Nilton Fukuda/Estadão
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Robinho agora está nas mãos da Justiça italiana

Vai ser difícil clube brasileiro aceitar o jogador enquanto o caso não tiver um desfecho

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

19 de outubro de 2020 | 05h00

O caso Robinho abre discussão para a existência de uma nova sociedade, muito mais politizada e responsável, que não está a fim de se dobrar diante de condições que não aprove. Neste momento, o passado condena Robinho. Digo neste momento porque a Justiça na Itália ainda não concluiu o caso.

O que se sabe é que Robinho foi acusado e condenado em primeira instância a nove anos de prisão por estupro, sexo sem consentimento. Ele e um grupo de amigos. Todos são apontados por uma jovem albanesa que tinha 23 anos. O fato ocorreu na cidade de Milão em 2013.

Não há tolerância para o que fez Robinho, como entendeu a Justiça italiana. A sociedade não aceita atitudes desta natureza, que, infelizmente, em outras épocas, eram toleradas. O basta está dado e isso é um avanço em todos os aspectos. Não há volta. Não há brechas. Não importa que Robinho seja um jogador de futebol excepcional, ter defendido a seleção brasileira e trabalhado nos melhores times do mundo. Nesta época, ele atuava pelo Milan.

As pessoas de bem não aceitam se juntar a outras que não sejam do bem. As empresas estão fechando suas portas para profissionais de comportamento suspeito, duvidoso, repreensivo. Ninguém quer ter sua marca associada ao que se condena na sociedade. Não importa se essa pessoa tenha se arrependido depois. É preciso pagar sua pena e Robinho ainda não pagou a dele. As chances devem ser dadas a todos que se arrependem e mudam, que entendem o que fizeram e ensinam a não fazer mais. Ao que se sabe também, Robinho não passou por isso.

Sua ‘absolvição’ não pode estar ligada ao que ele venha a produzir em campo no Santos, por exemplo. Digo que Robinho não pode ser simplesmente ‘perdoado’ quando vestir a camisa de um novo time e começar a fazer gols, como sempre aconteceu no futebol. Não se trata mais disso. A sociedade cobra o futebol e seus personagens fora de sua bolha, com direitos e deveres.

O futebol, ou qualquer outra área de atividade relacionada à aprovação do público, a aplausos ou vaias, não pode esconder o que Robinho fez (ele diz que não fez nada sem o consentimento do mulher) e do que ele é acusado. Enquanto tudo não for contestado, defendido, provado e julgado pela Justiça, há consequências para os acusados, uma delas é ser negado pela sociedade.

Robinho não está impedido de trabalhar. Não é esse o ponto. Ele continuou no futebol desde então. Sua sentença em primeira instância foi divulgada em 2017. E nem por isso ele deixou de exercer sua profissão. Ocorre que o mundo vem mudando e as pessoas estão cada vez mais intolerantes, principalmente nas redes sociais. Mas não somente. A crítica na internet ganha as ruas, fortalece os movimentos, engaja pessoas e motiva outros comportamentos até então inexistentes.

O Santos se viu refém desta condição. O clube sofre pressão de patrocinadores, que temem ser acusados de se juntar a profissionais que ‘fizeram’ coisas com as quais não concordam, lutam contra e abominam. É uma questão recente nas marcas.

A própria sociedade força essas empresas ou instituições a tomarem posição. O Santos ficaria sem parceiros caso levasse adiante a contratação de Robinho. Pesou o lado financeiro, embora gostaria de pensar que também pesou o lado social, o lado de um time de futebol não aceitar o que a sociedade condena. O goleiro Bruno, em outro patamar, vive situação parecida. Condenado por matar a namorada, paga pena em regime semiaberto e não consegue dar continuidade à carreira.

Robinho está nas mãos da Justiça.

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