Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

'Não posso presidir o Palmeiras hoje, mas no futuro eu não sei', diz Leila Pereira

Patrocinadora do clube não descarta possibilidade de comandar o clube e exalta retorno de imagem propiciado pelo investimento

Entrevista com

Leila Pereira, presidente da Crefisa

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

06 de junho de 2017 | 06h39

A empresária Leila Pereira, presidente da Crefisa e da Faculdade das Américas, quer servir de modelo para o futebol brasileiro. A conselheira e patrocinadora do Palmeiras recebeu o Estado para uma entrevista exclusiva e disse que o investimento na equipe, com mais de R$ 100 milhões apenas neste ano, deveria ser copiado. Ela ainda deixou no ar a possibilidade de tentar ser presidente do clube um dia. A entrevista da empresária também falou ao Podcast dos Clubes do Estadão.

Você investiu centenas de milhões no clube. Houve retorno?

Quando começamos a investir, vimos a força do futebol. A Crefisa é uma marca nacional, somos grandes anunciantes da televisão, estamos presentes em todo o território nacional, mas é óbvio que depois do Palmeiras, não tem um dia que não saia em algum lugar as nossas marcas. A nossa visibilidade é absurda. Queremos servir de exemplo para outras empresas investirem em clubes. Imaginem outros clubes com um patrocinador como o Palmeiras tem? O futebol brasileiro ficaria mais forte.

Investir no Palmeiras dá mais visibilidade do que outras ações?

É diferente. Eu não poderia dizer nunca que vou sair da televisão. Os dois investimentos se complementam. O futebol é uma paixão nacional, então eu atinjo a todos os públicos. E a televisão, por exemplo, sou patrocinadora do principal telejornal do Brasil. Pode ser que eu não atinja a todas as camadas sociais, ou as pessoas que não gostam de futebol. 

Como funciona sua participação em reforços?

Eu sou a última a saber. Só sei quando me chamam para contribuir. E não são para todos os jogadores em que somos chamados. Primeiramente, o presidente define com a diretoria de futebol a necessidade e quando entendem que há a necessidade da contribuição do patrocinador, aí chegam até mim. Quando sou procurada, já está tudo definido: quem será contratado e os valores envolvidos. Apenas me questionam se podemos contribuir. 

Algumas contratações bancadas por você não renderam o esperado. Isso te influencia?

Nada. Isso seria ridículo. Então, nós não opinamos. Isso diz respeito à comissão técnica. Na aquisição desses jogadores nós não ganhamos nada. Só ganhamos com a exposição das nossas marcas. Nesses contratos nós contribuímos e se o jogador for vendido, a Crefisa não terá lucro. O lucro é do Palmeiras. Nós não negociamos jogador. Só contribuímos e expomos a nossa marca.

Já recusou alguma contratação?

Sim, por causa do valor. Sempre quando me consultam é pelo valor. Eu disse "sim" muito mais vezes do que não.  Jamais contribuiria com valores tão relevantes se eu não confiasse no presidente e no diretor de futebol. Confio não se o jogador é bom tecnicamente, confio para poder colocar o dinheiro, em valores relevantes. O torcedor confunde demais. Eu não posso ser responsabilizada se alguma contratação não deu certo.

Você pensa em ter outros cargos no clube?

Cargos de diretoria, não. Gosto de cargos em que fui eleita, não porque me colocaram lá. O que me dá satisfação em ser conselheira é que fui votada e escolhida pelos sócios. Então, pode ter certeza, cargo no Palmeiras, só se for eletivo.

Presidência é um cargo eletivo. Tem interesse?

Para ser presidente do Palmeiras precisa ter dedicação integral ao clube. Eu sou presidente da Crefisa e da Faculdade das Américas, eu não teria disponibilidade hoje. Daqui algum tempo eu não sei da minha disponibilidade, mas sei que precisa ser um presidente dedicado ao clube. 

Tem mais algum investimento pela frente?

Por enquanto o clube não me chamou para outras iniciativas. Mas se tiver, vou analisar com carinho. Não conheço na história do Palmeiras outra pessoa que tenha contribuído mais do que eu financeiramente. Claro que muitas pessoas contribuíram de outras formas, muito relevantes. Se não sou eu bater na porta e dizer que gostaria de patrocinar o clube lá em 2015... Sei que unanimidade não tem em lugar nenhum. A maioria das pessoas reconhece essa importância. Mas têm outros que têm dor de cotovelo, que têm outros interesses. Sou uma pessoa racional, mas o que me motiva é o amor pelo Palmeiras.

O que mudou da relação com o Palmeiras após a troca de presidente com a saída do Paulo Nobre e a entrada do Mauricio Galiotte?

Mudou completamente. Mauricio é um presidente que eu respeito demais, é equilibrado, reconhece a importância dos parceiros. Então, ele anda na frente e eu sigo. O que ele determinar, o patrocinador vai confiar. Eu confio piamente nele. A relação é mais tranquila, de respeito recíproco. Eu contribuí com a reforma da Academia de Futebol, agora é de primeiro mundo. Já ajudei com isso, com patrocínio, jogadores, centro de imprensa.

Como foi a primeira reunião no Conselho, semanas atrás?

A recepção foi muito boa. Acho que a gente conseguiu que a grande maioria dos conselheiros e dos sócios apoiam a mim, por reconhecerem a importância do patrocínio da Crefisa e da Faculdade das Américas na vida do Palmeiras. Não adianta dissociar a minha imagem das empresas, pois quem comanda o dia a dia das empresas, as decisões sou eu. Então toda essa contribuição que fazemos, é por minha decisão, então os conselheiros e sócios entendem que só quero fazer o bem para o Palmeiras, que queremos fazer o Palmeiras mais forte. Eu fui eleita com uma votação estrondosa, a maior da história, então me senti em casa.

Alguém da oposição torceu o nariz?

Eu tive uma pequena rejeição, acho que 33 conselheiros votaram contra a minha candidatura. Mas esses 33 eu sei quem são por nome, mas não ligo o nome à pessoa e nem me interessa conhecer. É um número tão pequeno, que no meio de 279 conselheiros, ficam dispersos. Não tive contato com eles.

O Paulo Nobre tentou impugnar a sua candidatura. Vocês já se reencontraram?

O ex-presidente não esteve nem na votação da minha impugnação, nem nessa primeira reunião de conselheiros. O Conselho é soberano, então esse assunto já está mais do que encerrado. Não tenho tido nenhum movimento contra a minha permanência no Palmeiras.

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