"Não ao racismo", pedem argentinos

Boa parte dos argentinos é racista? A Associação de Futebol da Argentina (AFA) fez questão de mostrar ao mundo que essa imagem é falsa e engrossou a luta contra o racismo no mundo, quando muita gente apostava em atitudes hostis dos torcedores contra os negros da seleção brasileira, durante confronto entre as duas equipes, no Monumental de Nuñez.Momentos antes do início do jogo, o placar eletrônico exibiu mensagem assinada pela Afa indicando que a Argentina é um dos países que mais lutam contra o racismo. O ato mais marcante, contudo, ocorreu na entrada dos times em campo. Os argentinos, enfileirados, seguraram uma faixa com a frase "diga não ao racismo", enquanto o placar exibia os mesmos dizeres.O duelo com o Brasil atraiu grande atenção no país por causa de sua importância natural e pelos fatos ocorridos em São Paulo, há dois meses, quando Leandro Desábato, do Quilmes, foi preso por ter, supostamente, ofendido o são-paulino Grafite, que o acusou de racismo.Os próprios argentinos apostavam em manifestações por parte dos mais fanáticos e dos torcedores do Quilmes. A pequena torcida do Quilmes, no entanto, sumiu no meio dos cerca de 50 mil presentes no estádio do River Plate.No placar, as mensagens de paz eram constantes e o locutor do Monumental de Nuñez também pedia aos argentinos e brasileiros que apenas fizessem festa. Sua solicitação foi atendida. Nenhum problema relevante houve durante o clássico sul-americano. Pelo contrário. Os brasileiros que compareceram em bom número - cerca de 2 mil pessoas - chegaram a seus lugares com tranqüilidade e incentivaram os jogadores sem serem repreendidos, pelo menos nos primeiros instantes da partida, quando o marcador ainda apontava 0 a 0. Depois, tiveram de se calar com o baile argentino, que levou o público ao delírio. Desde o primeiro tempo, já se ouvia o grito de "olé, olé, olé" nas arquibancadas.Incidentes isolados - Só não se pode dizer que a luta contra o racismo teve 100% de adesão por causa de alguns incidentes isolados. Cerca de duas horas antes do confronto, por exemplo, um pequeno grupo de torcedores, vestidos com a camisa da seleção, chegava ao estádio. Alguns argentinos perceberam e, de longe, os chamaram de "macacos de mier..." Durante o aquecimento dos atletas do Brasil, parte da torcida gritou "negros...negros...", mas por pouquíssimo tempo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.