Oleksandr Osipov/Reuters
Oleksandr Osipov/Reuters

'Não basta não ser racista, precisamos ser antirracista', diz Taison após insultos na Ucrânia

Ex-atacante do Internacional e Dentinho foram vítimas de atos discriminatórios e deixaram gramado chorando

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2019 | 08h13

O atacante Taison fez um duro desabafo nas redes sociais após ser vítima de racismo ao lado do também brasileiro Dentinho durante o clássico ucraniano entre Shakhtar Donetsk e Dínamo de Kiev. Ambos deixaram o gramado chorando depois do fato.

"Jamais irei me calar diante de um ato tão desumano e desprezível! Minhas lágrimas foram de indignação, de repúdio e de impotência, impotência por não poder fazer nada naquele momento! Mas somos ensinados desde muito cedo a sermos fortes e a lutar", afirmou.

Em outro trecho, o jogador que disputou a Copa do Mundo de 2018 reforçou que o futebol precisa mudar e agradeceu pelas várias mensagens de apoio recebidas. "Em uma sociedade racista, não basta não ser racista, precisamos ser antirracista! O futebol precisa de mais respeito, o mundo precisa de mais respeito! Obrigada a todos pelas mensagens de apoio!"

Dentinho também comentou a situação. "Durante o jogo, por três vezes, a torcida adversária fez sons que lembravam macacos, sendo duas vezes direcionadas a mim. Essas cenas não saem da minha cabeça. Não consegui dormir e já chorei muito. Sabe o que eu senti naquele momento? Revolta, tristeza e nojo de saber que ainda existem pessoas tão preconceituosas nos dias de hoje."

O Internacional, equipe que revelou Taison, também usou as redes sociais para repudiar os atos ocorridos. "O Clube do Povo se solidariza com os atletas Taison, ídolo colorado, e Dentinho, vítimas de racismo neste domingo durante partida do campeonato ucraniano.#ChegaDePreconceito #RacismoNuncaMais."

Taison acabou expulso por mostrar o dedo do meio em um gesto obsceno e chutar a bola em direção à torcida rival, em resposta às ofensas direcionadas a ele e a seu companheiro de time. O lance aconteceu aos 28 minutos do segundo tempo no estádio Metalist, quando o time da casa já vencia por 1 a 0 com gol marcado por Krystov.

Percebendo o tumulto que se formava, o árbitro paralisou a partida e ameaçou encerrar o clássico. Os jogadores do Dínamo pediram a seus torcedores que parassem com as manifestações racistas.

CADA VEZ MAIS COMUM

A Europa vem sofrendo com vários atos discriminatórios nos últimos meses. Na última data Fifa, o jogo entre Bulgária e Inglaterra, válido pelas Eliminatórias da Euro 2020, foi parado em duas oportunidades por causa dos sons de macaco e gestos nazistas vindos dos búlgaros.

Na Rússia, os torcedores do Zenit protestaram contra a chegada do brasileiro Malcom, pedindo que o clube mantivesse sua suposta tradição de não ter negros em seu elenco. Outro jogador do País vítima de racismo no Velho Continente foi Dalbert. O lateral da Fiorentina chegou a avisar o árbitro do fato e a partida contra a Atalanta foi paralisada até os insultos pararem.

A luta do racismo na Itália tem sido ainda mais difícil porque os torcedores estão se voltando contra os atletas de sua própria equipe quando eles denunciam atos ofensivos nos jogos. Romelu Lukaku foi vítima e pediu duras punições. Em resposta, recebeu uma carta dos torcedores da Inter de Milão, equipe que defende, pedindo para ele considerar 'essa atitude como uma forma de respeito' dos rivais. Os torcedores do Brescia também se voltaram contra Mario Balotelli, dizendo que ele não soube lidar com as supostas provocações feitas pelos torcedores do Verona.

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