Massimo Pinca/Reuters
Massimo Pinca/Reuters

Napoli renasce na busca pelo ‘scudetto’ contra a toda-poderosa Juventus

Eterno time de Maradona na Itália reencontra seu caminho e faz frente à equipe de Buffon e Dybala

Vinicius Saponara, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2018 | 07h00

“Grinta e cuore” – coragem e coração, em português. Essas duas palavras (pode-se acrescentar ainda ansiedade) definem bem o sentimento que se passa em uma cidade apaixonada por futebol, com chance de ver o seu time campeão nacional novamente depois de 28 anos de espera. Assim está Nápoles, a bela e “quente” localidade ao sul da Itália, na reta final do Campeonato Italiano. O Napoli – cabeça a cabeça com sua rival do norte, a Juventus – aposta suas fichas nas quatro últimas rodadas para conquistar o título que não vem desde os tempos de Diego Maradona e Careca.

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Domingo passado, o gol salvador do zagueiro senegalês Koulibaly em Turim, aos 44 do segundo tempo, recolocou a equipe na briga direta pelo “scudetto”. De hoje, diante da Fiorentina, em Florença, até a 38.ª e última rodada, dia 20 de maio, contra o Crotone, em Nápoles, serão quatro jogos. Pela glória ou por mais um ano na fila, o napolitano sabe que um projeto está em andamento no time para devolver a alegria a todos na cidade.

Fundado em 1904, o Napoli teve resultados medianos na Itália por décadas. Ganhou apenas duas edições da Copa da Itália. E só foi aparecer no cenário internacional 80 anos depois, quando um franzino meia argentino foi contratado do Barcelona. Maradona chegou à cidade e começou um reinado que durou sete temporadas e rendeu dois títulos nacionais (em 1987 e 1990) e um da Copa da Uefa, em 1989. Com Careca, o amigo brasileiro a quem chama até hoje de Antônio, fez dupla infernal para os adversários. São ovacionados até hoje.

Depois desta fase de glórias, veio a crise financeira. Na década de 1990, o Napoli passou por momentos conturbados. O clube chegou a ser rebaixado e voltou à Série A mais de uma vez. Em agosto de 2004, com dívida gigantesca, foi à falência e deixou de existir. Foi aí que o tal projeto a longo prazo começou.

Graças aos esforços do renomado produtor cinematográfico Aurelio de Laurentiis, um napolitano apaixonado por futebol que não queria deixar a cidade sem uma equipe, o Napoli ressurgiu. Ele pagou 30 milhões de euros (R$ 115 milhões na cotação atual) pelo espólio, refundou o clube com novo nome (Napoli Soccer), no lugar do tradicional Società Sportiva Calcio Napoli, recuperado mais tarde) e recomeçou na Série C.

A sua promessa era de recolocar o Napoli na primeira divisão em até cinco temporadas. O time subiu em três. Na elite, De Laurentiis investiu mais no elenco e contratou, em 2007, um jogador que hoje é o símbolo da reconstrução do Napoli: Marek Hamsik. O pouco badalado meia eslovaco já quebrou dois dos mais importantes recordes do clube. É seu maior artilheiro com 119 gols, ultrapassou Maradona, que fez 115, e o que mais vestiu a camisa na história do clube: 497 partidas.

Nestes 11 anos, Hamsik esteve em campo com vários jogadores que De Laurentiis apostou e teve sucesso. São os casos, por exemplo, dos centroavantes Edinson Cavani (hoje no PSG) e Gonzalo Higuaín (Juventus). Com eles, o Napoli ganhou duas Copas da Itália e uma Supercopa e voltou a jogar competições europeias com frequência, dando trabalho para rivais tradicionais como Chelsea, Bayern de Munique, Manchester City e o poderoso Real Madrid.

INOVAÇÃO

Para comandar em campo o seu projeto no Napoli, De Laurentiis sempre apostou em técnicos com ideias inovadoras e deu tempo de trabalho a eles. Foi assim com Walter Mazzarri (4 anos), com o espanhol Rafa Benítez (2 anos) e agora com Maurizio Sarri. Este napolitano de 59 anos, sempre agitado no banco, começou a carreira há 28 anos e passou por 17 times até voltar a Nápoles em 2015.

Desde então, com um time rápido e bom toque de bola, Sarri fez o Napoli ser bem visto e elogiado não só na Itália. Com uma defesa experiente com os espanhóis Pepe Reina e Albiol, um meio de campo versátil com os brasileiros Jorginho e Alan e um ataque rápido e matador com o italiano Insigne e o belga Mertens, vitórias vieram.

“O Napoli tem um modelo de jogo que te permite encarar qualquer rival. Eu sou fã do Sarri porque essa retomada tem a ver com a chegada do novo presidente, tem a ver com uma série de coisas, uma reconstrução depois da gente ter decretado falência, ter caído. Para o napolitano é um motivo de orgulho. Teve Maradona, teve Careca... Não tem a qualidade dos jogadores do passado, mas tem um jeito de jogar que te permite sonhar novamente”, diz o ex-atacante Caio Ribeiro, hoje comentarista da Globo, que jogou em Nápoles nos anos 90 e se diz torcedor fanático do time.

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