Daniel Ochoa de Olza/AP
Daniel Ochoa de Olza/AP

'Não vejo problema em Neymar jogar no Real Madrid' diz Puyol

Ao Estado, ídolo do Barça fala sobre o futuro do craque brasileiro, Yerry Mina, Copa do Mundo e valores elevados gastos em transferência de jogadores

Entrevista com

Carles Puyol, ex-jogador do Barcelona

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2018 | 07h01

Após 17 anos defendendo o Barcelona, Carles Puyol é um dos maiores ídolos da história do clube catalão e mesmo com tamanha idolatria, garante que não veria problema em uma possível transferência de Neymar ao rival Real Madrid. Em entrevista ao Estado, o defensor espanhol, que se aposentou em 2014, falou sobre o craque brasileiro, apostou que ele terá dificuldades para deixar o PSG, reclamou dos valores elevados das negociações do Barcelona, projetou uma Copa do Mundo em que a condição física contará muito e ainda pediu paciência com Yerry Mina, ex-Palmeiras.

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O que você pensa sobre uma possível ida de Neymar para o Real Madrid?

Creio que ele pode ir para o Real Madrid sim e não vejo problema nisso. Ele é profissional e não é algo impossível, mas acho que terá dificuldades para deixar o PSG, pois gastaram muito dinheiro nele. 

Neymar deixou o Barcelona para ter maior visibilidade e se tornar o astro de um clube. Acha que é possível fazer isso no PSG? 

Falando em tradição, Barcelona e Real Madrid são mais potentes que todas as outras equipes. Tem que pensar bem antes de sair desses clubes. Mas também há novos clubes ricos que estão buscando jogadores de nome e tentando montar grandes equipes.

O Barcelona pagou 130 milhões de euros (R$ 525 milhões na cotação da época) no Philipe Coutinho e recebeu 222 milhões de euros (R$ 820 milhões na cotação da época) pelo Neymar. O que pensa sobre esses valores? 

Creio ser tudo um pouco louco, mas me parece que é o valor de mercado atualmente. Se quiser ir buscar jogador fora do clube, tem que fazer essas loucuras. Por isso temos que cuidar mais da base, para não gastar tanto quando precisar se reforçar. 

O que espera da Copa do Mundo da Rússia? Você acha que a Espanha é a favorita?

Creio que sim. A Espanha tem uma equipe boa, com ideias claras, mas temos que esperar para ver como todas as seleções vão chegar, principalmente as que tem grandes jogadores. Tem que ver como esses atletas chegarão fisicamente, pois tem jogadores com 70, 80 partidas por temporada. Precisamos ver se eles vão chegar bem para disputar um torneio tão complicado e curto como o Mundial. 

O que pode falar sobre a seleção brasileira?

Acredito que também é uma seleção com forte favoritismo. Além da Espanha e do Brasil, destaco Alemanha, França e Argentina, que teve problemas para se classificar, mas em uma Copa isso fica para trás. Só me preocupa essa questão física que eu disse.

O Barcelona contratou o zagueiro Mina, que jogava no Palmeiras e era um grande jogador no Brasil. Mas ele ainda não se destacou na Espanha. Qual o motivo?

Temos que ter um pouco de paciência. Ele nunca jogou na Europa, veio do Brasil, onde o futebol é bem diferente, só que parece ter qualidades. E o Barcelona conta com o Umtiti, que está crescendo a cada dia e em breve estará entre os melhores do mundo. Ele se adaptou ao estilo do Barcelona.

E o que você tem feito da vida após ter deixado os gramados?

Eu tenho três pilares. Primeiro é a minha família, que é o mais importante. Agora consigo ter mais tempo com a minha mulher e filhas. Outra é a agência de representação de jogadores, com o Ivan De La Peña (ex-jogador), em que tentamos ajudar os jogadores, representando eles e dando todo tipo de assessoria, como mentores. E o terceiro é como embaixador da Liga (Espanhola), do prêmio Laureus, da UEFA, da Fifa, enfim, estou pelo mundo. 

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