Thiago Gadellha/Estadão
Thiago Gadellha/Estadão

‘Nanicos’ desafiam domínio dos grandes nas finais dos Estaduais

Ponte Preta, Novo Hamburgo, Salgueiro, Ferroviário e Globo têm chances de fazer história diante de rivais teoricamente mais fortes

Leandro Silveira*, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2017 | 07h00

Costumeiramente criticados pela previsibilidade nas fases que definem os classificados às finais, os Estaduais viram surpresas despontarem nesta temporada. Além da Ponte Preta em São Paulo, Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, Salgueiro, em Pernambuco, Ferroviário, no Ceará, e Globo, no Rio Grande do Norte, tentam quebrar a hegemonia dos grandes e incluir seus nomes na lista dos campeões. 

O Novo Hamburgo apronta no Gauchão desde o seu início. O time se aproveitou da instabilidade dos gigantes de Porto Alegre para terminar a fase de classificação em primeiro lugar, com vitória sobre o Internacional e empate diante do Grêmio.

No mata-mata, na semifinal, a igualdade voltou a se repetir com o Grêmio nos dois jogos, mesmo com o rival deixando a Libertadores em segundo plano para tentar encerrar seu jejum estadual – não ganha o Gaúcho desde 2010. Não deu certo. O Novo Hamburgo venceu a disputa de pênaltis e agora reencontra o Inter na decisão. 

O time não abre mão de jogar na sua casa, o Estádio do Vale. E como o local não possui a capacidade mínima, de dez mil pessoas, para a final, trabalha em sua ampliação com a instalação de estruturas provisórias. Não quer deixar de ser palco da segunda partida da decisão, em 7 de maio. Atualmente, o campo de Novo Hamburgo pode receber apenas 6 mil torcedores. 

Será o maior jogo da história do clube, vice-campeão do Rio Grande do Sul em 1952, quando o torneio foi realizado no sistema de pontos corridos. O segundo lugar também foi alcançado em quatro oportunidades nos anos 1940, quando a equipe ainda se chamava Floriano. 

ZEBRA

Ninguém causou mais surpresa nos estaduais do que o Ferroviário. O tradicional clube de Fortaleza esteve longe nos últimos anos dos melhores momentos da sua história, com nove títulos cearense e o status de terceira força do Ceará. 

Em 2014, caiu para a segunda divisão. E só voltou à elite neste ano porque o vencedor da Segundona, o Alto Santo, desistiu de disputar o Campeonato Cearense. O Ferroviário, terceiro colocado no acesso no ano passado, então, herdou a vaga. 

Nesse retorno, foi o sexto na fase de classificação, mas surpreendeu nas semifinais ao bater o Fortaleza. Agora, voltará a jogar uma final, o que não ocorria desde 2003, e busca sua primeira conquista estadual desde 1995, em série de melhor de três jogos. De quebra, já está certo na Copa do Nordeste de 2018.

FORTE

A presença do Salgueiro na decisão em Pernambucano não chega a ser novidade. Em 2015, o time parou no Santa Cruz. Neste ano, porém, deu o troco no clube recifense na semifinal. Após passar por um dos maiores do Estado e liderar o hexagonal, o Salgueiro terá o desafio de superar o Sport para se tornar o primeiro time de fora do Recife a conquistar o título – a final começa semana que vem.

A decisão do Campeonato Potiguar já começou e a “zebra” Globo, de Ceará-Mirim, perdeu do ABC por 1 a 0 na ida.

TRÊS PERGUNTAS PARA

Carlos André, vice-presidente do Ferroviário

Como foi a trajetória após saberem que disputariam a Série A do Estadual?

O time estava sendo formado para ser campeão da B do Cearense, que começava em março. Quando subimos em dezembro, com a desistência do Alto Santo, tivemos curto espaço, de menos de 15 dias, para montar o elenco. Tínhamos peças da Série B de 2016 e pegamos outras pontuais. O time teve pré-temporada de 12 dias. Chegamos à final com um planejamento curto, tudo em cima da hora. Fomos acertando dentro do campeonato.

2.Qual foi a maior dificuldade enfrentada este ano?

O lado financeiro. Quando programamos a disputa, estávamos usando patrocinadores fechados para a Série B. Nossa situação financeira não é das mais saudáveis, mas nos apoiamos no sócio-torcedor e em parceiros pontuais. Os pagamentos estão em dia, e isso é um diferencial.

3.Qual é a sensação de chegar à final dessa forma?

É uma surpresa. A gente não esperava. Estamos em êxtase, a gente e a torcida. Mas não vamos nos contentar. Estamos jogando a responsabilidade para o Ceará, que é o grande. Mas queremos o título. 

*Colaborou Gabriel Melloni

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