FABIO MOTTA/ESTADAO
Em sua partida 340, Tite garante seu segundo título do Brasileirão pelo Corinthians (2011 e 2015).  FABIO MOTTA/ESTADAO

'Não sou mágico, fiz adaptações', afirma o técnico Tite

Treinador diz que para levar o Corinthians ao hexacampeonato brasileiro com antecedência usou como referência várias equipes do futebol europeu

Raphael Ramos, O Estado de S. Paulo

05 de dezembro de 2015 | 17h00

O Corinthians encerra neste domingo um ano no qual, após sofrer com as saídas de Emerson, Guerrero e Fábio Santos, a equipe “sobrou” no segundo semestre e conquistou o título do Campeonato Brasileiro com três rodadas de antecedência. Os números confirmam a superioridade alvinegra: a diferença para o segundo colocado, o Atlético-MG, é de 14 pontos e, não à toa, cinco atletas do time foram eleitos para a seleção da CBF dos melhores do campeonato. 

Tite revelou ao Estado a receita do Corinthians campeão brasileiro. O treinador deu detalhes dos ensinamentos que implantou na equipe após passar por um ano sabático, quando foi à Europa estudar. Apesar de ter feito estágios no Real Madrid e no Arsenal, ele diz que o alvinegro é hoje uma colcha de retalhos de tudo o que ele viu e observou no exterior. Assim, o Corinthians apresentou ao longo do Brasileiro um pouco também do futebol jogado pela seleção da Alemanha, o Barcelona e o Manchester City.

“Não sou mágico, muito menos criei a roda. Eu só fiz adaptações, reciclagem e mudanças na equipe”, diz Tite.

A estrutura da equipe começa pelo esquema 4-1-4-1, o mesmo usado pela Alemanha na Copa. “Dizem que o 4-2-3-1 é muito parecido, mas não é. O posicionamento do meio de campo no 4-1-4-1 é mais avançado e mexe com a estrutura da equipe. O Renato Augusto, por exemplo, alterna movimentos ofensivos e defensivos com o Elias, que também ajuda na criação e na infiltração”, explica Tite.

Nessa sistema de jogo, o posicionamento de dois atletas foram copiados da tetracampeão mundial. “Quem joga pelos lados do campo tem características distintas. Um é agressivo e vertical. O outro é construtor e criativo. A Alemanha tem Müller e Ozil. Nós temos Malcom e Jadson”, compara.

Tite confessa que essa estrutura foi só ajustada ao longo do ano. Para a função hoje exercida por Jadson, o treinador inicialmente escalou Renato Augusto. Somente depois de observar o rendimento dos dois nos treinos e jogos é que ele inverteu a posição de ambos.

“No começo do ano, não imaginei que esse homem da criação seria o Jadson. Pensei que pudesse ser o Renato Augusto porque na Europa ele já tinha exercido essa função. Na sequência, o Jadson começou a fazer esse papel de maneira extraordinária”, lembra.

Do Manchester City veio a inspiração para Tite pedir aos atletas de meio de campo que eles arriscassem mais passes “cavadinha” aos atacantes. “A defesa com uma linha de quatro fixa, compacta, proporciona a ‘cavadinha’ a todo instante. No City, o David Silva faz muito bem isso. Aqui, Danilo, Jadson e Renato buscam o mesmo.”

Matheus, filho do treinador, também estudou na Europa e esteve no Barcelona. Hoje auxiliar de Tite, ele importou para o CT do Parque Ecológico um tipo de treinamento específico que o time catalão costuma fazer em véspera de jogo. 

“O Barcelona faz pressão alta quando joga contra times que marcam atrás. O treinador demarca o campo na faixa intermediária e, durante 12 minutos, pede que os titulares não deixem os reservas darem mais do que cinco toques na bola. Se você ver Neymar, Messi e Iniesta fazendo essa marcação é impressionante. Os caras vão para dentro”, explica Tite.

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