Náutico avisa que quer reformar Aflitos e voltar a jogar lá em 2017

Construída para ser palco da Copa do Mundo de 2014, a Arena Pernambuco pode se tornar um elefante branco apesar da existência de três grandes clubes em Recife, sendo dois na Série A do Brasileirão. Nesta quinta-feira, o Náutico anunciou que pretende reformar o Estádio dos Aflitos e voltar a jogar lá no ano que vem.

Estadão Conteúdo

26 de maio de 2016 | 17h38

"Independente de outros fatores, é uma obrigação reformar o estádio dos Aflitos, e estamos trabalhando para isso. O papel da direção é zelar por tudo que pertence ao clube, mas é preciso estar alinhado à realidade financeira. A prioridade atual é reformar os Aflitos, mas lutamos contra a falta de recursos", comentou, em nota, o diretor de patrimônio do Náutico, Stênio Cuentro.

O Estádio dos Aflitos foi construído em 1939 e, até 2013, foi a casa do Náutico. Após a Copa das Confederações, o clube passou a utilizar a Arena Pernambuco e deixou de lado seu antigo estádio. Desde 2014, não joga lá. Desde então, o Aflitos ser tornou um cemitério do futebol, completamente abandonado.

"Concluímos a especificação de orçamento para reforma do gramado e estamos finalizando o projeto de reforma das instalações elétricas. Estamos estudando as condições de acessibilidade do estádio, e solicitamos três propostas técnicas para a recuperação estrutural das arquibancadas", detalhou Stênio Cuentro.

O problema é que arrumar o estádio para receber jogos de futebol será bastante caro. "Apenas com refletores o custo será superior a R$ 100 mil, sem a mão de obra. Já o novo gramado está orçado em R$ 1 milhão. Só com iluminação e gramado, o custo passa de R$ 1,5 milhão", calcula o dirigente.

A diretoria do Náutico nunca esteve absolutamente satisfeita com a Arena Pernambuco, mas a preocupação, agora, é com o rompimento do contrato de concessão do estádio, entre o Governo do Estado e a Arena Pernambuco Negócios e Participações, consórcio liderado pela Odebrecht.

Quando a concessão por 40 anos estava sendo discutida, foi feita uma projeção apontando receita de R$ 73 milhões com jogos de Sport, Santa Cruz e Náutico no estádio, localizado na cidade de São Lourenço da Mata. Mas só no Náutico, clube de menor torcida que os rivais, assinou contrato para utilizar o estádio. Santa Cruz e Sport jogam lá apenas esporadicamente.

Por isso, a operação da Arena, um dos palcos da Copa do Mundo, é deficitária e quem paga o prejuízo é o Governo do Estado. De acordo com a concessionária, em 2013 o déficit foi de R$ 29,7 milhões. Em 2014, de R$ 24,4 milhões. Em 2015, o estádio recebeu 41 partidas, com público médio de 10 mil pessoas, apenas, o que não ocupa nem 25% do estádio.

Em agosto, a Polícia Federal deflagrou a Operação Fair Play, que apura superfaturamento na construção da Arena Pernambuco. A obra, estimada em R$ 796 milhões, pode ter sido superfaturada em R$ 42,8 milhões. De acordo com a PF, houve fraude na licitação da obra. O escritório da Odebrecht em Recife foi um dos locais nos quais foi cumprida ordem de busca e apreensão. A construtora está profundamente envolvida na Operação Lava Jato.

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