Narciso e Washington: encontro pela vida

O jogo vale três pontos, mas o zagueiro Narciso, do Santos, e o atacante Washington, do Atlético Paranaense, planejaram dar mais emoção à partida entre os dois times amanhã, às 18 horas, na Arena da Baixada em Curitiba, com uma celebração pela vida. Afinal, os dois enfrentaram a desconfiança sobre a possibilidade de voltar aos campos de futebol, mas conseguiram vencer doenças graves e se colocam como exemplo de vida para pessoas que têm os mesmos problemas. Antes do jogo, vão aproveitar a cobertura jornalística do evento para transmitir suas mensagens de pensamento positivo e de fé em Deus. A proposta partiu de Washington, que ficou mais de um ano fora dos campos com problemas cardíacos. Submetido a uma cirurgia para desobstrução de uma das artérias do coração, ele retornou no início deste ano, disputando normalmente o Campeonato Paranaense. Agora, estréia no Brasileiro, depois de se recuperar de um problema muscular. Narciso quase viu seu sonho de continuar no futebol apagar-se quando foi diagnosticada leucemia no início de 2000. Com o transplante de medula óssea realizado no Hospital de Clínicas de Curitiba recuperou-se e está jogando normalmente desde o ano passado. "Foi com o exemplo dele (Narciso) que eu superei meu problema pessoal e tirei a força para voltar a jogar", disse Washington. Ele promete não dar sossego para o zagueiro, caso este jogue amanhã, mas acentua que a homenagem antes da partida será "importantíssima". "Temos que ver o seu exemplo de vida", acentuou. Um elogio retribuído pelo zagueiro santista. "O Washington é um exemplo de superação, porque o coração é complicado, a gente exige muito e nunca sabe o que vai acontecer", afirmou. "Ficamos preocupados, mas agora estamos satisfeitos com seu retorno." Durante seu tratamento, Narciso passou muitos meses em Curitiba, onde deixou vários amigos. "É como se estivesse voltando para minha própria casa", reconheceu. Hoje pela manhã, antes do treinamento, ele esteve no Hospital de Clínicas para rever os médicos. "Passa um filme de 30 segundos daquilo que vivemos durante quatro anos", contou. "Mas é um filme gostoso de lembrar para que a gente não tenha vaidade para a frente."

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