

 

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