Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

'Não estou com vontade de voltar', afirma Muricy Ramalho

Técnico cogita trabalhar longe da beira do gramado

Entrevista com

Muricy Ramalho

Ciro Campos, Marcius Azevedo, O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2015 | 17h00

Muricy Ramalho passou 16 dias na Itália ao lado da mulher Roseli. Conheceu 24 cidades, desfrutou de excelentes massas e da hospitalidade dos italianos. Futebol? O treinador acompanhou o movimento do mercado de jogadores e leu uma notícia ou outra dos times brasileiros... O afastamento obrigatório para cuidar da saúde em abril fez o ex-técnico do São Paulo parar para refletir. Em entrevista exclusiva ao Estado, concedida no condomínio onde mora próximo ao estádio do Morumbi, ele admitiu que não sente falta do esporte ao qual se dedicou por mais de 40 anos e que pode se aposentar definitivamente do banco de reservas.

A decisão será tomada no final deste ano ou começo do próximo, quando Muricy estará com 60 anos. Até dezembro, o treinador, que recusou três propostas recentemente, pretende descansar, entre o apartamento em São Paulo, o sítio em Ibiúna e o litoral. "Não estou sentindo falta do futebol e isso é estranho. Nem os três convites de times grandes me balançaram." 

Além do futuro, o técnico, que até cogita continuar no esporte, mas não à beira do gramado, expôs suas ideias para que o futebol brasileiro possa se reerguer, revelou detalhes da recusa em assumir à seleção em 2010 e, claro, falou sobre o São Paulo, que continua no coração de Muricy.

Está conseguindo descansar?

Dessa vez, sim. Diferente das outras vezes. A última vez em que parei um tempo foi quando eu saí do Santos e também tinha a intenção de ficar uns seis meses parado, mas aí veio o convite do São Paulo e era diferente. Agora estou dando um tempo, estou gostando e inclusive, antes de ir para a Itália, na véspera da viagem, tive o convite de um time grande do Brasil. Antes disso tive o convite de dois times do Brasileirão e disse que não ia trabalhar neste ano. Estou gostando de estar parado.

Pensa em largar a carreira de técnico e trabalhar em outras funções?

Já pensei nisso. Estou me estranhando, porque até agora não estou com vontade de voltar. Até falei para a minha mulher que isso está esquisito. Eu não sou assim. A essa altura, no passado, estaria doente para voltar depois de uma semana. Agora não estou. Já pensei em outras coisas também, porque acho que também falta nesse meio, nesse intermédio entre diretores e treinadores, falta gente capacitada, do futebol, com boa intenção. Ainda o meu pensamento é voltar a trabalhar no campo, mas de repente pode ser uma nova ideia. Claro que tenho que ir em um lugar onde tenha autonomia para trabalhar, onde aceitem o meu jeito, sou muito difícil, sou radical. Mas tem essa possibilidade, sim, de quem sabe não ir para o campo, mas ficar perto, próximo ao técnico, escolhendo treinador. É uma área que falta gente aí.

Por que o futebol brasileiro decaiu?

Tem muitos fatores, não é uma coisa só. É a organização que está muito ruim, o futebol é negócio, mas o nosso é muito negócio. E isso passa para os jogadores. Quem está na base, com 15 anos, não pensa em jogar no time profissional, pensa em jogar fora. Eu acho, sinceramente, que tem que se mudar muito de cima para baixo. Falta gente do futebol, que faça alguma coisa pelo futebol. Esse negócio de gente que é de fora do futebol estar dentro do esporte para mim não combina. O cara não tem isso nas veias, para ele é só um negócio e isso está matando o futebol brasileiro. Uma coisa também é a Lei Pelé, tem que se conversar sobre isso. Por isso já falei que depois da Copa do Mundo, deveriam ter parado para conversar sobre futebol e ver o que se pode fazer. Tinham que chamar todos os segmentos, se reuniu por dez dias no Rio e discutir. Convidar pessoal da base, a imprensa, o marketing, treinadores, fisiologistas, todo mundo que é interessado. Mas não, uma semana depois contrataram o técnico e foram embora, segue o barco. Não pode isso. Ninguém fala. Só se conversa nos programas de televisão. Mas é muito pouco. E nem resolve nada, porque os caras nem veem. Então tem que se mudar muito. Os grandes descobridores de jogadores, que são os clubes pequenos, quebraram por causa da Lei Pelé. O cara não tem segurança nenhuma. Claro que não pode ser como no tempo que eu jogava, porque éramos quase escravos. Agora os clubes viraram reféns. Fizeram esses dias uma "mentirinha" antes do Campeonato Brasileiro, reuniram os técnicos durante um dia só, contaram histórias um para o outro e ficou por isso mesmo. É só para inglês ver, entendeu? Tem que ter gente que é do futebol, gente correta e isso está no nosso país. Infelizmente a gente vê só coisa ruim. É muito simples para a imprensa, nos programas de televisão, falar dos técnicos. Não é só isso. Tem muita coisa no futebol brasileiro. A gente não faz mais jogadores. Fazemos bons jogadores só, mas craque a gente não faz mais. Então alguma coisa está errada. Então o futebol está desanimando, está acabando. Está feio. Nossa seleção está igual às outras. Só tem um jogador e quando ele não está, fica igual ao Paraguai. Não pode isso. A gente fala isso faz tempo, mas fica nessa entrevista, depois sai e no dia seguinte todo mundo já esqueceu.

Perdemos a oportunidade de repensar o futebol depois do 7 a 1?

Não é só no futebol. A nossa mentalidade está ruim em tudo. Tomamos de sete, agora o nosso presidente (Jose Maria Marin) está preso lá na Suíça, então estamos tendo várias oportunidades de mudar tudo, trazer caras do futebol como Zico e Raí. São pessoas inteligentes, acima da média e acima de qualquer suspeita. Não se pode ser tão simplista assim e só falar dos técnicos. É muito fácil. E aí falando só disso, os outros que estão tirando proveito, ficam na deles, só na boa. Tem que se fazer algo mais amplo. Tem que se reunir e ter um congresso. Conversei com o Gilmar (Rinaldi) esses dias e sempre faço alguns pedido para ele com relação à seleção, já que ele está lá perto, criar um curso para treinadores, com formação internacional. Tem cursos lá fora que são uma mentira. Os caras te recebem e nem te olham na cara. Mas tem que fazer um curso longo, não de uma semana, mas no padrão alemão, de um ano ou até dois, com gente de fora. Temos que fazer algo para melhorar. Trazer gente para cá. Sempre peço algo para ele porque é o único canal que tenho na CBF. Se a gente ficar só no simplismo, não vai ter jeito. Daí os caras que mandam no futebol vão continuar mandando e fazendo tudo o que querem. E nós vamos ficar no foco errado. Não pode. Tem que melhorar tudo.

Além da saúde, a desilusão também pesou na decisão de se afastar?

Estou de saco cheio. Porque é difícil ser correto. Toda a hora tem alguma coisinha para tentarem tirar proveito e eu não viro as costas para agradar o cara por causa do meu salário. Tem horas que incomoda. O futebol está afundando e a gente está sem fazer nada. Estamos parados e só se pensa em negociações. Isso para mim é demais. Eu brigo mesmo. Até por isso tive um monte de coisa, de gastrite até problema de coração. É que eu não deixo passar. O futebol é loucura. Você rema para um lado e os caras, para o outro. Agora, nesse momento, não estou com vontade nenhuma de voltar a trabalhar. Nenhuma. E olha que não tive convite pequeno, não. Foi convite grande. Para eu não estar com vontade, é porque as coisas estão feias. Minha vida é o futebol, mas não é só o salário, é a parceria, o mesmo pensamento.

O futebol precisa recuperar a credibilidade dentro e fora de campo?

Mais dentro do campo. Quem faz a diferença é o jogador, em qualquer lugar do mundo. O técnico é 25 % só. Não pode ser só simples como fazemos aqui, a discussão deve ser mais ampla. É mentalidade, temos que voltar a ser um pouco o que éramos antes, porque perdemos a essência. O moleque começa com 15 anos, dá um chute e já quer ganhar uma casa, determina um valor, se não ameaça ir embora. Tem que fazer uma reciclagem total do futebol brasileiro em tudo. 

Logo depois da Copa do Mundo, Marin colocou o Alexandre Gallo e prometeu uma revolução...

Até achei que fosse mudar o mundo quando apareceu o Gallo e o Marin. Para que isso aí? Achei que já tínhamos ganhado a Copa de 2018. Daí pouco depois mandaram o Gallo embora. Isso é falta de convicção, é conversa mole para dar uma amenizada no 7 a 1. Um está preso e o outro não está mais. Vai me desculpar, mas isso não é sério. Depois de tomar 7 a 1 em uma Copa. Nós não somos trouxas. Todo dia querem nos convencer com palavras. O brasileiro está com saco cheio. Não dá mais para se fazer futebol de boca, porque o cara pega o microfone e faz o que quer com as palavras, mas não acontece nada. Nosso exemplo está aí, o nosso presidente está preso. Não estamos bem, porque o cara que comanda o futebol brasileiro está preso. Temos que repensar tudo. Temos condições de fazer isso desde que tenha pessoas sérias nos lugares que comandam. Tem cura, tem jeito, mas se não fizermos alguma coisa, acabou o futebol. Acabou o Guarani, fui treinador deles, tem uma baita torcida. Como pode? Vão dizer que foi culpa do técnico? Foi da gestão. Vai deixar um time desse acaba e as federações ricas. Há quantos anos não formamos um craque? O Brasil piorou muito e a gente continua igual. Estamos em uma situação difícil, mas tem gente boa para dar um jeito nisso. É só dar oportunidade. Os clubes deveriam formar uma liga comandada por eles e tirar da mão da CBF. 

Cinco anos depois, você muda a sua avaliação sobre o convite para treinar a seleção?

Eu não sou louco, sou muito consciente das coisas e só vou entrar em um lugar se eu tiver confiança no que vai acontecer e eu não senti confiança. Surgiu a oportunidade de ir para o Fluminense e me ofereceram um contrato longo. Eu recusei e falei: “Vamos fazer um contrato até o fim do ano e se vocês gostarem de mim, tudo bem, aí sim fazem um contrato longo”. Só que começou a dar tão certo, morava em um lugar sensacional, comecei a me sentir bem e eles me chamaram. Então topei a fazer um contrato longo e acertamos por dois anos com o Fluminense. Só não tínhamos assinado o contrato, mas estava tudo certo. Faltava mudar o contrato e dependia dos advogados. A gente estava em segundo lugar no Brasileirão, vinha muito bem e ganhamos do Cruzeiro em casa e assumimos a liderança naquele dia. Quando fui para o estacionamento, ia pegar carona com um amigo, chegou um rapaz lá e disse: “Sou da CBF e o presidente (Ricardo Teixeira) gostaria de falar com você amanhã”. Eu concordei e disse onde morava, pedi para me buscarem 9h30 para me levar para essa conversa. Falei isso para poucas pessoas. Só que para me convencer a coisa tem que ser muito certa. Então já começou que entramos no carro e começamos a andar para longe. No meu pensamento, durante a noite toda, é que vou para uma reunião séria, fechada na CBF, em uma sala, com apresentação do projeto da Copa do Mundo de 2014, com amistosos, comissão técnica, autonomia. Pensava em tudo organizado, é o mínimo. Mas no carro, fomos para um clube de golfe, achei estranho. Chegamos lá e tinha um monte de gente, estava acontecendo um campeonato lá. Aí o cara vem, me atende de bermuda e estava uma baita loucura. Ia começar a Copa do Mundo assim? Ele me chamou para tomar um café. Então sentamos para tomar café e discutir Copa do Mundo, com garçom vindo toda hora na mesa, torcedor na mesa, com filha do cara. Como pode levar um negócio desse a sério assim? Como se pode ter convicção de que você será realmente o técnico de 2014 e não será atropelado no meio do caminho? Não tive nenhuma conversa do meu salário, qual a minha comissão técnica, de onde eu ia ficar e nem nada. Foi uma conversa de 3h30 para nada. Se não sentir firmeza, não troco. Não aceito. Não adianta falar que vou ganhar o maior dinheiro do mundo se você não me convencer que eu vou ter chance de ganhar, chance de fazer as coisas como eu acho que devem ser feitas, eu não vou. De 3h30, eu olhava para o cara e parecia brincadeira. No final ele fez a pergunta chave: “Está tudo certo, você é o técnico da seleção brasileira?”. Eu disse que tinha um probleminha e ele me olhou com um jeito arrogante e perguntou o que era. Eu respondi que era o Fluminense, que tinha dado a minha palavra para o clube na semana anterior para assinar por dois anos. Não poderia simplesmente sair e cair fora. Os caras me abriram as portas. Era só telefonar na hora e avisar. Mas não podia fazer isso. No fim ele pediu para resolver e eu respondi que estava resolvido. Fui direto para as Laranjeiras, porque a torcida estava me esperando lá para saber a minha resposta. Foi uma festa quando souberam. E nesse dia começamos a ganhar o Brasileirão, porque acredito em algumas coisas. Não fiz aquilo pensando em nada, não ia adivinhar. Não me convenceram. Depois disso fui campeão brasileiro, saí de lá e vim para o Santos onde fui bicampeão paulista, campeão da Libertadores e da Recopa. A seleção não me convence muito, não tem o dia a dia, você só vai de vez em quando. Então juntou tudo isso. Não acertei porque o cara não me deu firmeza. Teria que ser algo mais sério do que foi. Não me arrependo de nada e nem penso mais nisso.

A briga política no São Paulo ajudou na sua decisão de sair em abril?

Quando eu cheguei estava muito ruim mesmo. Eles vieram aqui em casa e, para vir aqui, é que o negócio estava desesperador. O Juvenal me ligou e disse que precisava de mim. Eu disse para ele vir aqui, porque eu não iria lá, mesmo porque tinha um treinador. Então eles vieram aqui. O Gustavo me convenceu e, quando contei, o pessoal em casa, os meus amigos todos me chamaram de louco, que eu iria acabar com a minha história no clube... Mas como eu iria falar não para o São Paulo? O cara vem na minha casa, faz o convite e vai passar para a torcida que eu não aceitei em um momento em que o clube estava precisando, em um momento ruim. O salário não era tudo isso, mas eu aceitei. Só que chegando lá estava ruim, muito ruim mesmo, com jogador não querendo jogar. Horário da fisioterapia, o cara não chegava. Tinha jogo no Chile, o cara treinava e depois dizia que estava com dor. A gente em 18º lugar no Campeonato Brasileiro e cara dando risada no café da manhã. Era brincadeira, do jeito que estava ia para a segunda divisão mesmo. Tinha que dar um choque... O pior é que era um time bom, não era ruim. Coloquei uns jogadores que a diretoria não gostava. Escalei Douglas, Paulo Miranda, Ademilson, o Boi Bandido (Aloísio), que dava voadora em mim... Os caras me chamaram de louco. Eu falei que estávamos em 18º e que, apesar de eles não gostarem dos caras, eu tinha que fazer alguma coisa para mexer com o grupo. Falei isso até para o Juvenal. E esses caras salvaram o São Paulo. Depois, no ano seguinte, tivemos outro problema. O São Paulo contratou muito e tivemos de fazer uma reformulação. Só que jogador que vem jogar no São Paulo ganha bem e ninguém consegue contratar nem pagando metade. Só melhorou depois que 15 jogadores saíram e começamos a contratar pontual. A cereja do bolo foi o Kaká. Depois o Michel Bastos, que é fora de série, o Alvaro Pereira, que era um cara de grupo. Um ambiente que era muito ruim ficou muito bom. Por isso, alcançamos o vice-campeonato. Neste ano, ficou muito pressionado, com obrigação de ganhar e isso passou para o jogador. Aí não foi dando certo. Briga política sempre tem porque cada um, situação e posição, tem uma opinião. Mas o que acontece é que não deu liga, eu também não estava legal, estava sem força para trabalhar do jeito que eu gosto e acabei entregando. A briga política é apenas uma desculpa. O ambiente não era igual do ano passado porque tínhamos o Kaká, que uniu todo mundo. Tínhamos ótimos jogadores, o Souza também, que é excelente, mas o Kaká fez muita falta neste sentido. 

O seu sucessor, o Juan Carlos Osorio vai dar certo como técnico do São Paulo?

Quando eles insistiram e eu disse que não iria mais trabalhar, me pediram uma opinião de técnico. Não adianta trazer qualquer um, uma promessa que não aguenta. O São Paulo é muito grande, pesado... Pode até ser bom treinador, mas não aguenta. Tem de ter muita experiência, muita cancha. Eu indiquei o Abel (Braga). Me perguntaram também de estrangeiros e eu disse que tinham bons técnicos também. A dificuldade do estrangeiro é que ele está chegando no meio da coisa. Tem de ter paciência. A língua é diferente, os hábitos são diferentes... Ele estranha algumas coisas. A logística é diferente. Se o São Paulo confia que ele é o cara tem de dar tempo. Tem tudo para dar certo, é conhecedor, trabalhador, experiente, enfrentei várias vezes, então é como qualquer outro treinador. Aqui se fala muito em planejamento, trabalho... É mentira. Isso não existe. Só para preencher programa. Se ganhar é bom, se perder, não presta. Tem de ter convicção de deixá-lo. Caso contrário vem outro e, mesmo sendo brasileiro, não vai conhecer os jogadores, o clube é diferente. Ele é bom, é bom técnico. Então dá tempo para ele trabalhar.

O atraso nos pagamentos compromete?

O jogador não pode ter muleta. Não falo só de dinheiro, mas de várias coisas. Você tem que ter uma estrutura boa, porque senão o cara vai reclamar, o bife tem que estar bom, o ovo tem que estar bom. Porque daí você pode cobrar até a alma dele. O treinador é um cobrador de resultado. Eu posso falar porque estou fora e digo que isso influencia, sim. No dia a dia, na musculação, no grupinho, os caras falam, começam a brincar e isso não é legal, começa a tirar o foco. Isso não é só no São Paulo, mas em todos os times. Claro que nem sempre uma derrota é só por causa do salário, mas não é boa essa situação. Por outro lado, a gente entende o clube. O produto futebol não está legal. Por isso que os clubes estão se apertando, diminuem salários, elenco e tentam fazer as coisas. Mas se você está no São Paulo, fique tranquilo que no dia combinado, você vai receber. Não vai acontecer nada. Mas que não é bom o jogador ficar comentando no canto, não é bom. Mas no São Paulo o jogador sabe que a qualquer hora os caras pagam, porque são bem corretos.

Outros times estão te devendo?

Tem. Mas a gente entende, né. O Palmeiras foi o melhor time que me pagou. Lá tinha uma multa, eles foram legais e mesmo depois ficou um ambiente muito legal. Quando atrasava o pagamento, avisavam. Eu também entendo isso. Não adianta porque sei a situação do clube. A coisa está ruim em vários lugares. Temos que ter paciência. Sou tranquilo nesse sentido.

Está totalmente recuperado?

Tenho um problema que não tem cura, que é a diverticulite. Não tem como tirar, são muitas e se for tirar, teria que retirar todo o intestino e eu ficaria sem qualidade de vida nenhuma. Mas está controlada pela alimentação. Sou disciplinado com isso. Da arritmia estou bem, fiz exames e estou bem do coração. O que eu tinha de operar era vesícula e essa sim não é tão grave quando está quieta, mas como eu tinha muitas pedras, eram mais de 20, se uma desce, dá pancreatite. Daí é quase sem cura. Estava há anos nisso e o médico queria me operar, mas eu teria que parar. O estresse piora tudo isso, porque faz doer a diverticulite, faz a arritmia voltar. A primeira coisa que eu fiz logo depois de parar foi operar. Estou ótimo agora, não tem nada fisicamente, não sinto dor nenhuma e estou bem mentalmente, até porque não faço nada. Estou com a minha família, fico com a minha mulher e passo tempo com os meus filhos, que tive pouco tempo de fazer isso durante a carreira. Tenho feito tudo o que eu gosto e sem estresse. Isso para mim tem sido um alívio. Estou vendo os jogos. Não estou sentindo falta do futebol e isso é estranho. Nem os três convites de time grandes me balançou e isso é muito estranho. Mas aconteceu. Estou curtindo esse momento.

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