Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

‘Não dá para os jogadores ficarem batendo de frente’

Meia diz que é complicado para os atletas se posicionarem sobre a crise na CBF

Entrevista com

Renato Augusto

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2015 | 08h01

Renato Augusto é um jogador contestador. Quando não concorda com algum comentário em relação ao seu desempenho em campo ou ao Corinthians, não hesita em rebater as críticas. Por se expressar bem em público, virou uma espécie de porta-voz do time e se transformou em um dos principais líderes dentro e fora de campo. Mas, quando o assunto é a crise na CBF e o comando do futebol brasileiro, o meia prefere o silêncio. Nesta entrevista ao Estado, Renato Augusto defende que as mudanças no futebol brasileiro têm de ser conduzidas por ex-atletas.

Como você vê a atual situação da CBF, com o ex-presidente José Maria Marin preso e a entidade sendo alvo de uma CPI no Senado?

Acho que não cabe aos jogadores se posicionarem. Nem posso falar muita coisa sobre isso até porque não acompanho de perto para saber tudo que está acontecendo. Isso cabe a outras pessoas. Foi criada uma CPI por um ex-jogador e acho que isso é bom. Cabe muito mais a um ex-jogador do que a nós que estamos em atividade. Não dá para a gente que joga ficar batendo de frente. Gosto muito do Romário e acho que a CPI foi uma grande iniciativa. Estou na torcida para que dê tudo certo.

Mas você espera que as ações da CPI tenham algum reflexo direto no trabalho dos atletas?

Espero que venham coisas positivas porque no dia a dia a gente vê muita coisa que pode ser mudada. A Federação Paulista, por exemplo, veio aqui no Corinthians com o Mauro Silva (vice-presidente do Departamento de Integração com Atletas). Foi uma boa ideia criar esse elo com os jogadores. Os primeiros passos estão sendo dados e espero que daqui para frente as coisas melhorem.

Você concorda com a avaliação de que o Campeonato Brasileiro está equilibrado porque foi nivelado por baixo?

Até pela crise financeira que o Brasil enfrenta, vemos hoje em dia muito mais jogadores saindo do País do que voltando. Há dois anos, chegaram juntos aqui no Corinthians eu, Pato e Gil. Naquela época, os jogadores estavam vindo para o Brasil. Hoje é diferente. Os clubes estão precisando de dinheiro, vendendo jogadores, então é claro que o nível técnico vai cair. Mas não acho que está nivelado por baixo. Se fosse assim, os torcedores não encheriam os estádios.

O Corinthians perdeu três titulares (Emerson, Guerrero e Fábio Santos) e hoje é líder do Brasileiro. Como foi esse processo de reconstrução da equipe?

Tivemos humildade de dar um passo para trás. Antes o time era montado em cima do Guerrero. Perdemos a cereja do bolo e tivemos de buscar opções. Tite teve grande mérito em achar um jeito novo de jogar. A equipe não está pronta, mas está 80% encaixada.

A briga pelo título vai ficar só entre Corinthians, Atlético-MG e Grêmio ou outras equipes também incomodam

O Brasileiro é muito equilibrado e você precisa tomar cuidado com tudo. Quem continuou na Copa do Brasil acaba mais enfraquecido por causa do desgaste dos jogos, mas ainda estamos na metade do campeonato. Temos de pensar passo a passo. O importante é vencer em casa e somar pontos fora. Ganhando em casa, ficaremos mais perto do título.

Salário atrasado interfere no rendimento dos jogadores?

Isso foi criado pela imprensa. No ano passado também estava atrasado e conseguimos a vaga para a Libertadores com um time que ninguém acreditava. Esse ano, fizemos um ótimo início de temporada e os salários continuavam atrasados. Fomos eliminados do Paulista e da Libertadores e aí falaram que esse era o problema. Nunca foi. Hoje, por exemplo, os salários continuam atrasados e estamos na liderança. Se eu parar de correr por causa de salário, estarei me desvalorizando.

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