Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

'Não penso em Europa. Tudo que quero, tenho no Palmeiras'

Zagueiro fala sobre trajetória com a camisa alviverde

Entrevista com

Vitor Hugo

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2015 | 17h00

Vitor Hugo chegou ao Palmeiras no início do ano e em quatro meses já fez gols, falhou em clássico, foi aplaudido, xingado e se tornou titular absoluto de Oswaldo de Oliveira. Em entrevista exclusiva ao Estado, o defensor, que cumpriu suspensão na partida contra o Ituano nesta quarta-feira, conta como está sendo os primeiros meses no clube, admite surpresa com bom futebol e diz que não quer jogar na Europa, porque tem tudo que precisa no Alviverde.

Como está sendo o seu início no Palmeiras?

Estou superando todas as expectativas. Já vivi de tudo aqui. Tive bons e péssimos momentos. Não esperava que fosse passar por tudo isso tão rápido. O negócio é continuar trabalhando para conseguir um contrato longo (ele tem vínculo até dezembro).

Você nem tinha chegado direito e errou feio no clássico com o Corinthians. Temeu pelo pior?

Rapaz, assim que acabou o jogo eu pensei que nunca mais jogaria no Palmeiras, mas o Oswaldo falou comigo e me deu confiança. Bom, acontece e já passei por cima disso.

Até o ex-goleiro Marcos foi falar com você?

Pois é, no dia seguinte, ele me encontrou na Academia e eu achando que ele iria falar: "Pô, que m... Que você fez", mas não. Ele me contou as experiências dele e disse que não era para eu abaixar a cabeça, porque ganhou muitos títulos no Palmeiras, mas errou bastante também. Fiquei mais animado.

O gol contra o São Bernardo (veja o vídeo abaixo), de bicicleta, foi para espantar de vez as desconfianças?

Com certeza. Sem dúvida foi o gol mais bonito da minha carreira. A bola veio rápida e foi a forma como eu encontrei para conseguir chutar para o gol. É claro que a sorte conta também e ajudou, até porque não é algo treinado. No treino da véspera eu tentei uma no CT e errei, os caras brincaram comigo, mas na hora que precisava, que era no jogo, saiu o gol.

Como reagiu quando soube que o Palmeiras queria te contratar?

Cara, foi sensacional. Eu fiquei sabendo durante a minha festa de casamento, acredita? Meu empresário falou,dia 12 de dezembro, que eu ia para o Palmeiras. Eu ria que nem um bobo. Falei para o meu pai, ele me pegou no ombro, na "cacunda", me levou para frente do palco, pegou o microfone do cantor que estava fazendo show e começou a falar: "Meu filho vai para o Palmeiras". Foi gostoso demais.

Sempre foi zagueiro?

Quando moleque, eu era ponta esquerda, daqueles que corria pra caramba, baixinho. Eu chegava no fundo e cruzava. Tipo o Dudu, só que não tinha a habilidade dele, né? Fui crescendo, virei lateral-esquerdo, mas lateral corre demais. Não aguento. Teve um dia que joguei improvisado como zagueiro, gostei, fui para o Santo André como zagueiro e resolvi assumir essa posição.

Se durante o jogo precisar, dá para ajudar no ataque, então?

Bom cara, se precisar, eu ajudo, dou meus pulos. Faço o que for preciso para ajudar o time a vencer.

Você já contou que teve uma infância difícil. Sempre quis ser jogador?

Vim de família humilde, mas meus pais nunca deixavam faltar nada em campo. Sempre tivemos comida e roupa, mas queríamos trabalhar para ter um dinheiro extra para comprar um lanche. Minha mãe trabalha de costureira e meu pai era pedreiro. Ele me levava para trabalhar com ele, aí fui ficando velho, ganhando corpo, ele viu que eu só estava dando gasto com uns 16, 17 anos, e falou para eu dar meus pulos e decidir o que queria da vida. Ou vai virar jogador ou vai bater massa comigo. Falei, o quê? Bater massa não é comigo, não. Comecei a treinar com mais força. Bater massa é sofrido demais, dói tudo depois. Você já bateu? É complicado demais. Não nasci pra isso, nasci para jogar bola.

Está em São Paulo com a mulher e o filho?

Sim, imagine uma criança que faz uma festa com o pai. É o Pietro comigo, ele tem 1,6 ano. Canhotinho, daqui a pouco vocês vão ouvir falar dele. Vou fazer igual o pai do Neymar, eu vou aposentar e administrar a carreira dele.

Não teme que esse bom humor possa se tornar algo negativo se o time entrar em má fase?

Eu sei que isso pode acontecer. Mas gosto de brincar e brinco enquanto as coisas estão dando certo. Se começar a sair tudo errado, o negócio é fechar a cara. Torcedor sente muito o momento do time e temos que respeitar isso. Time levando pancada de tudo quanto é lado e eu vou ficar dando risada?

Acha que tem futebol para chegar na seleção?

Em breve acho que não. A longo prazo, pode ser. Ainda estou consolidando a minha carreira e tem muitos zagueiros com mais bagagem que eu.

Tem o sonho de jogar na Europa?

Rapaz, eu até pensava antes de chegar ao Palmeiras, mas estou feliz demais aqui. O que eu faria lá, eu faço aqui. Se o Palmeiras renovar o meu contrato, não tem porque eu ir embora. Estou me sentindo em casa e não tenho o que fazer lá fora. Aqui tem tudo que preciso e quero para minha vida.

A família torce para que time?

Complicada essa pergunta. Bom, a maioria é corintiana e tem muito palmeirense também. Fica todo mundo pedindo autógrafo, camisa...

E você?

Eu não torcia para ninguém. Eu torcia para o futebol. Agora sou palmeirense até morrer, com unhas e dentes e em todos os jogos. Quanto mais ele ganhar, mais eu ganho. Por isso, a família toda tem que virar palmeirense para me apoiar.

Tudo o que sabemos sobre:
PalmeirasFutebolVitor Hugo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.