Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

'Nau do Marco Polo não aportou em nenhum porto de corrupção', diz advogado

Defensor do ex-presidente da CBF diz que decisão da Fifa não terá nenhuma influência em processo criminal que acaba de 'descer' do STF

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

27 Abril 2018 | 14h43

O advogado José Roberto Batochio, que defende o ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Marco Polo Del Nero na esfera criminal, não acredita em interferência da decisão esportiva anunciada pela Fifa nesta sexta-feira – banindo o dirigente para sempre do esporte – no processo que acaba de passar da alçada do STF (Supremo Tribunal Federal) para a da Justiça Federal no Rio de Janeiro.

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"Absolutamente não! Mas sendo honesto, eu acabei de sair dessa decisão (da Fifa)", disse Batochio, que em junho de 2016 passou a integrar também a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Em relação à investigação criminal, o advogado disse acreditar que o destino dela será o arquivamento, por não haver, no entendimento dele, nenhuma prova que indique a participação de Del Nero em supostos esquemas de desvio de dinheiro.

"O Marco Polo foi investigado pelo FBI, pelo Ministério Público do Brasil, pela Polícia Federal brasileira, que estava fazendo um rastreamento de dinheiro. Sabe quais foram os resultados dessas investigações altamente sofisticadas? Não se encontrou conta alguma no exterior no nome dele. Foi feita minuciosa persecução de todo o dinheiro que saiu de Conmebol, Fifa... Encontraram destino final em contas de outros dirigentes. Do Marco Polo, zero. A nau do Marco Polo não aportou nunca em neunhum porto de corrupção", exclamou Batochio, fazendo alusão ao nevegador vezeniano.

De Brasília para o Rio

Na última quinta-feira, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello atendeu a um pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) e enviou à Justiça Federal do Rio de Janeiro investigação que tramita no Supremo para apurar crimes supostamente cometidos por dirigentes da CBF, entre eles Del Nero e os ex-presidentes Ricardo Teixeira e José Maria Marin. O ministro manteve no STF apenas a parte referente ao deputado federal Marcus Vicente (PP-ES), por conta do foro privilegiado.

A investigação apura os supostos crimes de evasão de divisas, estelionato, falsidade ideológica e crimes contra o sistema financeiro nacional. Os indícios iniciais saíram de um relatório alternativo da CPI do Futebol 2015, de autoria dos senadores Romário (Podemos-RJ) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) – o relatório "oficial", aprovado pelo Senado, não pediu indiciamento de nenhum dirigente.

"Esse inquérito é fruto de um relatório paralelo. O Romário, inconformado, mandou espalhá-lo pelo mundo. Agora, deve ir para o Ministério Público e o destino dele é o arquivo", sentenciou o advogado de Del Nero.

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