Não é só no Brasil: o Barcelona também privilegia as torcidas uniformizadas

O presidente admitiu que vendia para organizadas ingressos a € 10 (R$ 25,50) por jogo, preço bem abaixo do praticado nas bilheterias

GONÇALO JUNIOR E RAPHAEL RAMOS, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2013 | 09h00

SÃO PAULO - Não é só no Brasil que as torcidas organizadas gozam de prestígio e regalias. No Barcelona, clube considerado modelo de administração, por exemplo, o presidente Sandro Rosell admitiu que vendia para organizadas 110 ingressos a € 10 (R$ 25,50) por jogo, preço bem abaixo do praticado nas bilheterias.

A revelação surgiu em um momento em que as organizadas do clube catalão foram colocadas em xeque depois que um sinalizador foi arremessado contra a torcida do Real Madrid na segunda partida da semifinal da Copa do Rei, no Camp Nou. A polícia da Catalunha, então, resolveu aumentar a repressão contra as facções.

As torcidas do Barcelona fizeram 'greve' e não foram apoiar o time contra o La Coruña. Crédito: Toni Albir/EFE

Pressionados, os torcedores se voltaram contra a diretoria do clube, exigindo que fosse destinado às principais organizadas um setor atrás de um dos gols do Camp Nou com o objetivo de potencializar o volume dos gritos de guerra. A polícia, no entanto, vetou a ideia. Como forma de protesto, as organizadas entraram em "greve" e não apoiaram o time contra o La Coruña, pelo Campeonato Espanhol, no último dia 9, e estenderam uma faixa com a frase "cemitério blaugrana, obrigado a todos" atrás de um dos gols.

Na Argentina, os "barras bravas", como são chamados os torcedores mais violentos, estão infiltrados em praticamente todos os clubes da Primeira Divisão. Hoje, chegam ao ponto de, caso estejam insatisfeitos, barrar a saída do ônibus com os jogadores antes de uma partida importante.

A torcida La Doce, tida como a mais poderosa e violenta organizada da Argentina, recebe três mil ingressos a cada jogo do Boca Juniores na La Bombonera. Uma vez por semana, seus dirigentes jogam futebol no centro de treinamento do clube, nos campos usados pelos profissionais.

Na última quarta-feira, a AFA (Associação de Futebol Argentina) anunciou que os clubes cujos torcedores se envolverem em atos de violência nos estádios disputarão a partida seguinte sem público. A medida, porém, não vale para problemas ocorridos fora dos estádios porque a AFA entendeu que esse tipo de atitude cabe apenas aos órgãos de segurança pública.

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