Não é só ferrolho

Adversária do Brasil na estreia da Copa, Suíça também tem virtudes ofensivas

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2018 | 04h00

Em seis dias a seleção brasileira fará sua estreia na Copa. O adversário, a Suíça, tem história, com futebol conhecido pelo poderio defensivo que vem dos tempos do “ferrolho”, estilo que ficou famoso a partir da década de 1930. Era dirigida por Karl Rappan, que nasceu na Áustria, adversário deste domingo – 3 a 0 no último amistoso do time de Tite antes de adentrar gramados da Rússia. 

Hoje é comum ouvirmos falar em negação de espaços, times que jogam de forma organizada, com os atletas compactados em blocos que dificultam as ações do rival. Mas não era assim em 1938. Com um elenco formado por amadores que nas horas vagas jogavam bola, Rappan mudou o curso da história. O sistema que posicionou quatro na primeira linha defensiva, protegidos por outro quarteto, era algo revolucionário numa época em que imperava o WM, algo como um 2-3-5. Tal postura passava pelo reconhecimento da própria inferioridade técnica suíça em relação aos outros. Em compensação, havia força física. 

Foi o austríaco quem pela primeira vez recorreu ao líbero. Inspirou o catenaccio italiano, que definiu por décadas o estilo de jogo do calcio, a partir do trabalho histórico e polêmico de Helenio Herrera na Internazionale bicampeã europeia. Defensivo e controverso, mas competitivo. 

A Suíça eliminou a Alemanha na Copa de 1938 com um 4 a 2, e em casa, no Mundial de 1954, despachou a Itália, que já tinha dois títulos no currículo. Em 1950, antes da trágica derrota para o Uruguai, o Brasil venceu todos os adversários, menos os suíços, com o 2 a 2 no Pacaembu. 

O país dos relógios precisos tem feitos relevantes nas Copas, como o maior número de pelejas sem levar gol (cinco) e o mais longo período sem ser vazado (557 minutos). Há a curiosa marca obtida em 2006, quando foi eliminado sem sofrer tentos (caiu nos pênaltis para a Ucrânia). 

Em 11.º lugar no ranking da Fifa, a Suíça tem nas quartas de final o estágio mais avançado que alcançou nos Mundiais, em 1934, 38 e 74. Vai para a quarta Copa seguida, um recorde, sendo que nas três anteriores superou a fase de grupos em duas, uma delas como líder do grupo que tinha a França, em 2006. Para chegar à Rússia, faziam impecável campanha até a última rodada, quando perderam para Portugal o jogo e a classificação direta. Foram nove vitórias em dez jogos até carimbarem passaporte na repescagem, superando a Irlanda do Norte: 1 a 0 fora, graças a um pênalti mal marcado; e empate em casa (0 a 0). 

Na campanha até o Mundial, a Suíça foi o time europeu que mais fez pontos (31). Seu jogo passa pelo volante Granit Xhaka, do Arsenal. Ele é quem mais pega na bola, dono de razoável arremate de média distância, mas chegado a um amarelo — foram 57 nas quatro últimas temporadas. 

O treinador é Vladimir Petković, bósnio campeão da Copa da Itália, em 2013, pela Lazio, contra a Roma. Assumiu após o Mundial passado (herdou o lugar de Ottmar Hitzfeld) e sua lista de 23 conta com 15 atletas que o alemão trouxe ao Brasil há quatro anos. É uma das três seleções com mais remanescentes de 2014. Ex-jogador, o técnico de 54 anos chegou à Suíça há 30, vindo da ex-Iugoslávia. Tem fama de elegante e galã. À beira do campo é pragmático, mas seu time não é só defesa. Tem média de 17 finalizações por jogo. Não amedronta o Brasil, mas pode complicar.

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