Não quero derrubar ninguém, diz Leão

"Eu não estou implorando para continuar a trabalhar no Palmeiras." "Lógico que ouvi a torcida gritando o nome dele depois da derrota contra o Atlético Paranaense. Não sou surdo." As duas frases indignadas de Paulo Bonamigo e de Gallo têm o mesmo personagem por trás: Emerson Leão. Ambos sabem que as diretorias de Palmeiras e Santos querem trocá-los pelo técnico que acabou de ser demitido do japonês Vissel Kobe. Isso sem contar o pedido que Kia Joorabchian fez ao técnico - de não fechar compromisso com ninguém depois que terminasse de trabalhar no Japão antes de ouvir a proposta da MSI, parceira do Corinthians.De Kobe, Leão acompanha todo o conturbado cenário do futebol brasileiro, mais especificamente o paulista. Vê tudo pelo canal a cabo. E tem noção de que terá um ótimo emprego assim que pisar no território nacional na próxima semana. Ou até antes disso."Só posso garantir que não quero tomar o emprego de ninguém. O meu comportamento é diferente de outros técnicos. Tenho ética, não fico trabalhando para derrubar um colega. Nunca fiz e não preciso disso. Mas quero trabalhar e estou livre para seguir a minha carreira como técnico no Brasil", afirmou Leão em entrevista por telefone à Agência Estado.Agência Estado - Como é ser uma ameaça aos técnicos empregados do Santos, Palmeiras e Corinthians ?Emerson Leão - (Iirritadíssimo) Ameaça? Eu estou livre para trabalhar, só isso. Se algum clube vier me procurar, não vou discutir se tiver algum treinador trabalhando nesta equipe. Não vou ficar trabalhando por trás para derrubar ninguém. Pode ser até que exista gente assim, até tem que eu sei, mas eu, não. Não estou desesperado para trabalhar, não tenho pressa. Mas estou livre e quero trabalhar.AE - Você gostaria de voltar a um clube especificamente? Ao Santos, ao Palmeiras, ao Corinthians?Leão - Eu fui muito feliz nas minhas passagens pelo Santos, mas pelo que eu sei, o clube tem o seu treinador que está fazendo um bom trabalho. Com o Corinthians, com a MSI eu falei há dois meses e não retomamos as conversas. Com o Palmeiras, eu conversei hoje (ontem) com o Palaia. Mas falamos apenas sobre a documentação do Diego Souza que foi contratado pelo Vissel Kobe. Só sobre os documentos. Não tenho condições de escolher clube porque até agora, 9 horas da manhã desta quarta-feira aqui no Japão, não tenho proposta. Todos os clubes que você falou têm treinador.AE - Nem pensar em uma volta ao São Paulo?Leão - Fui muito feliz por lá, mas o clube está bem servido. O Paulo Autuori é muito meu amigo e temos conversado várias vezes por telefone. Ele montou o time que tem as suas características, não tem nada a ver com o meu, aquele que eu deixei, e está tendo sucesso. Por isso, nem pensar em São Paulo.AE - Você não gosta do termo ameaça, mas você é um treinador importante do cenário, um dos pouquíssimos top que temos que está voltando...Leão - Via todos os dias aqui os programas de futebol. Sei direitinho o que está acontecendo em todos os clubes. Agora, eu não sei se sou top, mas tenho a minha carreira sólida feita às custas de muito trabalho. Sou uma pessoa objetiva e repito: não quero ficar com essa imagem de derrubador de colega. Se uma equipe quiser o meu trabalho, vou analisar os planos, as condições e acertar ou não. Não tenho pressa, não vou atropelar ninguém.AE - Você se arrependeu por ter deixado o São Paulo, pensado com o coração e ido para uma equipe pequena do Japão com tantos problemas?Leão - Não me arrependo de jeito nenhum. Tinha feito uma promessa a um amigo que estava com dificuldades. Ele (Yasutoshi Miura) foi responsável pelas duas vezes em que vim trabalhar anteriormente no Japão. Ele precisou de mim e eu vim. Fiquei apenas dois meses mas estávamos recuperando o time do Vissel (na verdade, foram cinco jogos apenas, com uma vitória, um empate e três derrotas). O problema é que ele teve uma briga com outros dirigentes do clube e foi demitido. E todos que trouxe também, eu inclusive.AE - Você volta quando ao Brasil?Leão - Na próxima semana. Estou resolvendo problemas burocráticos. Tenho de receber pelo meu trabalho e fazer as malas. Isso vai me tomar alguns dias.AE - Leão, se você pudesse escolher, trabalharia no Palmeiras, no Santos ou no Corinthians? Onde acha que poderia desenvolver um plano de conquistas?Leão - Eu...acabei de chegar ao Vissel. Amigo, não dá para falar mais. Tenho de desligar. Preciso cuidar das minhas coisas. Um abraço.

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