Davi Ribeiro|Estadão
Davi Ribeiro|Estadão

'Não tive aumento, eu resolvi ficar por minha conta própria', diz Lucas Lima

Jogador rejeita propostas da China, Inglaterra e Itália, promete dedicação e diz que ainda sonha em brilhar na Europa

Entrevista com

Lucas Lima

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

03 Fevereiro 2017 | 06h01

Apesar dos altos e baixos em 2016, Lucas Lima ainda é uma unanimidade no Santos. Criativo, mas se esforça para marcar. Por causa desse dinamismo, ele lidera o time na estreia no Paulista, nesta sexta, às 21h, contra o Linense, na Vila, na abertura da competição. "Quero fazer um Paulista ainda melhor", diz o melhor jogador do torneio no ano passado. 

As atuações também fizeram os clubes estrangeiros crescerem os olhos. Já recusou ofertas da China, Inglaterra e Itália. Em entrevista exclusiva ao Estado, o meia de 26 anos afirma que quer jogar na Europa, mas decidiu ficar por vontade própria. "Só tive um aumento de salário desde que cheguei ao Santos", diz o jogador. 

O Santos chegou nas últimas oito finais e conquistou cinco títulos paulistas. Por que?

Todos entram para brigar pelo título, mas alguns desmerecem o torneio quando são eliminados. Nosso time sabe jogar esse torneio. É um campeonato de mata-mata na fase final e nosso time gosta disso. É difícil chegar em oito finais consecutivas e ganhar a maioria, mas espero que possa ser assim também neste ano. 

Você foi o melhor jogador do Paulistão 2016. Como repetir a dose? 

Vou ter de fazer mais do que fiz no ano passado. Tenho certeza de que os prêmios individuais vão aparecer se o coletivo funcionar. O primeiro objetivo é ser campeão. Depois, pensar nos prêmios individuais. 

Que balanço você faz de 2016?

É positivo. Fomos vice-campeões no Brasileiro e individualmente consegui me manter na seleção, uma meta particular. Tive alguns obstáculos como uma lesão no final do Campeonato Paulista e no Brasileiro. Isso fez com que meu futebol oscilasse um pouco. Sei que vou ser cobrado para fazer muito mais. Eu me preparei na pré-temporada. 

Perdeu espaço na seleção brasileira? O fato de atuar no Brasil influenciou?

Acho que não. O professor Tite joga em outro esquema, diferente da maneira que eu jogo no Santos. Tenho me adaptado. Sei que ele tem percebido minha evolução. 

Pensa em jogar só no Brasil? Perdeu a chance de sair?

Tenho vontade de jogar na Europa sim. Claro que existem centenas de jogadores que ficaram e deram certo, mas tenho esse desejo de mostrar meu valor na Europa. Quero viver novas experiências no futebol. 

Você acompanha o noticiário de santistas que foram para a Europa? O fato de o Ganso ter fracassado no Sevilla aumenta a pressão sobre você? 

Acho que não, mas é claro que fico atento ao que acontece. Nós, jogadores, conversamos bastante também. Na seleção brasileira, você encontra diversos jogadores que trabalharam e trabalham na Europa. Eles passam a experiência de como é jogar lá. 

Você recebeu aumento salarial do Santos para ficar?

Desde que cheguei ao Santos, eu só tive um aumento. No ano passado, no começo do ano. Depois disso, não tive nada. Eu resolvi ficar mais por minha conta, pela minha família e pelo meu desejo de permanecer no clube. Estou feliz. 

Os salários estão em dia?

Sim. Quando assumiu, o presidente avisou que teria dificuldades, mas que iria cumprir e vem cumprindo. Hoje, a realidade do futebol brasileiro é essa. Vários clubes têm dívidas. Não só o Santos. 

O que vai mudar no Lucas?

Eu me cobro para fazer mais gols. Venho jogando mais perto da área, mas acabo voltando um pouco. Espero fazer a diferença em alguns jogos, mas sempre pelo grupo. A gente não ganha nem perde sozinho.

 

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